s
Adam Grant: “O sucesso de um líder não depende da quantidade de respostas que ele dá, mas da qualidade das perguntas que ele faz” (Crédito: Reprodução/YouTube?
CARREIRA

Adam Grant: liderança hoje é elevar as pessoas durante a sua jornada

O especialista em Psicologia Organizacional explica quais as habilidades e o mindset para líderes que precisamos na era da IA

Em tempos de transformação acelerada, liderar não é mais sobre ser o mais inteligente na sala, mas sim tornar a sala mais inteligente, diz Adam Grant, especialista em Psicologia Organizacional e professor da Wharton School na Universidade da Pensilvânia. “O futuro não pertence aos colecionadores de fatos, mas sim aos conectores de pontos”, diz ele neste vídeo.

De acordo com Adam Grant, autor de “Pense de Novo” e “Potencial Oculto”, o conceito de liderança está passando por uma mudança fundamental. Tradicionalmente, o foco era promover aqueles que demonstravam habilidades técnicas e acumulavam conhecimento. No entanto, com o avanço da tecnologia e o crescimento da automação, a informação se tornou uma commodity. Vem daí, portanto, a importância maior de conectar fatos e pessoas.

Grant enfatiza que grandes líderes são aqueles que fazem perguntas importantes, em vez de simplesmente dar respostas definitivas. A arte de questionar, segundo ele, permite descobrir oportunidades ocultas e criar um ambiente em que a inovação emerge naturalmente. “O sucesso de um líder não depende da quantidade de respostas que ele dá, mas da qualidade das perguntas que ele faz”, afirma.

CADASTRE-SE GRÁTIS PARA ACESSAR 5 CONTEÚDOS MENSAIS

Já recebe a newsletter? Ative seu acesso

Ao cadastrar-se você declara que está de acordo
com nossos Termos de Uso e Privacidade.

Cadastrar

Essa mudança de mindset é muito importante em um mundo onde a Inteligência Artificial (IA) está redefinindo o trabalho. Segundo o relatório “Future of Jobs 2025”, do Fórum Econômico Mundial, 70% das habilidades usadas na maioria dos empregos mudarão até 2030, impulsionadas principalmente por tecnologias emergentes e práticas colaborativas.

Para Grant, a habilidade mais importante para líderes não é a capacidade técnica, mas a agilidade mental – a capacidade de adaptar-se rapidamente às mudanças, liderar inovações e fomentar culturas abertas à experimentação. Ele menciona um insight obtido em uma conversa com Larry Page, cofundador do Google, que destacou o medo de que a empresa se tornasse um “museu cultural”, preservando práticas obsoletas enquanto o mundo avançava. “Precisamos destruir as vitrines que exibem nossas práticas antigas e criar novas práticas constantemente”, disse Page ao professor da Wharton.

Grant também alerta para um problema comum nas organizações: a promoção baseada em confiança ao invés de competência. Ele cita o “Efeito Babel”, que demonstra como pessoas que falam mais em reuniões são frequentemente vistas como líderes, mesmo quando não possuem as competências necessárias.

O futuro da liderança, sugere Adam Grant, depende de uma postura mais colaborativa e menos hierárquica. Em vez de se concentrar em autoridade, líderes precisam ser facilitadores do aprendizado contínuo e da inovação. Ele cita o exemplo da Corning Incorporated, que desenvolveu um programa para reconhecer funcionários que não apenas lideram projetos, mas também contribuem para o sucesso dos outros. Para alcançar o reconhecimento máximo, é necessário ser coautor em inovações lideradas por outros. “Liderança não é sobre estar no topo, mas sobre elevar os outros ao longo do caminho”. 

Habilidades do futuro: trabalhador brasileiro pesquisa IA, mas estuda idiomas

Tendências

Habilidades do futuro: trabalhador brasileiro pesquisa IA, mas estuda...

Relatório da Unico Skill mostra que as matrículas em idiomas cresceram 87,9% em um semestre. Gary Bolles, da Singularity University, explica por que a tradução automática não substitui aprender uma língua

A IA chegou aos conselhos antes da governança

Tendências

A IA chegou aos conselhos antes da governança

Estudo do IBGC mostra que a tecnologia já apoia análises e planejamento estratégico, mas só 20,7% dos membros de boards que a usam têm diretrizes éticas documentadas, e só 31% receberam treinamento específico

O retorno de 4 para 1 que as empresas deixam na mesa

Inteligência Artificial

O retorno de 4 para 1 que as empresas deixam na mesa

Estudo da Deloitte mostra que as empresas tocam várias transformações ao mesmo tempo, mas ainda tratam a gestão de mudança como custo de projeto. O preço aparece em esgotamento, saídas de talentos e valor perdido

O ponto cego dos CEOs na era da IA: a confiança que eles acham que têm

Inteligência Artificial

O ponto cego dos CEOs na era da IA: a confiança que eles acham que t�...

Estudo do BCG revela um abismo de 41 pontos na percepção de confiança. A falta de transparência sobre a IA já afeta o empenho das equipes, enquanto os líderes olham para outro lado

Todos usam IA, quase ninguém sabe liderar com ela, aponta Global Leadership Forecast 2027

Inteligência Artificial

Todos usam IA, quase ninguém sabe liderar com ela, aponta Global Lead...

Mais de 80% dos líderes relatam ganhos de produtividade com IA. Mas só 14% se sentem muito preparados para usar tecnologias emergentes com sucesso, e apenas 22% trabalham em empresas com uma política clara sobre o uso de IA

Gary Bolles: personificar a IA é uma questão de responsabilidade

Inteligência Artificial

Gary Bolles: personificar a IA é uma questão de responsabilidade

Chair de Futuro do Trabalho da Singularity University defende que a responsabilidade pelo uso da IA continue sendo humana. Para gerar valor com a tecnologia, diz ele, as empresas precisam redesenhar toda a cadeia de entrega, começando pela...