A empresa chinesa DeepSeek deu um tremendo chacoalhão no cenário de Inteligência Artificial ao propor um modelo de IA mais leve, eficiente e aberto. As três características, aliás, também se aplicam a seu modelo de trabalho. Com uma cultura organizacional que valoriza muito a pesquisa, o conhecimento e a criatividade, a DeepSeek vai na contramão do modus operandi da maioria das empresas chinesas.
As empresas do setor de tecnologia da China operam em um regime conhecido como “996”, que se traduz por jornadas de trabalho das 9h às 21h, seis dias por semana. Como explica J.S. Tan, candidato ao PhD no programa de desenvolvimento internacional do MIT, neste artigo para o China Talk, essa cultura surgiu durante a ascensão da economia digital no país em meados de 2000 e ainda prevalece em muitas empresas. “Os funcionários são mantidos sob rédeas curtas, sujeitos a requisitos rigorosos de apresentação de relatórios (muitas vezes enviando relatórios semanais ou até mesmo diários)”, explica.
As empresas de tecnologia chinesas, por sua vez, estabelecem KPIs exigentes e praticam o “stack ranking”, um sistema de gestão de desempenho que coloca os colaboradores em eterna competição. Tamanha pressão ajudou a fomentar uma força de trabalho resiliente, porém muito menos inovadora. Na “força bruta”, é possível alcançar resultados, mas na maratona da tecnologia, sem inovação não há resultado que mantenha a liderança.
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