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Quando se ouve falar de grandes altas no mercado, elas sempre vêm acompanhadas do pavor de uma queda vertiginosa. E no caso do bitcoin, há uma série de outros riscos envolvidos, segundo os analistas
O SHIFT DA QUESTÃO

O que pode dar errado com o bitcoin?

Quem pretende investir em mercados de risco precisa entender profundamente quais as vantagens, desvantagens, riscos e possíveis benefícios

Por Cristina De Luca, João Ortega, Silvia Bassi e Soraia Yoshida 06/03/2021
Conteúdo

 

A resposta mais honesta para a pergunta do título é o pesadelo de todo investidor: uma queda muito grande, depois de uma alta grande como a que vem acontecendo agora. O valor da criptomoeda pode flutuar abruptamente. Por isso é possível ganhar (mas também perder) fortunas. A volatilidade é constante, em um mercado ainda não regulado, sem mecanismos de proteção adequados e muito sujeito a ser manipulado, hackeado e fraudado. Portanto, um mercado de altíssimo risco. Razões pelas quais investidores mais conservadores fogem do bitcoin como o diabo da cruz.

Apesar disso, 2021 começou com um forte interesse institucional em criptomoedas, sobretudo bitcoin, refletindo um movimento que já havia se intensificado em 2020. Empresas como Microsoft, AT&T, Overstock.com e Twitch adotaram o bitcoin como forma de pagamento. Investidores institucionais sérios, fundos de hedge e outros participantes financeiros sofisticados – como Grayscale Bitcoin Trust, MicroStrategy, Square e PayPal, entre outros – ingressaram no mundo cripto. Em maio, o investidor bilionário Paul Tudor Jones endossou publicamente o bitcoin como uma proteção potencial contra a inflação. O que levou dezenas de instituições a investirem na moeda.

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O movimento mais recente, da Tesla, em fevereiro deste ano, agitou ainda mais o mercado. A empresa de Elon Musk comprou US$ 1,5 bilhão em bitcoins, e informou à Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM norte-americana) que o fez para “ter mais flexibilidade para diversificar ainda mais e maximizar o retorno sobre o caixa”, que no fim de 2020 somava mais de US$ 19 bilhões. Maluquice? Foi o que o mundo inteiro se perguntou. Até por que, o movimento vai no caminho oposto do que tradicionalmente se considera uma reserva de valor.

Há quem acredite que apostar em um investimento extremamente volátil tornará os ganhos da Tesla ainda mais incertos. E que ao endossar publicamente o bitcoin, Musk acabará levando alguns de seus fãs a investir neste ativo especulativo altamente arriscado, não estando tão bem posicionados quanto um multimilionário para absorver quaisquer perdas de seu investimento. É possível. Já começaram até as fraudes usando o seu nome.

Fato é que o investimento em bitcoin exige cuidados que vão além daqueles em investimentos tradicionais, como o ouro ou a bolsa. É preciso estudar muito. Estar sempre atento ao sobe e desce da cotação. E procurar apostar em moedas que já têm algum tempo de existência e um grande volume negociado nas principais corretoras do mundo, como a Coinbase, referência de um trabalho sério, dentro das regulações existentes para o mercado financeiro. Não por acaso, seu IPO vem chamando tanto a atenção dos investidores.

Hoje, o maior dos riscos é ter uma parcela muito grande do seu patrimônio em criptomoedas e precisar, no futuro, fazer um saque em algum momento em que o bitcoin esteja em baixa. Os benefícios são os mesmos de sempre: lucro bastante proveitoso no longo prazo, já que a expectativa para o bitcoin é extremamente positiva.

“Uma coisa que atrapalha muito o mercado é a enorme quantidade de empresas que prometem ganhos impossíveis para os clientes. Como as pessoas muitas vezes não estão tão bem informadas, elas acabam caindo nessas armadilhas e infelizmente perdem muito dinheiro até perceber que tudo não passa de um golpe. Isso acaba sujando o nome do mercado como um todo”, explica Bernardo Teixeira, CEO da BitcoinTrade, corretora brasileira de criptomoedas.

Segundo ele, outro tema sensível, que já está melhorado, é a falta de estabilidade jurídica. Até algum tempo atrás, não havia qualquer norma ou diretriz que desse um “norte” para as corretoras. “Isso já está mudando, o relacionamento com as autoridades e bancos vêm melhorando muito e acredito que nos próximos anos o mercado vá tender a se profissionalizar ainda mais”, explica.

De fato, comprar criptomoedas nunca foi tão fácil. Em 2020, o número de carteiras de bitcoin aumentou sensivelmente. Uma tendência que deve se manter em 2021. Grandes nomes de Wall Street como JP Morgan e Citibank, e a Visa, demonstram entusiasmo com a moeda. Até o gigante bancário BNY Mellon, com sede em Nova York, está entrando no jogo do bitcoin.

Se a tumultuada primeira década do bitcoin foi marcada por escândalos, roubos de carteiras, erros e grandes oscilações de preços, essa nova década promete ser marcada por um interesse forte dos reguladores em custodiar e ampliar o uso. Basta que problemas com dimensionamento e segurança sejam resolvidos. E que o bitcoin viva uma explosão de pagamentos de baixo custo e alta velocidade, para que movimentos como o de Elon Musk passem a ser encarados com maior naturalidade.

A tendência é que o bitcoin se posicione entre ser uma reserva de valor e um meio de pagamento para transações diárias. Bora arriscar comprar um Tesla em bitcoin?

  • Há um risco, real, que já virou lenda na comunidade: a identidade de Satoshi Nakamoto ser revelada e o criador do bitcoin decidir exercer seus direitos sobre a enorme quantidade de moedas (cerca de 1,1 milhão) que possui em várias carteiras. Não por acaso seu nome aparece quatro vezes na documentação de IPO da Coinbase enviada à SEC, entre os riscos conhecidos para o negócio da exchange.
  • No Brasil, a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) lançou um Código de Conduta e Autorregulação para o setor de criptomoedas. O objetivo é estabelecer um ambiente com maior compliance, aumentando a segurança jurídica. Hoje, cinco empresas brasileiras do setor cripto aderiram ao Código: Mercado Bitcoin, Foxbit, Ripio, BitPreço e também a Novadax. O código visa elevar o nível de governança e confiabilidade dessas empresas e propor um padrão de excelência em suas operações garantindo uma maior segurança para todos os clientes e entusiastas do ambiente cripto no Brasil.

 


 

Bitcoin: quer que eu desenhe?

Quando as criptomoedas voltaram a subir do dia para a noite, The Shift contextualizou o que chamou de “revolução cripto”. O Bitcoin foi apresentado ao mundo há uma década como a revolução no ecossistema financeiro. Joe Weisenthal, editor da Bloomberg, o define como “a primeira e verdadeira religião do século 21”, inclusive por ter seu profeta, Satoshi Nakamoto, que desenvolveu a moeda e criou o sistema no qual ela existe. O primeiro bloco de bitcoins recebeu o nome de Genesis. O Bitcoin possui até um “texto sagrado”, o Livro Branco, que é muito semelhante ao Talmud. Nakamoto se manteve ativo no desenvolvimento do bitcoin até 2010 e sua identidade real não é conhecida.

Scott Galloway já previu que o bitcoin vai alcançar o valor de US$ 50 mil. Em fevereiro, o bitcoin chegou muito perto dessa marca, como você pode ver no gráfico a seguir, que traz outros dados sobre o ecossistema do bitcoin.

 

Bitcoin
Infogram

 


 

Histórias de horror do reino dos bitcoins

Dos 18,5 milhões de Bitcoins existentes, cerca de 20% – atualmente valendo cerca de US$ 140 bilhões – parecem estar em carteiras perdidas ou inacessíveis, de acordo com a empresa de dados de criptomoeda Chainalysis. Todos os dias aproximadamente 1500 bitcoins são perdidas, aponta uma pesquisa da Cane Island Digital Research de 2020. Imagine o desespero de quem vê a alta do bitcoin, mas não tem como resgatar.

A Internet é forrada de história de horror ligadas a criptomoedas. Dos depoimentos pessoais no Reddit, de quem comprou a criptomoeda esperando valorização e acabou vendendo com prejuízo até golpes que ganham ares de lendas urbanas, como a do motorista de táxi que ouviu um passageiro falando sobre aplicar dinheiro em bitcoins e ficou rico, essas histórias enfatizam a importância de manter os dados de acesso seguros, mas não tão seguros que não se consiga acessá-los.

Onde foi parar o bitcoin que estava aqui?

Stefan Thomas é um programador alemão que trabalha no Vale do Silício. Sua carteira digital possui 7002 bitcoins, o que colocaria sua fortuna na casa dos US$ 220 milhões. Ele comemorou as últimas altas da criptomoeda? Não. Como tantos outros no passado que investiram em criptomoedas, ele anotou a senha para seu IronKey para não ter que se lembrar dela. Sem essa senha, qualquer valor que suas bitcoins tenham fica “trancado” e, portanto, inacessível.

Como outros sistemas de senhas, este lhe permite dez tentativas no escuro para acertar. Stefan já usou oito tentativas, faltam duas. Se errar as dez, o sistema criptografa seu conteúdo para sempre.

O programador poderia pensar “menos mal”, já que não comprou os bitcoins: eles foram um presente de um entusiasta da criptomoeda, para quem ele fez a animação “What is Bitcoin?”. Mas não. Toda noite, ele fica imaginando múltiplas combinações para tentar se lembrar da senha que se coloca entre ele e sua fortuna.

Alguém viu a minha chave?

O investidor e CEO da Euro Pacific Capital Peter Schiff usou o Twitter (onde mais?) para expressar sua incredulidade ao perceber que “[sua] carteira não reconhece mais [sua] senha correta”. Quando o blockchain atualizou seu aplicativo, ele acabou desconectado. Após tentar se logar usando o pin, que era a única “senha” que ele tinha usado até então, ficou claro onde estava o problema. A solução foi dar adeus ao investimento, já que Schiff não tinha a senha para acessar mais sua carteira. Ele considerou que foi um erro honesto, mas “que custou caro”.

Até que a morte (ou o sumiço) nos separe

A Quadriga foi, durante alguns anos, a principal exchange do Canadá e seu fundador, Gerald Cotten, a imagem perfeita do gênio nerd que enxergou como ficar milionário com bitcoins. Quando a moeda entrou em queda em 2018, a empresa – que já chegou a perder US$ 14 milhões em Ethereum por conta de um erro de contrato – passou a ter problemas para pagar os investidores.

Mas isso não foi o pior: Gerald Cotten foi hospitalizado e morreu durante uma viagem à Índia, segundo sua mulher. Cotten era a única pessoa que sabia quais eram as senhas para as contas da Quadriga, incluindo criptomoedas e dinheiro, que naquele momento valiam US$ 250 milhões. A companhia guardava muitas carteiras em papel em cofres nos bancos e sem ele, não era possível localizar o dinheiro.

O imbróglio foi tenso, para dizer o mínimo, e envolveu até a polícia e o FBI, pois havia suspeitas que Cotten havia dado um golpe e ainda estaria vivo em algum lugar. Isso nunca ficou provado. A Quadriga entrou com pedido de falência e grande parte dos investidores perdeu seu dinheiro.

 


 

Por que o bitcoin valoriza em meio à pandemia

“Centenas de milhares de americanos morrendo é algo ruim, mas trágico mesmo seria se a bolsa de valores de Nasdaq entrasse em rota de declínio”: esta é a mentalidade coletiva dos EUA, segundo Scott Galloway, autor, empreendedor e professor de marketing na Universidade de Nova York. O especialista explica, em seu canal do YouTube, que a Reserva Federal dos EUA está colocando dinheiro no mercado para evitar a desvalorização em massa de ações durante a pandemia.

Como consequência, a inserção de dólares na economia pode gerar inflação de bens de consumo. Portanto, investidores institucionais buscam alternativas para se protegerem da diminuição do poder de compra da moeda dos EUA. É o caso do bitcoin, criptomoeda cujo valor não está atrelado ao dólar. “O futuro do bitcoin não depende do que acontecerá com ele nos EUA, mas sim na Europa, na Índia, no Brasil e em outras grandes economias”, defende Galloway.

Segundo o professor, “bitcoin tem a oportunidade de ser o monopólio não regulado do dinheiro”. Trata-se de uma criptomoeda bastante volátil e sensível às notícias do mercado e, em resumo, um ativo de alto risco para investidores. Por outro lado, o histórico recente e as previsões de especialistas apontam para um 2021 positivo para o valor da moeda. “Pode parecer arriscado investir em bitcoin e é, mas o risco maior hoje é não investir em bitcoin”, resume Galloway.

 


 

Lógica do bitcoin vai na contramão da sustentabilidade

A primeira vez que uma ação da Tesla ultrapassou o valor de US$ 1 mil foi em junho de 2020, logo após a fabricante de carros elétricos divulgar o relatório de impacto referente ao ano anterior. O documento listava uma série de marcos sustentáveis para a companhia de Elon Musk, como: 

  • Baterias elétricas que se degradam 15% mais lentamente que as concorrentes;
  • Corte de 45% do consumo de água nas fábricas entre 2018 e 2019;
  • Instalação de mais de 3,7 gigawatts em geradores de energia solar.

O interesse dos investidores pela companhia, que em dezembro valia mais do que as nove maiores montadoras do mundo somadas, está alinhada à tendência de valorização de ativos que prezam pela sustentabilidade. ESG (Governança Corporativa, Ambiental e Social) tornou-se uma prioridade dos investidores nos últimos anos. 

Por outro lado, quando se fala em bitcoin, a criptomoeda mais conhecida no mundo, parece que investidores fecham os olhos para os problemas ambientais atrelados a ela. A própria Tesla comprou US$ 1,5 bilhões em bitcoins e diz que passará a aceitar a criptomoeda como pagamento. Em certa medida, este movimento é contraditório ao compromisso da montadora de carros elétricos com o meio-ambiente. 

A lógica da bitcoin em si é associada a um enorme gasto energético e, portanto, uma pegada de carbono perigosa ao clima do planeta. O processo de mineração da criptomoeda requer poder computacional de diversas supermáquinas em cadeia trabalhando em uma metodologia que se aproxima da “tentativa e erro” para resolver problemas matemáticos complexos na rede. Embora as regras da moeda digital definirem que fica cada vez mais difícil o processo de mineração, a valorização da bitcoin no mercado faz com que hoje, mais do que nunca, seja atrativo financeiramente colocar os servidores para trabalhar. 

O problema não para por aí. Para além da mineração, toda transação realizada com bitcoin gera uma pegada de carbono relativamente alta. Como forma de evitar golpes, a rede blockchain da bitcoin tem um mecanismo que envia uma notificação sobre qualquer transação para todas as pontas. Ao mesmo tempo que permite verificar a integridade de toda operação, é um processo ineficiente, e, principalmente, redundante. 

Os dados acima, reunidos pelo Digiconomist, dão a dimensão do problema. Uma única transação com bitcoin equivale a 723 mil operações com cartão de crédito Visa. O consumo elétrico de toda a rede da criptomoeda é equiparável ao de um país como o Chile. 

Para mergulhar mais a fundo nos dados:

Em teoria, seria possível tornar as máquinas mais eficientes, tornar obrigatório o uso de energias renováveis para mineração de bitcoin ou criar um imposto sobre a atividade que seja revertido em impacto ambiental positivo. Embora não alterassem a lógica de alto consumo energético da criptomoeda, estas medidas fariam parte de uma estratégia de redução de danos. No entanto, nem isto está sendo feito de forma concreta. 

Um artigo publicado no The Conversation rebate mitos relacionados à sustentabilidade do bitcoin. Segundo a publicação, mineradores de bitcoin são altamente móveis e deslocam-se para perto de usinas elétricas onde há resíduos energéticos a um custo menor. Para eles, não há diferença entre a energia solar ou gerada a base de carvão. Nesse sentido, seria necessário uma mobilização global para garantir a prática menos nociva ao meio-ambiente, o que não deve ocorrer no futuro próximo. Movimentos isolados, como o que aconteceu no norte da China nesta semana, são insuficientes. 

Além disso, a prática não está desviando a atenção da mineração de ouro, que é uma das indústrias mais insustentáveis. Tampouco ela está promovendo uma mudança na dinâmica do mercado financeiro, já que investidores institucionais estão tomando as rédeas da especulação sobre a criptomoeda.

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