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O avanço da IA está transformando o papel do escritório físico, que passa a funcionar como espaço de colaboração, aprendizagem contínua e inovação nas empresas (Crédito: Freepik)
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A IA não acabou com o escritório – ela está redefinindo seu papel

Com a automação de tarefas pela IA, o escritório passa a ser cada vez mais um espaço para colaboração, desenvolvimento profissional e construção de relações de trabalho

Por Soraia Yoshida 16/03/2026

Aquela narrativa de que a IA e o trabalho remoto tornariam o escritório físico obsoleto está bem longe de se realizar. Seja por teimosia das empresas ou pela vontade de se conectar com outras pessoas, em média 55% do tempo de trabalho é realizado no escritório. Pelo menos 26% do tempo ocorre em outros locais profissionais, como coworkings, viagens e visitas a clientes ou “locais terceirizados” (cafés, bibliotecas et), e 18% do tempo trabalhado acontece em casa.

O relatório “Global Workplace Survey 2026”, do Gensler Research Institute, sugere que em vez de esvaziar os escritórios, a IA parece estar redefinindo o papel desses espaços, transformando-os em ambientes voltados à aprendizagem, colaboração e inovação. A pesquisa, que ouviu 16.459 trabalhadores de escritório em 16 países, mostra que a adoção crescente de ferramentas de IA está associada a grandes mudanças na forma como as pessoas trabalham e, principalmente, na forma como se relacionam no ambiente profissional.

Um dos dados mais reveladores: 30% dos trabalhadores já utilizam ferramentas de Inteligência Artificial regularmente tanto no trabalho quanto na vida pessoal, um grupo classificado pelo estudo como “AI power users”. Esse grupo funciona como um sinal antecipado de como o trabalho pode evoluir nos próximos anos. Ao contrário do que se imaginava, esses profissionais não trabalham mais isolados. Eles colaboram mais, aprendem mais e constroem relações profissionais mais fortes.

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A explicação sugerida pelo estudo é que a automação de tarefas repetitivas permite que os profissionais direcionem mais energia para atividades de maior valor, como colaboração, criatividade e aprendizagem. Além disso, usuários intensivos de IA são três vezes mais propensos a considerar suas empresas inovadoras, sugerindo uma ligação entre cultura tecnológica e percepção de inovação organizacional.

Entre esses trabalhadores

  • 85% dizem ter amizades significativas no trabalho
  • 86% afirmam confiar em suas equipes
  • 86% dizem gostar da companhia dos colegas

Esses índices são significativamente superiores aos observados entre trabalhadores que usam IA raramente. 

Nem tudo são flores. Os colaboradores deixam claro que não gostam do modelo de “mesas não designadas” (hot desking ou first come, first serve) que normalmente acompanham o aspecto híbrido do trabalho. Atualmente

  • 83% dos funcionários ainda possuem mesas fixas
  • 17% utilizam assentos não designados
  • Entre os que trabalham sem mesa fixa, 59% prefeririam ter um posto de trabalho permanente.

As principais reclamações incluem dificuldade para personalizar o espaço, tempo gasto organizando o posto de trabalho diariamente e incerteza sobre encontrar um lugar disponível. 

Outro problema recorrente é a escassez de salas de reunião. Mais de 60% dos trabalhadores afirmam que frequentemente fazem ligações ou reuniões em corredores, escadas ou em suas próprias mesas por falta de espaços adequados. Em alguns casos, reuniões chegam a ser canceladas simplesmente porque não há salas disponíveis.

A parte mais interessante da pesquisa surge quando se analisa o comportamento dos usuários intensivos de IA. Comparados aos trabalhadores que raramente usam IA, eles:

  • passam menos tempo trabalhando sozinhos
  • dedicam mais tempo ao aprendizado
  • socializam mais no ambiente de trabalho.

A forma como as pessoas trabalham também permanece relativamente estável

  • 39% trabalham sozinhos
  • 27% cem olaboração presencial
  • 13% contam com colaboração virtual
  • 10% é dedicado ao aprendizado ou desenvolvimento profissional
  • 10% vai para socialização

Segundo o relatório, essa estabilidade sugere que o modelo híbrido entrou em uma fase madura, com o escritório funcionando como centro de colaboração e aprendizagem.

 

O escritório do futuro será mais humano para influenciar aprendizado

Quando perguntados sobre como deveria ser o escritório ideal, os trabalhadores pedem mais tecnologia e mais bem-estar ao mesmo tempo. Entre os elementos mais desejados para o ambiente de trabalho do futuro estão:

  • Amenidades voltadas à saúde física e mental – 46%
  • Áreas externas e contato com a natureza – 43%
  • Espaços silenciosos para concentração – 40%
  • Áreas para treinamento e desenvolvimento profissional – 40%
  • Espaços de colaboração e cocriação – 34%

Além desses recursos, os trabalhadores também desejam ferramentas tecnológicas avançadas, como paredes digitais, realidade aumentada e sistemas inteligentes de automação predial. Mas o que eles buscam mesmo são experiências. Quando descrevem o ambiente ideal de trabalho, os profissionais dizem querer espaços que sejam:

  • produtivos – 50%
  • profissionais – 45%
  • criativos – 42%
  • inspiradores – 42%
  • energéticos e calmos ao mesmo tempo – 39%

Ou seja, o escritório do futuro precisa ser capaz de equilibrar alta performance e bem-estar humano. O estudo também identifica quais características físicas do ambiente de trabalho estão mais associadas a ambientes de aprendizagem eficazes. Entre os fatores mais relevantes estão:

  • qualidade estética e design do espaço
  • controle de ruído
  • flexibilidade para reorganizar móveis em salas de reunião
  • acesso a tecnologia moderna
  • espaços para descanso e recuperação
  • áreas para concentração profunda.

Esses elementos ajudam a criar o que o relatório chama de “learning-oriented workplace”, um espaço projetado para estimular aprendizado contínuo e inovação. Outro insight importante do relatório é a relação entre adoção de IA e aprendizado. Entre os usuários intensivos da tecnologia, 70% consideram o aprendizado crítico para seu desempenho profissional. Entre usuários tardios, esse número cai para 44%.

Esse grupo também apresenta níveis mais altos de colaboração e compartilhamento de conhecimento. Os profissionais que valorizam aprendizado também apresentam comportamentos distintos:

  • dedicam 12% da semana ao aprendizado, contra 7% entre os demais
  • 60% experimentam novas formas de trabalhar, contra 41% dos outros trabalhadores.

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