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A busca incessante por controle absoluto sobre o tempo e o trabalho apenas reforça o ciclo de ansiedade e frustração (Crédito: Freepik)
CARREIRA

Produtividade: Como evitar a armadilha da eficiência

O fazer mais no mesmo tempo, cria-se uma expectativa de que a pessoa pode assumir mais demandas, o que pode levar à exaustão e burnout

O desejo de “dar conta de tudo” é um dos maiores mitos da produtividade moderna. Segundo Oliver Burkeman, cientista comportamental e autor de “Meditations for Mortals”, tentar atingir um estado em que todas as tarefas são concluídas e não há pendências é uma ilusão. “É completamente impossível dar conta de todas as suas tarefas”, afirma. A busca incessante por controle absoluto sobre o tempo e o trabalho, diz, apenas reforça o ciclo que leva ao estresse e à insatisfação.

Existe uma “armadilha da eficiência” ligada ao trabalho: quanto mais produtiva uma pessoa se torna, mais tarefas surgem – pois é criada a expectativa de que ela pode lidar com mais demandas. “Você responde e-mails mais rápido e, de repente, recebe ainda mais e-mails para responder”, diz neste vídeo para o Big Think+.

Burkeman enfatiza que sempre haverá mais a fazer e que aceitar essa realidade pode ser libertador. Para ele, a busca incessante por controle absoluto sobre o tempo e o trabalho apenas reforça o ciclo de ansiedade e frustração. Ele ilustra essa ideia da seguinte maneira: se você considera a interrupção de seu filho para contar uma história da escola como uma “distração”, então algo está errado com sua definição de produtividade. 

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Trabalhar menos para produzir mais

Burkeman explica ainda o que chama de “débito da produtividade”. Segundo ele, muitas pessoas começam o dia sentindo que precisam “pagar” essa dívida, ou seja, produzir o suficiente para se sentirem adequadas. Esse mecanismo as coloca em um ciclo de que é sempre preciso fazer mais, entregar mais, produzir mais. “A barra para o que é suficiente nunca para de subir”, diz. 

Para lidar com as demandas da vida, Oliver Burkeman sugere a regra das 3-4 horas de trabalho profundo. Analisando a rotina de grandes cientistas, escritores e artistas, ele percebeu que a maioria deles dedicava no máximo quatro horas por dia ao trabalho realmente significativo. “Tentar focar por mais tempo do que isso é improdutivo. Você precisa de tempo para descansar e processar as ideias”, diz.

Esse conceito se alinha a estudos como o de Alex Pang, autor de “Rest”, que mostra que o descanso é um fator essencial para um trabalho de alta qualidade.

Ao tentarmos programar cada minuto do dia, estamos, na verdade, nos privando da espontaneidade e do prazer de viver. “Se a forma como você organiza seu tempo faz com que momentos valiosos da vida pareçam inconvenientes, talvez seja hora de reconsiderar seu sistema”, conclui Burkeman.

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