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Com 95% da população no Pix e US$ 166 bilhões em vendas via cartão, o país consolida um modelo multirail que redefine inclusão, recorrência e B2B (Crédito: Agência Brasil)
TENDÊNCIAS

O futuro dos pagamentos no Brasil não é escolha. É integração

Pix supera cartões no e-commerce, parcelamento impulsiona receita, SMEs aceleram via bancos digitais e stablecoins ganham protagonismo cambial.

O Brasil é um dos mercados mais sofisticados entre as economias emergentes quando se trata de pagamentos. O Pix lidera em inclusão e conversão, os cartões dominam alto valor e parcelamento, o parcelamento impulsiona receita e ticket médio e a recorrência evolui com o Pix Automático e anual parcelado. As pequenas e médias empresas estão se digitalizando via bancos digitais e Pix. E as stablecoins se consolidam como instrumento financeiro relevante.

Esse é o cenário que emerge do relatório “Beyond Borders 2026 – The Local Pulse of Global Payments, do EBANX, mostrando um país que não escolheu entre cartão e pagamentos instantâneos, e sim pela integração de sistemas, adicionando novas camadas para tornar os pagamentos cada vez mais fluidos e sem fricção.

O estudo analisa como cartões, meios alternativos de pagamento (APMs), infraestrutura de conta a conta (A2A) e stablecoins estão redesenhando a experiência digital em regiões como América Latina, África e Sudeste Asiático. A análise destaca que os APMs deixaram de ser ferramentas de pagamento único para se tornarem infraestruturas completas de recorrência.

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No Brasil, o Pix consolidou-se como infraestrutura central da economia digital. Segundo o relatório:

  • 95% da população usa Pix
  • 35% dos adultos (60 milhões de pessoas) não têm cartão de crédito, mas podem transacionar via Pix.
  • Em 2025, o Pix superou os cartões de crédito como principal meio de pagamento no e-commerce brasileiro, capturando 42% das compras online, contra 41% dos cartões.
  • A projeção indica que o Pix deve representar 45% do e-commerce até o final do ano e alcançar 50% até 2028, com CAGR estimado de 18%.

Em outros mercados:

  • GCash (Filipinas): 95 milhões de usuários
  • Mercado Pago: mais de 60 milhões na América Latina
  • Nequi (Colômbia): 25 milhões
  • Yape (Peru): 18 milhões
  • OPay (Nigéria): 50 milhões.

 

Cartões continuam estratégicos, parcelamento é vantagem

Apesar da ascensão do Pix, os cartões seguem centrais no Brasil:

  • Cartões de crédito representam 40% das vendas online, o equivalente a US$ 166 bilhões.
  • Tanto cartões de crédito quanto de débito apresentam alta fidelidade: em diversos mercados analisados pelo EBANX, mais de 80% dos usuários utilizam exclusivamente cartões para compras online.

No entanto, o grande diferencial brasileiro está no parcelamento. O modelo de pagamento em parcelas continua sendo uma engrenagem fundamental da economia digital brasileira. Dados do relatório mostram que:

  • Oferecer parcelamento pode dobrar o ticket médio (AOV) no Brasil.
  • Varejistas que oferecem parcelamento registraram aumento médio de 20% na receita.
  • No setor de SaaS, o crescimento pode atingir 22,5%.
  • Um líder global do setor de games registrou 40% do TPV via parcelamento, chegando a 60% durante grandes lançamentos.
  • O parcelamento atraiu 17% de novos usuários mensais e reativou 25% de clientes inativos.

Além disso, em um cenário de desvalorização cambial de 20% frente ao dólar, o parcelamento ajudou a preservar o poder de compra e sustentar o crescimento. O relatório mostra que ignorar o parcelamento na América Latina, principalmente no Brasil, significa renunciar a parte substancial do mercado potencial.

 

Recorrência evolui: Pix Automático entra em cena

Lançado em julho de 2025, o Pix Automático representa a nova fase da infraestrutura instantânea brasileira. O relatório mostra que o modelo não canibaliza cartões, ele amplia a base de consumidores recorrentes. Isso acontece porque o modelo do Pix Automático é construído sob a lógica de defesa do consumidor:

  • Pagamentos devem ser agendados entre 2 e 10 dias antes do vencimento.
  • São permitidas no máximo três tentativas de cobrança em até sete dias.
  • O usuário pode cancelar autorizações diretamente pelo banco.

Apesar da curva inicial de aprendizado, os resultados já são expressivos:

  • A Hotmart registrou aumento de 32 pontos percentuais na retenção ao comparar Pix Automático com Pix manual.
  • A empresa converteu quatro vezes mais pagamentos antes “falhos” em assinaturas ativas.
  • 1 em cada 4 novos compradores de assinatura escolheu Pix Automático.
  • Uma empresa de streaming reportou proporção de novos usuários via Pix Automático três vezes maior que via cartão de crédito.

Em termos de recorrência no cartão, as empresas de assinatura no Brasil estão migrando de cobranças mensais recorrentes para planos anuais pagos em parcelas. A razão é operacional:

  • Até 26% do volume de cartões em transações recorrentes pode ser perdido por churn involuntário (cartões expirados, bloqueios, falta de limite).
  • Ao transformar 12 cobranças mensais em uma única aprovação anual parcelada, o risco de falha recorrente desaparece.

O desafio, porém, está no limite de crédito:

  • A média de limite em bancos digitais é de aproximadamente R$ 2.600 (cerca de US$ 500).
  • Um plano anual pode consumir parcela significativa desse limite.

Ainda assim, o modelo tem se mostrado eficiente para estabilizar o churn e melhorar a previsibilidade de receita.

 

Digitalização das PMEs: o efeito Pix nas empresas

O impacto do Pix no Brasil vai além do consumo e atinge também o B2B. Segundo o relatório do EBANX:

  • Transações Pix B2B mais que dobraram em valor em 2025.
  • Mais de 22 milhões de empresas realizaram transações via Pix em 2025, crescimento de 41% desde o início de 2024.
  • 40% das empresas mantêm conta exclusivamente em banco digital.
  • 4,6 milhões de pequenas empresas foram criadas em 2025.
  • A população formal de microempreendedores alcançou quase 17 milhões.

O Brasil mostra que a inclusão empresarial ocorre via múltiplos trilhos: Pix, boleto e cartões convivem.

 

Stablecoins: protagonismo brasileiro no cenário cripto

O Brasil é o principal mercado cripto da América Latina. Dados relevantes do relatório mostram que:

  • Mais de 90% do fluxo cripto no Brasil é composto por stablecoins.
  • O crescimento das stablecoins é puxado principalmente por pagamentos internacionais e compras no exterior, segundo o Banco Central (BC).
  • Stablecoins globais atingiram cerca de US$ 250 bilhões em circulação em meados de 2025, aproximando-se de US$ 300 bilhões no fim do ano.
  • Stablecoins movimentam entre US$ 20 e US$ 30 bilhões por dia globalmente.

No Brasil, a predominância de stablecoins reforça o uso como ferramenta de proteção cambial e instrumento para compras internacionais. Quando se olha para o ecossistema de pagamentos, fica claro que o futuro é híbrido, técnico e permeado por soluções locais, que atendem à demanda dos negócios brasileiros.

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