Imagine por um momento que você chega para trabalhar na segunda-feira sem enfrentar seu inbox lotado de e-mails, gargalos operacionais ou reuniões que poderiam ser uma mensagem. Enquanto dormia, sistemas autônomos de Inteligência Artificial (IA) renegociaram contratos, resolveram falhas na cadeia de suprimentos e agendaram manutenção preventiva. O seu papel? Orientar decisões estratégicas, definir limites éticos e coordenar redes de parceiros em ecossistemas globalmente integrados.
A cena que abre o estudo “Megatrends”, da EY, descreve esse novo tipo de organização como “superfluid enterprise”, empresas que operam com atrito quase zero, em que dados, capital, talento e decisões fluem em velocidade digital. A tese central é simples: o mundo não está apenas ficando mais eficiente, ele está se tornando fundamentalmente híbrido, combinando o melhor das capacidades humanas com sistemas autônomos de IA, contratos inteligentes e arquiteturas descentralizadas. E a mudança é grande o suficiente para redefinir trabalho, liderança, competitividade e até os limites da própria cognição humana.
A seguir, mostramos os pilares que sustentam essa transformação e os números que comprovam a velocidade desse deslocamento.
Durante décadas, empresas foram construídas para “administrar fricções”: reuniões necessárias para alinhar áreas, aprovações manuais, silos de informação, processos redundantes e equipes dedicadas exclusivamente a coordenar outras equipes. A fricção tornou-se mais do que um incômodo operacional, ela passou a representar um dreno financeiro que as tecnologias avançadas agora permitem eliminar. Estamos falando de ganhar eficiência e reduzir custos de forma inteligente.
O estudo da EY quantifica o problema com uma clareza desconfortável:
Quando a fricção desaparece, o retorno aparece rapidamente:
É por isso que a ideia de organizações “superfluidas” ganha força. A pressão competitiva vai fazer com que as organizações que se adaptarem primeiro capturem margens, velocidade e agilidade impossíveis de alcançar com as arquiteturas tradicionais.
A jornada até o modelo superfluido não acontece de um dia para o outro. O estudo da EY divide o caminho em três horizontes, cada um exigindo capacidades, governança e cultura próprias.
O primeiro estágio exige que as empresas construam infraestrutura de IA, treinem equipes para colaboração humano-máquina e experimentem contratos inteligentes em áreas controladas. Os objetivos são:
A transição é acelerada pelo fato de que 78% das organizações globais já utilizam IA em pelo menos uma função estratégica, e 71% usam IA Generativa (GenAI) regularmente. A adoção é especialmente intensa em Serviços Financeiros, setor no qual o blockchain movimenta US$ 214 bilhões em ativos descentralizados. Ainda assim, apesar do avanço tecnológico, este é o horizonte no qual humanos continuam no centro, decidindo o que deve ser considerado “exceção”, calibrando governança e treinando algoritmos.
Na segunda fase, a IA deixa de ser uma assistente e passa a ser uma orquestradora. A lógica muda de “humanos no loop” para “humanos sobre o loop”. Características desse estágio:
A superfluidez começa a aparecer de forma visível nesse estágio. Agentes de IA renegociam contratos, redistribuem produção, coordenam cadeia de suprimentos e identificam riscos antes que eles se materializem. A manufatura distribuída emergente permite reduzir time-to-market entre 50% e 70%, além de cortar 60% do Capex necessário.
Na área da Saúde, ecossistemas integrados via blockchain podem atingir 15% de participação de mercado até 2030, permitindo fluxos de dados seguros, interoperáveis e auditáveis.
O horizonte final é o mais radical: organizações operando com mais de 90% de autonomia, enquanto humanos assumem papéis criativos, éticos e estratégicos. Aqui, a governança precisa acompanhar a velocidade dos algoritmos, um dos desafios mais citados no estudo. Nesse estágio, a competição empresarial deixa de ser sobre eficiência e passa a ser sobre capacidade de reconfiguração contínua. A vantagem competitiva é temporal: ajustar-se em horas, não em meses.
O estudo identifica três tecnologias que, combinadas, sustentam essa mudança estrutural:
1. Agentes de IA
Os agentes autônomos são a “cola” das organizações superfluidas. Eles coordenam fluxos complexos, aprendem continuamente e executam decisões condicionadas com pouca intervenção humana. A plataforma CrewAI, por exemplo, já está presente em 60% das empresas do ranking Fortune 500, reduzindo o tempo gasto em coordenação em 40% e aumentando o tempo disponível para criatividade em 60%.
2. Contratos Inteligentes
Contratos que se autoexecutam eliminam intermediários, ambiguidade e lentidão.
Grandes organizações, com mais de 10 mil funcionários, representam 60% da adoção global de smart contracts. Além disso, 90% das organizações no mundo já deram os primeiros passos com blockchain. No setor energético, a Power Ledger prova a eficiência desse modelo:
3. Gêmeos Digitais
Digital Twins criam modelos vivos e auditáveis de processos inteiros, oferecendo total transparência em uma operação autônoma. Sistemas avançados conseguem entregar 90%–95% de acurácia preditiva – um salto importante em relação aos 60%–70% oferecidos por ferramentas tradicionais.
Apesar das imagens futuristas, o relatório “Megatrends” especifica que a era superfluida não elimina humanos: ela reposiciona as pessoas em diferentes papéis. E, em muitos casos, multiplica seu poder criativo.
Alguns números mostram isso:
Três competências humanas ganham protagonismo:
Para a EY, o grande diferencial competitivo da era superfluida não será tecnológico, mas cultural: organizações que conseguem unir capacidades humanas e máquinas em uma lógica de parceria, e não de substituição, vão liderar o mercado.
A segunda metade do estudo mergulha em outra tendência transformativa: a ampliação das capacidades humanas por tecnologias emergentes. A EY descreve uma economia em que profissionais combinam força reforçada por exoesqueletos, cognição aumentada por IA, longevidade estendida por terapias avançadas e até a conexão direta entre cérebro e máquinas.
1. Exoesqueletos e Robótica
O impacto é profundo:
2. IA Cognitiva
Na Medicina, diagnósticos assistidos por IA aumentam:
Em Direito:
Em produção criativa:
3. Interfaces cérebro-máquina (BCIs)
Ainda em estágio inicial, mas avançando rapidamente:
Aqui, o principal desafio é ético: privacidade neural, autonomia cognitiva e proteção legal.
4. Longevidade e extensão da vida
A revolução também é biológica:
Isso transforma radicalmente planos de carreira, previdência e mercado de trabalho.
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