As organizações que já entenderam que treinamento e desenvolvimento de pessoas são fatores estruturais de retenção, engajamento e sustentabilidade organizacional vão entrar em 2026 prontas para dar o próximo passo. Agora é transformar desenvolvimento em parte do fluxo de trabalho para construir algo de valor ainda maior: capacidade contínua de adaptação.
O treinamento tem um peso na escolha do colaborador em ficar ou sair de uma empresa. De acordo com o “The TalentLMS 2026 Annual L&D Benchmark Report”, 95% dos gestores de RH concordam que treinamento e desenvolvimento melhores aumentam a retenção de talentos. Do lado dos funcionários, 73% afirmam que permaneceriam mais tempo na empresa se tivessem oportunidades mais fortes de aprendizado e desenvolvimento. Essa convergência entre liderança e força de trabalho é relevante porque elimina uma das justificativas mais comuns para a inércia: a ideia de que aprendizado é valorizado apenas por RH, e não pelos profissionais. O estudo mostra exatamente o oposto. Treinamento aparece como um dos elementos mais claros de valor percebido pelo funcionário.
A ausência de desenvolvimento também é mensurável. Em 2025, 35% dos colaboradores disseram que deixariam a empresa caso não recebessem treinamento, uma alta significativa em relação a 2024 (24%), após uma queda temporária influenciada por um mercado de trabalho mais cauteloso. O reaquecimento do mercado traz junto expectativas de desenvolvimento e as empresas que não estiverem alinhadas com esse movimento estarão em desvantagem.
O relatório aponta avanços importantes na qualidade e na percepção dos programas de L&D:
Esse descompasso é pequeno em termos numéricos, mas importante do ponto de vista organizacional. Ele sugere que as empresas estão melhorando a oferta de treinamento, mas ainda enfrentam dificuldades em transformar investimento em experiência fluida no dia a dia de trabalho.
O estudo chama atenção para um ponto crítico: satisfação com treinamento não elimina, por si só, o risco de evasão, se o aprendizado não for percebido como relevante, aplicável e conectado ao crescimento profissional. Treinar a força de trabalho não é apenas desenvolver habilidades; é construir compromisso, engajamento e permanência.
Um dos sinais de maturidade identificados pelo estudo está na forma como as empresas estão financiando o aprendizado:
Em um cenário de inflação e pressão sobre margens, o relatório interpreta orçamentos estáveis como priorização mais intencional. Esse movimento é reforçado por outro dado: a redução significativa das respostas “não sei” quando gestores são questionados sobre investimento em Aprendizado e Desenvolvimento, indicando maior controle e visibilidade financeira. Além disso:
A percepção de Aprendizagem e Desenvolvimento como custo também caiu: 41% dos executivos ainda veem treinamento como despesa, contra 54% em 2022. Embora o número ainda seja alto, a tendência é a virada de chave, diante de um mercado em que faltam profissionais com habilidades tecnológicas e as soft skills estão em demanda.
Apesar dos avanços em orçamento e alinhamento estratégico, o estudo identifica um bloqueio estrutural persistente: a falta de tempo para aprender.
Esse desafio se intensifica em um contexto de aumento das expectativas de entrega:
As empresas exigem mais capacidade, mas não criam as condições para desenvolvê-la. O relatório descreve esse fenômeno como um ambiente em que o “espaço para aprender colapsa sob o peso do fazer”. A tensão também é cultural: 46% dos funcionários e 49% dos gestores de RH concordam que suas empresas ainda veem treinamento como “tempo longe do trabalho real”, e não como parte integrante dele. Essa visão precisa mudar urgentemente para se tornar capacidade contínua de adaptação.
Quando o tempo é escasso, o aprendizado passa a competir com reuniões, mensagens e entregas. O resultado aparece nos dados:
Além disso, o estudo mostra uma insatisfação crescente com o formato do aprendizado:
A implicação é clara: conteúdo sem aplicação prática perde relevância rapidamente, especialmente em ambientes de alta pressão. Treinamento que não gera progresso visível tende a ser visto como ruído.
Como síntese, o estudo introduz o conceito de “learning debt” (dívida de aprendizado). É o acúmulo silencioso de lacunas de conhecimento quando o trabalho consome todo o tempo disponível e o aprendizado é constantemente adiado. Segundo o relatório, esse processo leva a:
Assim como a dívida técnica em tecnologia, a dívida de aprendizado cobra juros. O custo aparece mais tarde, quando a organização precisa se transformar e descobre que sua base de competências não acompanhou o ritmo das mudanças.
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