The Shift

5 tendências que vão guiar o trabalho em 2022

Flexibilidade, comunicação clara e acordos entre lideranças e equipes podem melhorar o trabalho híbrido

As áreas de Recursos Humanos, Desenvolvimento de Pessoal e People Analytics devem estar até as tampas de encarar relatórios que apontam as tendências do novo mundo do trabalho. Mas é um mal necessário. Mesmo que muitos insights sejam parecidos com o que vimos no ano passado, quando o baque da carência de profissionais foi acentuado pelo movimento de deixar/trocar de emprego (apelidado de The Great Resignation), há diferenças que podem marcar uma relação melhor com a empresa.

O recém-publicado “Great Expectations: Making Hybrid Work Work”, segunda edição do Work Trend Index da Microsoft, aponta que o movimento de trocar de emprego continua acentuado: 43% dos funcionários afirmaram que provavelmente considerarão abandonar seus empregos atuais – um aumento de 2% desde o report do ano passado. Esse índice cresce bem quando olhamos para o recorte geracional: 52% dos millennials e Zers (como são chamados os jovens da Geração Z) considerariam trocar de emprego este ano, uma alta de 3% sobre o último report.

CADASTRE-SE GRÁTIS PARA ACESSAR 5 CONTEÚDOS MENSAIS

Já recebe a newsletter? Ative seu acesso

Ao cadastrar-se você declara que está de acordo
com nossos Termos de Uso e Privacidade.

Cadastrar

Essa disposição tem muito a ver com o modelo de trabalho das organizações. O estudo indica que 50% das lideranças afirmam que suas empresas exigem ou vão exigir o retorno em período integral dos funcionários ao escritório a partir deste ano. Essa falta de flexibilidade tem sido um dos pontos de enfrentamento entre empresas e colaboradores. Nos Estados Unidos, entre os profissionais com trabalhos que podem ser feitos remotamente, 59% ainda estão cumprindo suas jornadas de casa, segundo estudo do Pew Research Center. É menos do que os 71% que se diziam remotos em outubro de 2020, mas bem acima dos 23% que trabalhavam com frequência antes da pandemia. E 60% dos trabalhadores dos que teriam condições de continuar trabalhando de casa gostariam de fazer isso o tempo todo ou a maior parte do tempo, quando a pandemia terminar.

Esse choque de vontades faz com que 52% dos trabalhadores pensem em mudar para um emprego que oferece a possibilidade de trabalho remoto ou híbrido em 2022, de acordo com o estudo da Microsoft, que ouviu mais de 31 mil pessoas em 31 países, juntamente com uma análise de trilhões de sinais de produtividade no Microsoft 365 e tendências no LinkedIn. O report destaca cinco tendências que podem ajudar as lideranças organizacionais e, principalmente, recrutadores e áreas de pessoal:

Os funcionários têm uma nova equação do “vale a pena”

Pelo menos 53% dos funcionários dizem que são mais propensos a priorizar sua saúde e bem-estar sobre o trabalho do que antes da pandemia. Na equação do que vale a pena, os colaboradores procuram mais em um emprego do que o salário. Os cinco principais aspectos do trabalho que os funcionários consideram “muito importantes” para um empregador fornecer são: cultura positiva (46%), benefícios de saúde mental/bem-estar (42%), senso de propósito/significado (40%), horário de trabalho flexível (38%) e mais do que as duas semanas padrão de férias remuneradas a cada ano (36%). Embora os jovens profissionais da Geração Z compartilhem as mesmas três prioridades, eles listam o feedback positivo e o reconhecimento como sua quarta prioridade, enquanto classificam um gerente que ajudará a avançar em sua carreira em 5° lugar.

Como a maioria dos jovens profissionais encontra empregos com salários de entrada ou menores, outra tendência que aparece é de “descolar” uma ocupação extra para complementar a renda, mas principalmente para exercitar as habilidades criativas. Pelo menos 70% dos Zers e 67% dos millennials consideram ganhar uma renda adicional por meio de um projeto ou negócio paralelo no próximo ano. Para as lideranças, isso representa um novo desafio: além de tentar atrair e reter os melhores talentos, engajar os funcionários atuais que cada vez mais projetam e definem suas carreiras em torno de atividades criativas.

Os gerentes se sentem pressionados entre a liderança e os funcionários

Aproximadamente 54% dos gerentes dizem que a liderança em suas empresas está fora de sintonia com as expectativas dos funcionários, e 74% dos gerentes dizem que não têm influência ou recursos para promover mudanças em suas equipes. Esse percentual é ainda maior para os líderes nas indústrias de manufatura (55%), varejo (54%) e bens de consumo (53%).

Ainda que a tecnologia tenha ajudado a manter as pessoas conectadas e a produtividade em alta, o medo de que isso possa se perder está influenciando esse movimento de retrocesso ao trabalho presencial. Apesar de 80% dos funcionários dizerem que são tão ou mais produtivos desde que se tornaram remotos ou híbridos, 54% dos líderes temem que a produtividade tenha sido impactada negativamente desde a mudança.

Os líderes precisam fazer com que ir ao escritório valha a pena

Pelo menos 38% dos funcionários em esquema híbrido dizem que seu maior desafio é saber quando e por que ir ao escritório. Apenas 28% dos líderes criaram acordos de equipe para definir essas novas normas. Como toda a abordagem em relação ao trabalho, vale ser flexível, mas transparente: lideranças devem esclarecer junto aos times como funciona o esquema, as regras para todos, se há exceções etc. Um modelo mais simples pode funcionar melhor.

É importante lembrar que apenas oferecer snacks e bebidas não é suficiente para atrair as pessoas de volta ao escritório, tendo de desperdiçar parte de seu dia em locomoção de casa para o trabalho e vice-versa. O escritório tem que se transformar em um espaço de troca, conhecimento e conexão, que continua na experiência digital. Para tentar melhorar a comunicação e interação, 54% das lideranças estão atualmente redesenhando espaços de reunião para trabalho híbrido ou planejam fazê-lo a partir deste ano. E apesar de 43% dos funcionários remotos e 44% dos funcionários híbridos dizerem que não se sentem incluídos nas reuniões, apenas 27% das organizações estabeleceram uma nova etiqueta de reunião de trabalho híbrido.

O trabalho flexível não significa estar “sempre online”

Após dois anos, o tempo de reunião semanal para o usuário médio do Teams aumentou 252%, e os bate-papos enviados por pessoa a cada semana aumentaram 32% — e ainda estão subindo. A boa notícia é que as reuniões estão ficando mais curtas: à medida que as pessoas encontram alternativas para a “conversa de corredor” ou “5 minutos para tomar um café”, as chamadas não programadas aumentaram 8% e agora representam 64% de todas as reuniões da ferramenta. E as reuniões com menos de 15 minutos agora compõem a maioria de todas as reuniões (60%) e estão aumentando mais do que qualquer outra duração (39% entre fevereiro de 2021 e 2022). Para as lideranças, fica o dever de casa de pensar em novas normas que incluam flexibilidade para reduzir o tempo gasto em reuniões e permitir que os funcionários desliguem do trabalho. Esse esforço deve ser de todos para estabelecer práticas de trabalho híbrido mais sustentáveis.

Enquanto a jornada de trabalho aumentou em 46 minutos, o trabalho fora do expediente cresceu 28% e no fim de semana, 14%. Os dados mostram que a mudança para o trabalho assíncrono faz parte desse novo normal. O uso mensal de gravações de reuniões que permitem que as pessoas acompanhem reuniões, treinamentos e reuniões sob demanda mais que dobrou desde março de 2020.

 

A reconstrução do capital social parece diferente em um mundo híbrido

Com 51% dos trabalhadores híbridos considerando uma mudança para o trabalho remoto a partir deste ano, as empresas precisam pensar em outras maneiras de recuperar o capital social, que não seja estar presente no escritório todos os dias. Para 43% dos líderes, a construção de relacionamentos é o maior desafio de ter funcionários trabalhando em um ambiente híbrido ou remoto.

Construir capital social é crucial para o sucesso organizacional. Os funcionários que têm relacionamentos prósperos com os membros imediatos de sua equipe relatam melhor bem-estar do que aqueles com relacionamentos ruins (76% contra 57%). Eles também relatam maior produtividade (50% contra 36%) e são menos propensos a mudar de empregador no próximo ano (61% versus 39%). Além disso, funcionários com relacionamentos bons em seu ambiente de trabalho estão mais satisfeitos com seu empregador (76%) do que aqueles sem amigos no trabalho (57%). Também se sentem mais realizados (79% versus 59%) e têm uma visão mais positiva do estresse no local de trabalho (40% versus 30%).