Durante décadas, a biologia sintética aprendeu a ler, copiar e editar o código da vida. O bacteriófago ΦX174 acompanha essa trajetória de perto: teve seu genoma sequenciado em 1977, por Fred Sanger e colegas, e, em 2003, foi reconstruído por inteiro a partir de oligonucleotídeos sintéticos, no trabalho de Hamilton Smith, Clyde Hutchison, Cynthia Pfannkoch e Craig Venter, que montaram o genoma infeccioso completo em 14 dias. Em 6 de agosto de 2026, o mesmo organismo serviu de molde para a etapa seguinte.
Pesquisadores da Universidade Stanford e do Arc Institute publicaram na Science o primeiro design generativo de genomas completos de bacteriófagos. O manuscrito circula como preprint desde 17 de setembro de 2025 e foi aceito em 2 de junho de 2026; o que chega agora é a versão revisada por pares. Dos projetos produzidos pelos modelos, 16 deram origem a fagos viáveis em laboratório. Eles não eram cópias de vírus encontrados na natureza: apresentavam mutações inéditas, genes e elementos regulatórios divergentes e comprimentos de genoma variáveis.
A grande novidade está na escala do que foi projetado. Modelos de IA já eram usados para sugerir uma proteína, uma sequência genética ou um circuito biológico. Neste caso, operaram em um nível em que as partes precisam funcionar juntas como sistema.
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