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TRANSFORMAÇÃO DIGITAL SEM TRAVAS

Integração entre TI e TA é motor do crescimento no Agronegócio

A tecnologia tem aberto caminhos para impulsionar a produtividade, a estratégia e o crescimento das empresas do setor.

Por Sergio Lozinsky 16/05/2026

Antes visto como um setor conservador na adoção de novas tecnologias, o agronegócio brasileiro tem se mostrado mais que disposto a fazer da TI uma ferramenta estratégica. As empresas do setor destinaram de 10% a 20% do seu orçamento de TI de 2026 para iniciativas de inovação, segundo a pesquisa “Antes da TI, a Estratégia”, realizada pelo IT Forum Inteligência.

Uma das evidências dessa busca por maturidade é a solidez de grupos de executivos como o UniAgro e o CIOs do Agro, que reúnem líderes para compartilhar experiências e conhecimentos acerca dos desafios e potenciais para a aplicação da tecnologia no campo. Porém, a maior prova de que o setor abandonou o conservadorismo tecnológico é que, salvo exceções, a TI deixou de ser vista como uma área operacional e passou a ser tratada como parte integral do core business.

O momento atual tem reforçado a convergência entre a TI (tecnologia da informação) e a TA (tecnologia agrícola). Enquanto a primeira se ocupa de sistemas de gestão e controle, a segunda é diretamente aplicada no campo, e nela vemos equipamentos cada vez mais sofisticados e autônomos. Graças a essa união, temos uma produção cada vez mais monitorada em tempo real, o que permite que sejam colhidos dados que vão apoiar decisões no plantio, na colheita, no processamento e em qualquer outra etapa da cadeia do setor.

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A logística, por exemplo, tem sido positivamente impactada por essa convergência. Por estar cada vez menos dependente de registros manuais, ela se torna mais confiável tanto quanto à gestão de estoques como à agilidade das entregas. Isso é especialmente valioso em um setor onde a perecibilidade dos produtos é grande e as janelas operacionais podem ser desafiadoras.

Proteção contra intempéries

A logística é apenas um dos ramos onde a TI tem se firmado como um diferencial. Evidentemente, a produção é um setor bastante impactado, com tecnologias que permitem desde o monitoramento dos grãos, do microclima e das condições do solo até o controle de pragas.

Essas tecnologias foram se tornando cada vez mais presentes no mercado nos últimos anos, e já encontram grande adesão no setor, ainda que cada empresa esteja em seu próprio grau de maturidade. O próximo grande desafio da TI para o agro é contornar os numerosos fatores imponderáveis que se colocam contra o negócio.

O agronegócio sempre teve que lidar com as variações climáticas, um fator difícil por si só, mas agravado pelas variações e mudanças que todos temos percebido de uns anos para cá, independentemente de acharmos se é devido ao aquecimento global ou outra causa. A isso se soma a questão geopolítica, que deve impactar desde o mercado de fertilizantes (como tem acontecido já no início do segundo trimestre de 2026) até a logística de distribuição da produção.

Será possível “decodificar” o imponderável de modo a enquadrá-lo em uma análise lógica, capaz de se antecipar aos riscos que o setor pode enfrentar? Essa é uma pergunta que a TI precisa se aventurar a responder para firmar-se em seu papel.

Há, por exemplo, a possibilidade de que o fenômeno El Niño seja especialmente agressivo neste ano, segundo a maior parte dos institutos de meteorologia brasileiros. A tecnologia pode ser usada, por exemplo, para simular cenários e encontrar novos caminhos a seguir, a partir das situações mais desfavoráveis que essa variação climática pode trazer.

Terreno fértil para uma governança melhor

Se a tecnologia pode ajudar a contornar cenários adversos criados por más práticas ambientais, ela pode ser ainda mais eficaz quando aplicada de modo a evitá-las.

O agronegócio é um setor de grande impacto social e com características muito específicas: suas áreas produtivas geralmente ficam longe das grandes cidades, ou mesmo de lugares com infraestrutura urbana mais desenvolvida. Emprega, em grande parte, uma mão-de-obra com nível médio de educação formal. Assim, proporcionar melhorias para as pessoas nesse cenário é possível, e é uma das missões da tecnologia.

Mas não somente isso.  A inteligência no uso do solo e no manejo dos recursos, o uso mais consciente do pasto para pecuária, os meios para evitar desperdício da produção – essas e outras tarefas são viáveis a partir de uma TI mais ativa e estratégica. Considerando que o setor ainda está em desenvolvimento, ele não está totalmente contaminado por vícios e resistências, e é por isso que a governança 5.0 é uma ideia que pode ter sucesso onde o ESG falhou, e se mostra especialmente promissora.

Além dos aspectos ambiental e social, a governança 5.0 também pode ajudar significativamente a direcionar os investimentos para que sejam melhor aproveitados, priorizando os problemas mais urgentes e encontrando caminhos para contornar as limitações, sejam elas estruturais ou financeiras, bem como pode garantir que a inteligência artificial seja empregada como uma aliada na tomada de decisões da operação e da estratégia.

Com uma governança adequada, é possível garantir que a tecnologia será usada para viabilizar observabilidade, rastreabilidade e produtividade, tudo dentro de uma mesma arquitetura inteligente e bem gerida. Como se sabe, é mais fácil fazer certo desde o início, criando uma cultura mais responsável e adequada, do que “consertar” o que se edificou de forma equivocada ou viciada.

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