“O que é preciso para pôr fim ao SaaSpocalypse?”, questiona logo de saída este artigo do Financial Times. O argumento de que agentes de IA podem fazer muito do que o software empresarial faz e que as empresas podem programar seus próprios agentes seria uma narrativa simplista demais para corroborar a “morte do software”.
Ainda que sejam poucos, os resultados positivos da ServiceNow e da Atlassian e Twilio indicam caminhos em que o SaaS se cruza com a IA. Os argumentos incluem a oferta de segurança e interoperabilidade que vem das empresas de SaaS, que já se adaptaram antes, migrando sistemas locais para a nuvem.
Adaptação é, aliás, o nome do jogo para quem quer sobreviver nesse cenário de crescente mudança. Para garantir presença nos orçamentos de TI corporativo, as empresas de SaaS podem se tornar repositórios de dados essenciais para seus clientes e integrar agentes de IA. O ponto é que, se as empresas estão se adaptando, o mesmo vale para os investidores que continuam em busca de oportunidades.
A nota “The SaaS-Pocalypse Opportunity”, do Pitchbook, mapeia US$ 5,4 trilhões em investimentos de capital distribuídos por 209 categorias de empresas de tecnologia globais e oferece uma leitura que contraria o pânico que domina o noticiário financeiro: o que parece ser o fim do modelo de software como serviço pode ser, na verdade, o início de algo muito maior.
A transição para a economia de IA representa, segundo o relatório, a maior onda de Capex da história moderna: uma rotação de US$ 8 trilhões em gastos combinados de TI corporativa e de hyperscalers globais, que inclui as grandes plataformas de computação em nuvem como AWS, Microsoft Azure e Google Cloud. Mas esse capital não vai se distribuir uniformemente pela cadeia.
O diagnóstico do Pitchbook é que, antes de a IA Agêntica escalar para substituir mão de obra humana em grandes volumes, os gargalos físicos da base da pilha tecnológica precisam ser endereçados. O capital está inundando as camadas fundacionais: fabricação avançada de semicondutores, geração de energia em escala de gigawatts e construção especializada de datacenters. O PitchBook projeta que os hyperscalers estarão, em 2026, com Capex concentrado em upgrades de datacenters e que as fábricas de IA de nova geração começarão a operar em escala apenas no final de 2027. Essa visão é consistente com os anúncios públicos feitos por AMD, Nvidia, OpenAI, Anthropic, Broadcom e pelos próprios hyperscalers ao longo de 2025.
Um dos elementos mais concretos do relatório é o roteiro que descreve como o trabalho digital vai evoluir entre 2026 e 2030. O PitchBook descreve quatro estágios:
O PitchBook projeta uma transição de cinco anos do modelo SaaS para o WaaS, portanto, de 2026 a 2030 para os early adopters, e de dez anos para a maioria das indústrias. A IA Agêntica deve se tornar viável para implantação corporativa ampla a partir do final de 2027, conforme os data centers de nova geração sejam construídos para suportá-la.
O título do relatório não é acidental. O “SaaSpocalypse” soa como catástrofe, mas o PitchBook enquadra como janela de alocação. A turbulência de mercado atual, com ações e dívidas de software sob pressão, é descrita como uma oportunidade para que investidores e executivos de estratégia avaliem o ecossistema de IA no nível mais granular da taxonomia desenvolvida pelo PitchBook, e façam o alocamento de capital em empresas com o melhor product-market-fit para a nova economia de IA acelerada por humanos.
Para os executivos, o relatório oferece um roteiro para decisões de “build versus buy”, avaliação de vulnerabilidades em cadeias de fornecimento e identificação de parceiros de alto valor no ecossistema. Para investidores, traz um mapa de onde o gasto em infraestrutura está chegando ao pico e onde estão as oportunidades de rotação para camadas superiores da pilha – plataformas e software de aplicação – à medida que os gargalos físicos forem sendo resolvidos.
Na análise do Pitchbook, o capital humano específico caminha para atingir seu valor histórico máximo.
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