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Da órbita à Lua: como a tecnologia espacial se tornou a nova fronteira do investimento (Crédito: Freepik)
INOVAÇÃO

Space tech vira aposta bilionária: por que o capital migrou para o espaço

Com IPO histórico da SpaceX, rodadas bilionárias e uma economia lunar em formação, o setor espacial deixou de ser aposta especulativa para virar mercado industrial de escala — e o capital já percebeu isso

Quando a SpaceX estreou na Nasdaq em 12 de junho no maior IPO da história do mercado de capital dos EUA, com valorização inicial de quase US$ 1,8 trilhão, o relatório da Space Capital resumiu o momento: “a Economia Espacial entrou em uma nova era (…) e o capital está fluindo em escala sem precedentes”. A análise acertou ao olhar em volta e apontar que não era apenas uma grande empresa e sim uma série de de companhias e startups desenvolvendo space techs e fundos de investimento e governos colocando bilhões no setor. Os objetivos finais podem variar, mas ganhar o espaço (e ganhar com o espaço) fazem parte de um segmento que ainda vai crescer muito nas próximas décadas.

As startups do setor espacial e de satélites captaram globalmente um recorde de US$ 20,3 bilhões em rodadas de seed a growth em 2026 até agosto, de longe o maior total anual já registrado pelo Crunchbase para o setor. Esse valor é contado separadamente da oferta pública da SpaceX: um cobre captação privada, o outro é transação de mercado público. Como observou o TechTimes, “colapsar os dois fluxos obscurece o sinal mais duradouro”, o de que a camada privada da economia espacial bate recordes por méritos próprios, independentemente do halo da SpaceX.

Geograficamente, os EUA concentraram cerca de US$ 12,7 bilhões, equivalente a pouco mais de 60% do total global (a divisão exata resulta em aproximadamente 62,6%). A China respondeu por pouco mais de 20%, e a Europa por cerca de 10%.

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Já um relatório do PitchBook, que usa taxonomia própria e exclui deliberadamente a Anduril Industries por considerá-la uma empresa de defesa com foco primário fora do espaço, mostra que as empresas de tecnologia espacial financiadas por venture capital captaram US$ 11,3 bilhões em 244 negócios apenas no primeiro semestre de 2026, superando o total de todo o ano de 2025 (US$ 10,1 bilhões em 433 negócios). Anualizado, o número de negócios do semestre projeta cerca de 490 transações para o ano, crescimento ante 2025, mas bem menor que o salto no valor investido. O mercado está escrevendo cheques maiores para empresas em estágios mais avançados, sem aumento equivalente no volume de transações.

A concentração em estágios tardios aparece nos números medianos: o valor mediano por rodada mais que dobrou, de US$ 7 milhões (2025) para US$ 14,5 milhões (primeiro semestre deste ano), e o valor médio saltou de US$ 37,8 milhões para US$ 70,5 milhões. As rodadas de venture-growth e late-stage responderam por 87,4% de todo o valor investido no período, e o financiamento semente caiu para cerca de 1,5% do capital total (o menor patamar da série histórica), mesmo com o tamanho mediano de uma rodada semente batendo recorde de aproximadamente US$4,1 milhões. Na leitura do PitchBook, “o setor está sendo cada vez mais tratado como um mercado de escalonamento industrial, e não como aposta em tecnologia em estágio inicial. Isso é positivo para empresas já estabelecidas, com contratos e capacidade de produção, mas levanta uma questão crescente sobre se o boom de financiamento está produzindo empresas novas suficientes para sustentar o pipeline do setor”.

Para onde vai o dinheiro: segmentos, subsegmentos e regiões

O PitchBook organiza o setor em três segmentos: 

  • Terrestrial – lançamento comercial, inteligência geoespacial, comunicações por satélite, posicionamento/navegação/tempo
  • Orbital – satélites, manufatura em órbita, infraestrutura espacial, rastreamento de detritos, voo espacial humano, habitação
  • Exploratório – recursos celestes, propulsão interplanetária 

No primeiro semestre de 2026, o segmento Terrestrial permaneceu o maior em valor, com 55,5% do total (US$ 6,3 bilhões), ante 59,7% em 2024. O segmento Orbital respondeu por 39,7% do valor, mas 58,6% do número de negócios (as empresas terrestres levantaram cheques maiores, enquanto as orbitais fecharam mais rodadas). O segmento Exploratório saltou para 4,7% do valor (ante cerca de 1% em anos anteriores), impulsionado majoritariamente por uma única rodada expressiva (Vast Space), sem sinal ainda de aceleração mais ampla.

No nível de subsegmento (doze meses até junho de 2026), os Satélites lideram, com US$ 4,33 bilhões em 184 negócios, crescimento de 169% em valor, alta de 41,5% em número na comparação anual. O Lançamento Comercial vem a seguir, com US$c3,58 bilhões em 85 negócios (alta de 94,9%), revertendo o que o próprio PitchBook chamava de “rotação duradoura” para longe do lançamento. Inteligência Geoespacial captou US$ 2,51 bilhões em 60 negócios, mas recuou 31,1% em valor, uma das poucas categorias em queda. A Infraestrutura Espacial somou US$1,45 bilhão em 39 negócios (acréscimo de 36,3%), já superando no semestre o total de todo 2025. Comunicação por Satélite atraiu US$ 1,27 bilhão em 42 negócios (alta de 130%), e Posicionamento/Navegação/Tempo somou US$ 537 milhões em 11 negócios (aumento de 126,9%). Entre as categorias menores de crescimento explosivo: Rastreamento de detritos, US$ 207,6 milhões em 18 negócios (crescimento de 437,9% em valor, alta de 125% em contagem); Manufatura em Órbita, US$ 568,4 milhões em 15 negócios (crescimento de 275,9%); Voo Espacial Humano, US$ 254,8 milhões em 10 negócios (crescimento de 252,8%). Já Recursos Celestes (queda de 66,2%) e Propulsão Interplanetária (baixa de 67%) recuaram com força, sinalizando apetite ainda seletivo por apostas mais especulativas.

Geograficamente, a Europa produziu o sinal mais nítido de mudança em 2026: com US$ 2,4 bilhões no semestre (21,1% do valor global), atingiu recorde histórico da série, superando a Ásia (US$ 2,3 bilhões, 20,2%). A América do Norte segue na liderança, com US$ 6,3 bilhões (56,1%), mas essa fatia recuou de 65,9% em 2025 conforme Europa e Ásia ganharam espaço. Segundo o PitchBook, o avanço europeu se apoia em rodadas expressivas de empresas como ICEYE e Isar Aerospace, além de demanda soberana mais forte, um fenômeno que já aparece em valores absolutos e em participação de mercado, não apenas como narrativa geopolítica.

Os protagonistas do ano em space tech

A maior captação privada de 2026 não foi de uma startup “pure-play” espacial: a Anduril Industries, empresa de defesa diversificada que inclui espaço e satélites entre suas frentes, levantou US$ 5 bilhões em Série H em maio. Segundo o J.P. Morgan, tecnologia espacial já era: no primeiro trimestre do ano, foi o segundo maior segmento dentro do venture capital de defesa, com US$ 2,7 bilhões em 40 negócios.

A chinesa Yuanxin Satellite (marca SpaceSail), que desenvolve constelação de internet em órbita baixa rival da Starlink, captou cerca de US$ 1 bilhão em agosto. Os investidores externos foram limitados a 20% do capital pós-captação, nenhum capital estrangeiro permitido, e a Shanghai Alliance Investment, braço do governo municipal de Xangai, ficou com 49,9% da empresa. É capital estatal de infraestrutura, voltado a preservar direitos de espectro junto à União Internacional de Telecomunicações para uma constelação planejada de 15.000 satélites. Em 2025, a SpaceSail gerou apenas US$ 28 mil em receita, cifra pré-comercial.

A K2 Space, fabricante de satélites de grande porte sediada em Torrance (Califórnia), fechou em 30 de julho uma Série D de US$ 500 milhões a uma avaliação de US$ 6,8 bilhões, coliderada por Kleiner Perkins e ICONIQ, com CapitalG, Lightspeed, Altimeter, Spark Capital, Sands Capital, ARK Invest e T. Rowe Price. A captação seguiu o feito técnico de seu satélite Gravitas, que colocou em órbita um propulsor Hall de 20 quilowatts, o mais potente já operado em missão orbital, 4,4 vezes a potência do recorde anterior (um Aerojet BPT-4000 de 2010). Propulsores Hall ionizam um propelente (criptônio, no caso) e o aceleram eletricamente. A vantagem é o impulso específico (aproximadamente 1.500 segundos ou mais, ante 300–450 de um foguete químico), permitindo carregar mais carga útil com menos propelente. No Gravitas, isso permite elevar a própria órbita de baixa para média altitude em menos de 90 dias, sem lançamento adicional, e lançar quatro unidades juntas em um único Falcon 9 compartilhado. Com 85% de integração vertical em uma fábrica de 16.723 m² em Torrance, a K2 diz produzir um barramento de satélite de classe “Mega” por menos de US$ 15 milhões, com prazo inferior a três meses, frente a cerca de US$ 100 milhões e vários anos no procurement tradicional. Sua carteira de contratos já soma mais de US$ 1 bilhão, incluindo satélites meoSphere para a SES (28 unidades iniciais em órbita média, banda Ka de até 1 Gbps por satélite), fornecimento de barramentos para o programa de interceptores Golden Dome da Anduril (maio) e para o Protected Tactical Satcom-Global da Força Espacial dos EUA (junho, seu primeiro programa formal do Pentágono). Sua próxima plataforma, Giga, deve gerar 100 kW a bordo em 2028, mirando hyperscalers de nuvem como clientes.

A Stoke Space Technologies buscava captar US$ 1 bilhão a uma avaliação perto de US$ 9 bilhões em agosto, com fechamento previsto ainda naquele mês. Seu foguete Nova é projetado para reutilização total: recuperar o veículo inteiro após cada voo, ambição que nenhum operador havia atingido (o Falcon 9 recupera só o primeiro estágio; o Starship, apesar da meta, ainda não recuperou o veículo inteiro intacto). Fundada em 2019 por ex-engenheiros da Blue Origin, a Stoke já somava US$ 1,34 bilhão captado até fevereiro de 2026, quando fechou uma extensão de Série D de US$ 860 milhões. Entre seus investidores estão a Breakthrough Energy Ventures (de Bill Gates), Glade Brook Capital e Toyota Ventures. Um diferencial técnico é seu escudo térmico com resfriamento líquido, em contraste com as telhas cerâmicas do Starship, cuja capacidade já foi questionada por especialistas, embora Elon Musk tenha declarado considerar o desafio “resolvido”.

Na Europa, o fundo Scaleup Europe (gerido pela EQT, aproximadamente US$ 5,8 bilhões) anunciou em agosto seu primeiro investimento: a finlandesa Iceye, especialista em satélites de radar de abertura sintética (SAR), avaliada em € 10 bilhões, com aporte de € 300 milhões. A empresa já havia levantado € 1 bilhão anteriormente. Fundada em 2012 para construir um satélite SAR com menos de 100 kg (considerado inviável à época), a Iceye lançou seu primeiro satélite comercial em 2018 e, desde 2022, mantém parceria de defesa com a Ucrânia.

Avanços tecnológicos: da comunicação à computação orbital

O desenvolvimento mais ambicioso, e menos comprovado, do ciclo atual é a tese da “computação orbital”: tratar a órbita baixa não apenas como relé de comunicação, mas como infraestrutura de data center. A SpaceX apresentou seu satélite AI1 em 8 de junho, dias antes da estreia na Nasdaq: 70 metros de ponta a ponta (mais largo que um Boeing 747), projetado para 150 kW de pico e 120 kW médios de computação em órbita baixa, usando GPUs NVIDIA Rubin e CPUs Vera, confirmados na teleconferência do 2T26. O satélite é descrito pela própria empresa como a primeira geração de um data center orbital, um rack movido a energia solar para cargas de inferência de IA a partir do espaço.

A lógica: data centers terrestres enfrentam eletricidade e refrigeração como custos grandes e pouco elásticos, além de anos de licenciamento. Um satélite AI1 a 550 km de altitude recebe sol direto em 60% de cada passagem orbital, sem rede elétrica, e irradia calor residual diretamente ao vácuo, eliminando custos de água e refrigeração. A SpaceX protocolou, em janeiro, pedido à FCC para operar até um milhão desses satélites. Ao menos oito empresas constroem hardware similar, e ao menos três já operavam algo em órbita em meados de 2026, incluindo experimentos do Google com a Planet Labs e as startups Aetherflux, Lonestar e OrbitsEdge.

A tese, porém, segue sem comprovação comercial: protótipos do AI1 não devem estar em órbita antes de 2027, e mesmo as projeções mais agressivas mostram computação espacial processando apenas uma fração de um dígito percentual das cargas globais de IA antes de 2035. Os próprios clientes-âncora de computação da SpaceX, que são a Anthropic (US$ 1,25 bilhão/mês) e o Google (US$ 920 milhões/mês), hoje pagam por infraestrutura terrestre, não orbital. Financeiramente, ao menos parte da economia orbital já é realidade: a SpaceX faturou US$ 7,81 bilhões no segundo trimestre (alta de 92% ano a ano), com US$ 4,3 bilhões do segmento Connectivity (Starlink) e US$ 2,6 bilhões do segmento de IA. Em 2025, a Starlink sozinha gerou US$ 11,4 bilhões com margem operacional de 39%, a única divisão lucrativa.

Outro eixo relevante é a propulsão elétrica de alta potência (o propulsor Hall de 20 kW da K2) e a busca por reutilização total de foguetes (o Nova, da Stoke), ambos ilustrando a migração de demonstrações isoladas para arquiteturas voltadas à repetibilidade e à redução estrutural de custo por lançamento e por satélite, exatamente o tipo de maturidade que o PitchBook associa ao ciclo atual de capital.

Space tech mudou de fase

A Economia Espacial global deve atingir US$ 1,8 trilhão até 2035, frente a US$ 626 bilhões em 2025, um crescimento movido pela consolidação do espaço como novo pilar industrial, no qual empresas que controlam lançamento, manufatura, infraestrutura orbital e dados devem capturar valor desproporcional, segundo o relatório “The Second Space Age”, do Goldman Sachs Global Institute. Elon Musk classificou a projeção do Goldman como conservadora demais. Já a Deloitte cita que a atividade comercial já responde por 78% dos mais de US$ 613 bilhões gerados anualmente pela Economia Espacial (cifra próxima, que reflete as diferentes metodologias) e aponta que o setor privado é hoje o principal motor de crescimento do espaço como indústria. A trajetória da Economia Espacial, que abrange o setor de Space Tech, está apenas começando.

Do lado do venture capital, o PitchBook aponta um mecanismo que pode ampliar o número de negócios nos próximos anos: uma leva crescente de ex-funcionários de empresas consolidadas do setor tende a fundar novas startups – a chamada “tese dos alumni da SpaceX”. O maior risco a esse mecanismo é o desempenho ainda fraco das ações recém-abertas no mercado secundário, que pode reduzir o apetite por novas apostas em estágio inicial. Ainda assim, o financiamento não-tradicional – dívida, crédito à exportação, capital soberano e programas públicos como os do Reino Unido e dos EUA em 2026 – sugere uma base de capital mais diversificada e profunda.

Olhando adiante, o setor avança em múltiplas frentes: 

  • Maturação da Banda Larga por Satélite em órbita baixa, com concorrência crescente entre Starlink, SpaceSail/Qianfan e constelações regionais
  • Consolidação da Inteligência Geoespacial e do rastreamento de detritos como mercados recorrentes
  • Crescimento da Defesa Espacial como categoria orçamentária própria, considerando que somente o orçamento proposto da Força Espacial dos EUA para o ano fiscal de 2027 já soma US$ 71,1 bilhões, alta de 124% sobre o ano anterior
  • O teste, ainda incerto, da tese de Computação Orbital
  • O início efetivo de uma Economia Lunar, cujo valor potencial a Deloitte estima em até US$ 566 bilhões até 2050. Se mesmo parte dessa infraestrutura planejada for construída, seus efeitos tendem a se estender muito além do próprio setor espacial, assim como o GPS, concebido para navegação militar, acabou contribuindo com mais de US$1,4 trilhão à economia norte-americana ao habilitar indústrias que vão da agricultura de precisão ao mercado financeiro.

A economia lunar: a próxima fronteira

Mais de 400 missões lunares estão planejadas para as próximas duas décadas, com governos alinhando política, financiamento e planejamento de missões em torno de presença sustentada na Lua. A Artemis IV, da NASA, deve devolver astronautas à superfície do satélite em 2028, o primeiro pouso tripulado em mais de 50 anos, e existem planos para missões mensais de módulos lunares a partir de 2027 e uma base permanente, com reator de fissão nuclear, até 2030. A China avança com pousos no lado oculto da Lua e a Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS). Japão, Índia, Coreia do Sul e a Agência Espacial Europeia também têm missões próprias. E no aspecto comercial, a SpaceX anunciou em fevereiro a intenção de priorizar uma “cidade autossustentável na Lua”: em seu prospecto de IPO, a empresa comandada por Elon Musk já citava manufatura lunar, energia de superfície e computação de IA no espaço entre linhas de negócio futuras.

Não para por aí. Os gastos governamentais globais com espaço atingiram US$ 137 bilhões em 2025. Somente a base lunar permanente da NASA deve custar sozinha perto de US$ 20 bilhões, com o governo norte-americano financiando cerca de US$ 7 bilhões/ano em colaborações público-privadas para sistemas lunares.

O programa CLPS da NASA já destinou até US$ 2,6 bilhões em contratos a empresas privadas para entregar carga e instrumentos à superfície lunar, com a NASA atuando como cliente-âncora, o mesmo modelo que ajudou a catalisar o mercado comercial de transporte na órbita baixa terrestre.

As oportunidades que devem vir somente da exploração e desenvolvimento de negócios ligados à Lua são enormes. Segundo o relatório “Building the Lunar Economy”, da Deloitte, a Economia Lunar pode gerar entre US$ 342,8 bilhões (cenário conservador) e US$ 565,7 bilhões (cenário acelerado) em valor cumulativo entre 2026 e 2050 (descontados a 7% ao ano, em termos reais). A frente de Infraestrutura (“o que é preciso”) inclui Transporte (US$ 150 bilhões a US$ 205,7 bilhões, a maior categoria, aproximadamente 72% do valor de infraestrutura no cenário acelerado), Energia e Potência (US$ 31,8 bilhões a US$ 44,3 bilhões), Comunicações e Navegação (US$ 7,4 bilhões a US$ 9,1 bilhões), Mobilidade de Superfície (US$ 12,3 bilhões a US$ 13,3 bilhões), Construção (US$ 5,1 bilhões a US$ 6,4 bilhões) e Suporte à Vida (US$ 2,4 bilhões a US$ 3,5 bilhões). A frente de Mercados Viabilizados (“o que isso cria”) inclui Segurança Nacional (US$ 11,9 bilhões a US$ 31,4 bilhões), Dados e Serviços Lunares (US$ 1,4 bilhão a US$ 31,7 bilhões), Novos Recursos e Materiais (US$ 59,2 bilhões a US$ 114,5 bilhões) e produção no espaço (US$ 61,3 bilhões a US$ 105,9 bilhões). A Deloitte estima ainda um benefício social adicional de US$ 541 bilhões, que inclui inovação, avanço científico, inspiração humana, mantido deliberadamente fora do mercado total.

Entre os motores está a disputa pelo polo sul lunar, região com luz solar quase contínua em algumas cristas e crateras permanentemente sombreadas que abrigam depósitos de gelo de água,— divisível em hidrogênio e oxigênio para combustível de foguete e ar respirável. Desde o pouso indiano na região em 2023, quase metade das missões lunares planejadas mira o polo sul, incluindo o Artemis Base Camp da NASA e a ILRS chinesa. Outro recurso observado é o hélio-3, isótopo raro acumulado na superfície lunar ao longo de bilhões de anos, com aplicações potenciais em Computação Quântica, fusão nuclear e segurança nacional. A Interlune, empresa privada de infraestrutura espacial focada na extração de matérias-primas da Lua, já assinou mais de US$ 500 milhões em acordos de offtake, incluindo com a Bluefors, fabricante de sistemas de refrigeração para Computação Quântica. Ainda assim, especialistas ouvidos pela Deloitte situam o horizonte para produção lunar comercial em escala entre 2030 e 2035.

 

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