s
No modelo multi-cloud, cargas são distribuídas entre múltiplos provedores, SaaS, infraestrutura on-premises e identidades não humanas (Crédito: Freepik)
TENDÊNCIAS

Segurança em nuvem em 2026: o que realmente define sucesso?

O sucesso deixou de ser “quantas ferramentas temos” e passou a ser “quais resultados entregamos”

A discussão sobre segurança em nuvem deixou de ser sobre ferramentas. Em 2026, ela é sobre arquitetura, integração e resultados mensuráveis. Hoje, 88% das organizações operam em ambientes híbridos ou multi-cloud, contra 82% no ano anterior. Mais: 81% utilizam dois ou mais provedores de nuvem para workloads críticos, e 29% usam mais de três, segundo o relatório “Cloud Security Report 2026”, da Fortinet. O levantamento ouviu 1.163 líderes de segurança cibernética.

Na realidade multi-cloud, complexidade é o novo normal. Esse modelo distribui cargas entre múltiplos provedores, SaaS, infraestrutura on-premises e identidades não humanas. Cada novo ambiente adiciona permissões, configurações e fluxos de dados. A infraestrutura escala automaticamente. A visibilidade, não. O resultado é um ambiente em que a superfície de ataque cresce de forma proporcional à expansão da arquitetura.

A fragmentação já virou impacto operacional:

CADASTRE-SE GRÁTIS PARA ACESSAR 5 CONTEÚDOS MENSAIS

Já recebe a newsletter? Ative seu acesso

Ao cadastrar-se você declara que está de acordo
com nossos Termos de Uso e Privacidade.

Cadastrar
  • 69% apontam proliferação de ferramentas e lacunas de visibilidade como principal barreira à eficácia da segurança em nuvem.
  • 66% não têm forte confiança na capacidade de detectar e responder a ameaças em tempo real (acima dos 64% do ano anterior).

 

O que define sucesso em segurança de nuvem

O relatório mostra uma mudança de mentalidade: sucesso deixou de ser “quantas ferramentas temos” e passou a ser “quais resultados entregamos”. Quando perguntadas sobre como medir sucesso em plataformas de segurança em nuvem (CNAPP), as organizações responderam:

  • 81% priorizam resultados de segurança, como menos configurações incorretas, menos permissões excessivas.
  • 76% valorizam eficiência operacional, como redução de ruído de alertas e detecção mais rápida.
  • 66% destacam integração e automação como essenciais para escalar segurança.
  • 62% consideram compliance contínuo e governança como requisitos centrais.

Essa priorização acontece mesmo com aumento de orçamento:

  • 62% esperam aumento nos investimentos em segurança de nuvem nos próximos 12 meses.
  • Em média, 34% do orçamento total de segurança de TI já é destinado à nuvem.

Mas a maturidade ainda é baixa: 59% classificam sua postura como inicial ou em desenvolvimento. Ou seja: gastar mais não significa estar mais protegido. A eficiência operacional virou métrica central.

 

Onde o risco realmente se concentra

A complexidade já está afetando a confiança operacional. O estudo revela convergência nas preocupações:

  • 77% apontam identidade e controle de acesso como principal risco.
  • 70% destacam misconfigurações de serviços em nuvem.
  • 66% citam exposição de dados e privacidade.

Esses três vetores formam o que o relatório chama de cadeia de exposição:
misconfiguração → identidade com privilégios excessivos → acesso a dados sensíveis.

O problema é que essas camadas continuam sendo monitoradas separadamente.

 

A lacuna de automação

Embora automação esteja presente, ela ainda é majoritariamente superficial:

  • 37% usam automação focada apenas em alertas.
  • Apenas 11% têm workflows de remediação totalmente autônomos.

Em paralelo:

  • 32% estão apenas em fase piloto no uso de IA para detecção.
  • Apenas 18% têm IA totalmente operacional na detecção de ameaças em nuvem.
  • A lacuna entre alerta e ação está se tornando o verdadeiro ponto crítico.

 

Como fechar a “lacuna de complexidade da nuvem”

O relatório encerra com cinco princípios operacionais claros que CISOs e lideranças de segurança cibernética devem seguir:

  • Tratar visibilidade como fundação. Sem visibilidade unificada entre contas de nuvem, identidades, dados e workloads, a maturidade não avança.
  • Reduzir fragmentação. Cada console adicional aumenta a fricção. A proliferação de ferramentas é hoje a maior barreira operacional.
  • Conectar domínios de risco. Identidade, configuração e dados precisam ser avaliados em conjunto, não isoladamente.
  • Automatizar para resolver, não apenas alertar. Automação que só notifica transfere o problema para equipes já sobrecarregadas. E esse ponto é crítico quando:
    • 74% enfrentam escassez ativa de talentos em cibersegurança.
    • 77% demonstram alta preocupação com o gap global de skills.
  • Integrar além da nuvem. A superfície de ataque não termina na nuvem, ela inclui rede, SaaS e endpoints.

 

Consolidação como resposta estrutural

Se pudessem recomeçar:

  • 64% das lideranças escolheriam uma plataforma unificada de fornecedor único.
  • Apenas 27% dos líderes manteriam abordagem “best-of-breed” desconectada.

Ao avaliar plataformas, os critérios mais importantes são:

  • Cobertura e profundidade – 79%
  • Integração e orquestração – 72%
  • Automação e compliance – 68%

 

O ponto central

A complexidade não é temporária. É estrutural. O relatório mostra que o verdadeiro diferencial competitivo em segurança de nuvem não está no volume de ferramentas, mas na capacidade de

  • Enxergar a arquitetura como um sistema integrado
  • Conectar domínios de risco
  • Automatizar com confiança
  • Reduzir fricção operacional
  • E medir sucesso por redução real de exposição

A pergunta que fica não é “quanto estamos investindo?”, mas “Nossa arquitetura consegue acompanhar a velocidade da nuvem – e dos adversários?”.

 

Brasil pode lucrar com a crise do petróleo, mas o futuro exige tecnologia quântica

Inovação

Brasil pode lucrar com a crise do petróleo, mas o futuro exige tecnol...

O FMI aponta o Brasil como beneficiário de curto prazo da alta energética global, mas a janela de oportunidade exige investimento em inovação para não se fechar

O mercado de satélites nunca mais será o mesmo

Tendências

O mercado de satélites nunca mais será o mesmo

A corrida pelo domínio dos satélites entra em nova fase: como Amazon, Starlink e Hawkeye 360 estão redesenhando um mercado de US$ 22 bilhões

O retorno do capital inteligente: América Latina no radar dos investidores globais

Tendências

O retorno do capital inteligente: América Latina no radar dos investi...

O Brasil lidera as preferências: mais de 70% dos investidores globais o apontam como o destino mais atraente da América Latina

América Latina resiste à crise global de engajamento – e o Brasil surpreende

Tendências

América Latina resiste à crise global de engajamento – e o Brasil...

A região lidera na esperança, mas o estresse ainda pesa. Para as lideranças empresariais, os dados revelam tanto oportunidades quanto alertas que exigem ação imediata

Futuro do trabalho: sete sinais de resiliência organizacional

Tendências

Futuro do trabalho: sete sinais de resiliência organizacional

Relatório da Gallup com 128 mil trabalhadores mostra que o verdadeiro gargalo da transformação digital está na liderança, não nos algoritmos

Cibersegurança virou tema de conselho, mas os boards ainda estão atrasados

Segurança

Cibersegurança virou tema de conselho, mas os boards ainda estão atr...

A cibersegurança deixou de ser apenas uma questão técnica. Entenda como conselhos de administração precisam evoluir para governar riscos digitais na era da IA