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Brasil vira terceiro maior mercado de IA no mundo enquanto o ChatGPT ganha status de novo mecanismo de busca, empurra mais de 6,1 milhões de visitas para os maiores e-commerces e força as marcas a migrar de SEO para GEO (Crédito: Freepik)
TENDÊNCIAS

A nova busca é híbrida: Google, IA Generativa e ChatGPT redesenham varejo

Enquanto o Google recua 0,88% e o ChatGPT cresce 71,9% em 2025, beleza, farmácia, moda e viagens já sentem o impacto de um consumidor que pesquisa por prompts, compara preços via IA e chega às lojas por meio de referrals automatizados

O uso combinado dos mecanismos de busca com a IA Generativa (GenAI) está expandindo as possibilidades que os consumidores têm de encontrar o que querem. Para as marcas no Brasil, isso significa uma mudança de lógica de interação, coleta de informação e decisão. Não é somente a busca do Google; é a busca do Google com IA e o ChatGPT usados conforme a intenção, o contexto e a profundidade da busca, segundo um relatório recente da Cadastra em parceria com a Similarweb.

Em 2025, o Google registrou leve retração de 0,88%, com 38,57 bilhões de visitas, enquanto o ChatGPT cresceu 71,9%, atingindo 1,97 bilhão de acessos, aponta o relatório “O Futuro da Busca: como a IA Generativa está redefinindo o caminho até o consumidor”. O Brasil é o terceiro maior mercado global de tráfego de IA, com 4,89%, atrás dos Estados Unidos (15,12%) e Índia (9,39%).

ChatGPT como novo mecanismo de busca

O ChatGPT tem uma fatia relevante no tráfego de IA chatbots no Brasil, concentrando 67% do tráfego. Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, o tráfego na ferramenta cresceu 260,7%. Em 2025, o ChatGPT recebeu em média 252,9 milhões de visitas mensais e 24,1 milhões de visitantes únicos. Esses números indicam uma adoção real, massiva e com impacto direto em tráfego, descoberta e potencial conversão.

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Entre janeiro de 2023 a agosto deste ano, os 10 maiores e-commerces do Brasil receberam mais de 6,1 milhões de visitas originadas do ChatGPT.

Top 10 e-commerces (referral do ChatGPT)

  • Mercado Livre 1,8 milhão
  1. OLX 914,1 mil
  2. Amazon 840,9 mil
  3. Magalu 803,5 mil
  4. Shopee 634,3 mil
  5. Temu 406,8 mil
  6. Netshoes 276,7 mil
  7. Americanas 201,8 mil
  8. Casas Bahia 167,5 mil
  9.  AliExpress 120 mil

Na prática, o que muda nas buscas? As perguntas ficam mais longas, detalhadas e situacionais, as sessões duram mais de 7 minutos e os LLMs (os grandes modelos de linguagem) são capazes de lembrar histórico e preferências para gerar respostas personalizadas. A IA aprende com o feedback do consumidor e passa a avaliar marcas ativamente. O estudo mostra que as consultas feitas em plataformas de IA têm, em média, 23 palavras, em contraste com as quatro palavras que dominavam o SEO tradicional.

Impacto nas categorias de varejo

Beleza

  • Tráfego moderado e pouco concentrado.
  • Consumidor híbrido: busca online e quer localização de lojas físicas.
  • ESG é relevante nas buscas.

Top referrals do setor

  • Beleza na Web 92,6 mil
  • Sephora 80 mil
  • Natura 71 mil

Farmácia

  • Segmento altamente concentrado: 3 players = 70% das visitas.
  • IA usada para comparação de preços e consulta sobre medicamentos.

Top referrals do setor

  • Consulta Remédios 315,4 mil
  • Drogasil 250,8 mil
  • Droga Raia 155,5 mil

Moda

  • Líder em referral: Enjoei, com 204,7 mil. Forte sinal de consumo sustentável.
  • Grande amplitude de consultas (tendências, fidelidade, disponibilidade).
  • Equilíbrio entre fast fashion, tradicionais e revenda.

Viagens

  • Mobilidade urbana lidera: Uber 235,7 mil
  • IA usada em toda a jornada: destinos, logística, cancelamentos.
  • Ecossistema equilibrado entre voos, hospedagem e apps.

 

Perfil de quem usa ChatGPT e Perplexity para buscas

O estudo mostra que existe um perfil demográfico muito claro para os usuários que utilizam ChatGPT e Perplexity como ferramentas de busca. Esses usuários formam um público bastante jovem, altamente digitalizado e com padrões de uso que revelam a formação de um novo hábito de pesquisa online. A seguir, estão os principais insights.

1. Público é majoritariamente jovem (18 a 34 anos)

Segundo o relatório, quase 60% dos usuários do ChatGPT e 58% dos usuários do Perplexity estão na faixa 18–34 anos. Isso indica que a adoção da busca por IA é liderada pelos jovens, o que é compreensível, já que são os que mais rapidamente incorporam novos comportamentos digitais.

Distribuição por faixa etária (ChatGPT)

  • 18–24 anos: 27,57%
  • 25–34 anos: 32,38%
  • 35–44 anos: 18,86%
  • 45–54 anos: 10,61%
  • 55–64 anos: 7,23%
  • 65+ anos: 3,36%

Distribuição por faixa etária (Perplexity)

  • 18–24 anos: 23,67%
  • 25–34 anos: 33,79%
  • 35–44 anos: 19,01%
  • 45–54 anos: 12,25%
  • 55–64 anos: 7,84%
  • 65+ anos: 3,44%

O estudo destaca que há uma grande oportunidade de expansão demográfica, já que o uso ainda é baixo acima dos 45 anos.

2. Leve predominância masculina nas duas plataformas

Tanto o ChatGPT quanto o Perplexity têm maior proporção de usuários homens.

Participação por gênero

  • ChatGPT: 54,91% homens / 45,09% mulheres
  • Perplexity: 56,78% homens / 43,22% mulheres

Mesmo assim, o ChatGPT apresenta uma distribuição de gênero mais equilibrada — e o estudo diz que ele já se tornou mais “mainstream”, com maior diversidade demográfica.

3. ChatGPT é mais mainstream; Perplexity é mais técnico

O relatório destaca uma diferença clara entre os públicos:

ChatGPT

  • Público mais diverso.
  • Maior equilíbrio demográfico.
  • Presença feminina mais forte.
  • Papel mais amplo: ferramenta de busca, assistente, apoio à compra, perguntas gerais.

Perplexity

  • Uso mais concentrado em usuários com perfis técnicos.
  • Público mais masculino.
  • Maior recorrência em consultas mais profundas.

ChatGPT já está enraizado na rotina digital brasileira; Perplexity atende nichos mais especializados.

4. Usuários de IA generativa continuam usando Google

O estudo afirma que esses usuários não abandonam o Google: eles combinam as ferramentas. Ou seja, formou-se um comportamento de busca híbrida:

  • Google → para buscas rápidas
  • ChatGPT / Perplexity → para buscas contextualizadas, detalhadas e “explicadas”

5. Baixa interseção entre usuários das duas plataformas

Um dado extremamente relevante:

  • Apenas 1,04% dos usuários do ChatGPT também usam Perplexity.
  • Mas 57,79% dos usuários do Perplexity também usam o ChatGPT.

Interpretação do estudo:

  • ChatGPT é a “porta de entrada” para IA Generativa.
  • Perplexity é complementar: usado por quem busca resultados mais técnicos ou mais estruturados.

Como fica a jornada de compra

O panorama apresentado pelo relatório Cadastra/SimilarWeb mostra que estamos em um momento de inflexão. A adoção de IA generativa e a sua integração como mecanismo de busca e canal de descoberta estão acelerando rapidamente — e o Brasil está entre os países de vanguarda.

Para marcas e varejistas, isso exige repensar:

  • A busca online (não mais apenas palavras-chave, mas prompts, contextos e conversações).
  • A visibilidade digital (não mais apenas ranqueamento de links, mas presença em fluxos de IA e conversação).
  • A jornada de compra (não mais apenas site > checkout, mas chat > sugestão > clique/checkout).
  • Os conteúdos e formatos (não apenas posts ou artigos, mas FAQs, comparativos, tabelas, respostas estruturadas para IA).
  • O tráfego digital (monitorar de onde vem — buscador tradicional ou chat-IA; e como converter).

Além disso, o contexto internacional reforça que essa transformação não é exclusiva do Brasil, e sim global, o que aumenta a necessidade de adaptação rápida para não ficar para trás.

Para as marcas que entenderem que a GenAI é um novo canal de busca, descoberta e conversão e que estruturarem suas estratégias em torno desse novo ecossistema, haverá vantagens. Já aquelas que insistirem no “velho SEO + ads” como única rota de visibilidade digital correm o risco de ver seu tráfego e relevância serem corroídos.

O que o GEO exige das marcas

Diante dessas transformações, o relatório destaca que as marcas precisam se antecipar e adotar práticas que vão além do SEO tradicional. Entra em cena o GEO (Generative Engine Optimization), um conjunto de estratégias para otimizar uma página ou site para os ambientes e features de IA Generativa (no caso, o LLM). O resultado é maior visibilidade em outputs gerados por IA, incluindo respostas em destaque e citação como fonte confiável.

Segundo o estudo:

  • A visibilidade em IA Generativa dependerá de densidade de menções, satisfação de prompts, presença em respostas de chats e integração em fluxos de conversa/interação.
  • Conteúdos devem estar estruturados: FAQs, listas, tabelas, comparativos, glossários, pois os LLMs favorecem formatos que podem responder diretamente.
  • Palavras-chave de longa cauda (keywords com CPC US$2-5) geram 32% de AI Overview, enquanto keywords acima de US$10 geram cerca de 17%. 
  • A própria Google Search Generative Experience (SGE) aparece como elemento híbrido: no relatório, 43% dos resultados de “AI Overview” apontam para o Google.

Em outras palavras, a nova equação de visibilidade digital inclui: conteúdo otimizado para IA (resposta direta), presença como fonte em chats/IA, estruturação de dados e resposta à lógica de prompts. Não basta “ter um bom ranqueamento de SEO”. É preciso aparecer nos fluxos de IA.

Isso gera desafios práticos para as marcas:

  • Redefinição de KPIs: menos foco em cliques vindos de buscadores tradicionais, mais foco em “ser citado” ou “ser referenciado” em IA.
  • Monitoramento de tráfego de referência vindo de chats de IA.
  • Produção de conteúdo com lógica de prompt: linguagem natural mais longa, contexto, conversação.
  • Integração entre times de marketing, conteúdo, IA e tecnologia para garantir que o “conteúdo respondível” por IA exista.

A adoção tardia do GEO pode significar perda de visibilidade para marcas que competem em mercados digitais já maduros. No Brasil, com o crescimento acelerado da IA Generativa, a vantagem de sair na frente com essa aplicação pode gerar mais oportunidades.

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