s
Em um cenário onde gigantes tecnológicos monopolizam receitas, Chris Dixon propõe um modelo descentralizado que devolve valor aos criadores (Crédito: Divulgação)
TENDÊNCIAS

IA, blockchain e o fim da era dos monopólios digitais

Com a ascensão da IA Generativa, o modelo de tráfego impulsionado por buscadores está colapsando. Para Chris Dixon, a solução passa pela descentralização

As últimas décadas foram moldadas pela explosão dos smartphones e dispositivos móveis, redes sociais e nuvem. E a próxima? Cripto, IA e novos dispositivos, segundo Chris Dixon, sócio da Andreessen Horowitz. “Tecnologias não crescem isoladamente elas evoluem em ondas. Mobile, social e cloud moldaram a internet nos últimos 20 anos. Agora, cripto e IA podem impulsionar uma nova fase pró-inovação e pró-criador”, diz ele nesta conversa com o sócio da área de Growth David George.

Dixon critica o modelo atual de criação de conteúdo, onde plataformas monopolizam a receita gerada por artistas, escritores e desenvolvedores. “As redes sociais de hoje capturam 100% da receita gerada pelos criadores. Precisamos de um modelo onde os criadores mantenham mais do valor que produzem”, afirma. Modelos como o do Story Protocol, que registra suas obras em blockchain, estabelecendo direitos autorais programáveis, deveriam ser seguidos. Os criadores recebem automaticamente royalties sempre que suas criações são usadas ou remixadas por terceiros.

Para Chris Dixon, estamos entrando em um período de ruptura no modelo econômico da internet. Durante décadas, sites e criadores dependiam de tráfego direcionado por mecanismos de busca como o Google. Com a ascensão da IA Generativa, esse modelo está em colapso. “Os criadores sempre aceitaram que motores de busca indexassem seus conteúdos em troca de tráfego. Mas se a IA fornece respostas diretas, sem direcionar usuários aos sites originais, esse pacto é quebrado”, explica.

CADASTRE-SE GRÁTIS PARA ACESSAR 5 CONTEÚDOS MENSAIS

Já recebe a newsletter? Ative seu acesso

Ao cadastrar-se você declara que está de acordo
com nossos Termos de Uso e Privacidade.

Cadastrar

O desafio, diz, é criar novos incentivos para que a produção de conteúdo continue viável. Ele sugere que combinar blockchain e IA pode oferecer soluções, como marketplaces descentralizados para criações digitais. “Não devemos resistir à IA, mas sim reinventar os modelos de negócios para que ela beneficie os criadores”. 

O dilema da centralização da internet

Evangelizador da Web3, Chris Dixon diz que existe o risco de a internet se tornar um ambiente hipercentralizado, dominado por poucas empresas que controlam infraestrutura, dados e distribuição. Ele alerta que a centralização excessiva pode sufocar a inovação e limitar oportunidades para startups. Por isso, defende políticas e tecnologias que incentivem a concorrência e o acesso à infraestrutura digital aberta.

“Hoje, a maior parte do dinheiro na internet flui para o centro – para gigantes da tecnologia. O maior risco que enfrentamos é um futuro onde apenas cinco empresas controlam a internet. Se isso acontecer, será muito difícil reverter”, avisa. “Precisamos de um modelo onde a riqueza e o controle sejam distribuídos”. 

Para Dixon, a escolha entre um ecossistema fechado e controlado ou um ambiente descentralizado e aberto depende das decisões que tomarmos agora. Com o avanço da IA Generativa, blockchain e novas infraestruturas digitais, há uma oportunidade para criar um sistema mais justo e inovador, onde criadores e usuários tenham mais controle sobre o valor que geram. “A pergunta mais importante sobre IA é: ela será controlada por algumas empresas ou será um ecossistema aberto?”

Agtechs: enquanto o agro adota IA, o capital de risco no setor cai 33%

Inteligência Artificial

Agtechs: enquanto o agro adota IA, o capital de risco no setor cai 33%

Pesquisa com 217 fazendeiros da CNH e levantamento da PitchBook mostram dois lados do mesmo momento: tecnologia de precisão virou rotina na fazenda, enquanto o venture capital em agtech recua e migra para IA que já entrega ROI comprovado

A lacuna entre ambição e prontidão: o que cinco estudos revelam sobre pessoas, liderança e IA

Tendências

A lacuna entre ambição e prontidão: o que cinco estudos revelam sob...

Protiviti, Careerminds, The Conference Board, Kyndryl, McKinsey e Metley chegam à mesma conclusão por caminhos diferentes: a tecnologia está pronta antes das pessoas e o RH que deveria liderar essa preparação é, com frequência, quem...

Só 47% dos CISOs sabem onde estão seus agentes de IA

Inteligência Artificial

Só 47% dos CISOs sabem onde estão seus agentes de IA

Pesquisa da Okta com 306 CISOs mostra que a infraestrutura de identidade é, ao mesmo tempo, o problema e a solução para controlar agentes de IA dentro das empresas

A IA começou a escrever genomas

Inteligência Artificial

A IA começou a escrever genomas

Modelos de linguagem genômica já conseguem projetar genomas virais funcionais. O avanço promete novas terapias e muda a escala do debate sobre biossegurança.

Cultura organizacional: como fechar o gap entre o que sua empresa promete e o que os funcionários vivem

Tendências

Cultura organizacional: como fechar o gap entre o que sua empresa prom...

Uma pesquisa com 300 profissionais de cultura e RH mostra que o problema não é falta de discurso — é a distância entre o que a liderança diz e o que ela recompensa, tolera e reforça todos os dias

Robôs para companhia emocional colocam IA Física dentro da sua casa

Inovação

Robôs para companhia emocional colocam IA Física dentro da sua casa

As vendas anuais de humanoides fabricados na China devem mais que dobrar em 2026, para cerca de 28.000 unidades