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Estudo do PayPal mostra que desconfiança tecnológica, insegurança financeira e falta de crédito travam a evolução digital dos pequenos negócios — do uso de IA à competição com grandes empresas (Crédito: Freepik)
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A economia da confiança: por que as PMEs brasileiras travam diante da tecnologia

Mesmo com 99% digitalizadas, pequenas e médias empresas ainda não confiam nas ferramentas digitais — e isso limita adoção de IA, inovação e crescimento. Estudo do PayPal revela as causas e os caminhos para avança

O Brasil é um país de pequenos negócios profundamente digitalizados e, ao mesmo tempo, desconfiados. Quase todas as PMEs já utilizam algum tipo de ferramenta digital (99%), mas 70% ainda não confiam plenamente na tecnologia, segundo o estudo “Panorama PayPal: PMEs e o Comércio Digital no Brasil 2025”, do PayPal. A junção da falta de credibilidade com a insegurança financeira e baixo acesso ao crédito formam um gargalo estrutural que trava o avanço de soluções digitais mais inovadoras.

“A confiança – pessoal, institucional e tecnológica – tornou-se a moeda essencial para começar, escalar e prosperar”, afirmou Brunno Saura, General Manager do PayPal no Brasil. Em sua apresentação dos insights do estudo, ele apontou que para 60% dos empreendedores, abrir um negócio é sinônimo de liberdade financeira, enquanto para 47% traz flexibilidade de tempo. Para outros 44%, a realização de um sonho. Mas o cotidiano, disse, não acompanha o ideal. 

O empreendedor brasileiro, comentou Saura, vive “buscando liberdade e flexibilidade, mas também equilibrando uma enorme pressão por estabilidade financeira e capacidade de sustentar a família”.

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Entre os principais medos e barreiras apontados no estudo:

  • 55% têm medo de errar;
  • 45% citam a burocracia como entrave para formalizar o negócio;
  • 40% convivem com insegurança financeira;
  • 72% já tiveram experiências negativas com tecnologia, especialmente problemas de suporte (32%), falhas de integração (27%) e cobranças inesperadas (21%).

Esse acúmulo de frustrações impacta diretamente a adoção de ferramentas mais sofisticadas.

Um dos pontos mais curiosos da pesquisa é que, embora 70% não confiem plenamente em ferramentas digitais, 73% afirmam que soluções de pagamento digital são fáceis de configurar. Para Saura, isso mostra que confiança não é diferencial e sim pré-requisito: “Confiança não é um diferencial, é uma condição básica para a existência do negócio”, afirmou na apresentação da pesquisa.

A escolha de um provedor de pagamentos também reflete esse padrão:

  • 49% priorizam segurança;
  • 39% priorizam facilidade de uso;
  • 33% consideram custos;
  • 27% valorizam suporte técnico.

Concorrência digital ainda é desigual

A digitalização eliminou fronteiras e colocou micro e pequenos negócios em pé de igualdade técnica com grandes empresas. Mas isso trouxe pressão e novos desafios, já que a concorrência com as grandes é bem desigual. O estudo revela que:

  • 51% das PMEs dizem que concorrer com grandes empresas é hoje seu maior desafio;
  • 43% têm dificuldade em aumentar vendas;
  • 41% lutam para atrair clientes.

“A digitalização te tira da sua fronteira local e te coloca em escala nacional e global. Mas até onde você confia no ecossistema que você possui para dar o próximo passo?”, disse Saura. Sem falar na falta de crédito: sete em cada dez PMEs não conseguem financiamento para expandir o negócio, uma trava histórica que aparece também em relatórios do Sebrae e do Banco Mundial.

O levantamento também detalha diferenças regionais. O Brasil empreendedor é diverso e não poderia ser diferente quando se trata de suas dores. Veja a seguir alguns dados:

Nordeste

  • 67% empreendem pela liberdade financeira.
  • Principal necessidade: planejamento estratégico (24%).

Sudeste

  • 52% têm medo de errar e pedem mais apoio jurídico (28%).

Centro-Oeste

  • 60% convivem com insegurança financeira devido a sazonalidade.
  • Necessidade: mais suporte em logística (27%).

Sul

  • 49% buscam equilíbrio de longo prazo.
  • Demanda por apoio jurídico (27%).

Norte

  • 97% já usam redes sociais.
  • 55% têm dificuldade em formar parcerias.

IA: muito discurso, pouca prática

Apesar do hype, 75% das PMEs brasileiras ainda não utilizam IA. Entre as que usam, a aplicação é superficial:

  • 60% utilizam IA apenas para criação de conteúdo;
  • 45% usam chatbots para atendimento.

As microempresas são mais adeptas à IA de conteúdo: entre negócios com faturamento anual de até R$ 50 mil, o uso sobe para 73%.

Brunno Saura observa que, embora o mercado esteja inundado de ferramentas, a compreensão de valor e a confiança tecnológica não acompanharam a velocidade de desenvolvimento: “A confiança não acompanha o ritmo da tecnologia.” Ele vai além: “As tecnologias disponíveis não estão conseguindo conversar com as PMEs”, o que gera subutilização e receio de investir em soluções de IA que poderiam melhorar gestão, estratégia e vendas.

O executivo cita ainda a chegada do Comércio Agêntico (Agent Commerce), em que agentes autônomos realizam tarefas de compra e pagamento para o usuário, como próximo salto tecnológico. Mas reconhece que a adoção dependerá de um esforço educacional e de simplificação das integrações para pequenos negócios.

O papel do PayPal num mercado que muda rápido

O PayPal se posiciona como uma empresa de tecnologia que fornece tecnologias de pagamento digital. De acordo com Brunno Saura, a estratégia da companhia no Brasil se firma sobre três pilares.

Traduzir tecnologia complexa para uso simples. “O papel do PayPal é interpretar tecnologias e traduzir para aplicações que o vendedor possa usar e o consumidor possa aproveitar”, afirmou o executivo.

Oferecer uma plataforma global e segura. Com 25 anos de operação, presença em 200 países e mais de 430 milhões de usuários, Saura reforçou que o PayPal busca levar ao pequeno empreendedor brasileiro o mesmo padrão tecnológico de grandes varejistas globais.

Integrar IA de forma estratégica e segura. A empresa também reforçou que a segurança é inegociável. Segundo Thiago Rinaldi, CISO Brasil e Canadá, “todas as decisões de design são guiadas pelo princípio de segurança”. “O que é confiado a nós fica conosco. Não compartilhamos dados com ninguém, exceto quando exigido por lei”, afirmou.

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Por Victória de Sá, especial para The Shift *