A COP 30 terminou sem o “Mapa do Caminho” no documento final, mesmo com a adesão de 80 países à proposta de incluir um roteiro para nos levar a um planeta sem combustíveis fósseis. Pesou a resistência dos grandes produtores de petróleo (liderados por Arábia Saudita, Rússia) e das economias ainda movidas a carvão (caso da Índia).
Mas, do outro lado da mesa, os consumidores globais dão um recado: preferem um mundo cujos veículos sejam movidos à eletricidade. A edição 2025 do “eReadiness 2025”, um relatório anual sobre mobilidade elétrica, produzido pela Strategy&, divisão de pesquisas da PwC, mostra que a frota de veículos elétricos não só avança rápido, como também a satisfação dos consumidores aumenta. O relatório foi publicado no final de setembro.
Foram entrevistados 18 mil consumidores de 28 países (incluindo o Brasil, que está na pesquisa desde 2024), mapeando a adoção de veículos elétricos entre proprietários, potenciais compradores e céticos. Os destaques:
O estudo da Strategy& mostra que, no Brasil, 77% querem comprar um EV nos próximos cinco anos, e nossa taxa de céticos é uma das mais baixas do planeta (17%).
O interesse se comprova nos dados monitorados pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) e organizados no dashboard A Geografia da Eletromobilidade: a frota de EVs no país já passa de meio milhão de veículos – 566.687, para sermos mais precisos, medidos até outubro de 2025. Até 2024, a frota vinha dobrando de tamanho ano a ano. Em 2025, a expectativa é de mais de 200 mil veículos emplacados, o que sinaliza um crescimento sobre 2024 de mais de 20%.
Segundo a PwC, questões importantes se impõem para o crescimento: custos operacionais mais baixos são o principal fator de compra para os potenciais clientes, mas o preço inicial ainda é a grande barreira. A renda familiar continua sendo um fator determinante: a média anual de renda dos proprietários é de US$ 120 mil, enquanto que a dos prospects está em US$ 100 mil e a dos céticos em US$ 65 mil.
O tempo de carregamento, a duração da bateria e a autonomia continuam preocupando. No Brasil, o ideal dos consumidores é uma autonomia de 370 km, por exemplo. Entre todos os países, o tempo ideal de carregamento da bateria varia de 22 a 36 minutos. O carregamento doméstico continua predominante (70 a 80% dependem de infraestrutura privada para uso diário). A ABVE aponta que os veículos elétricos plug-in se consolidam no Brasil como o principal fator de crescimento do mercado de eletrificados leves.
Isso leva a algumas conclusões óbvias: é fundamental a criação de redes públicas de carregamento e uma parceria público-privada de incentivos para que veículos elétricos mais acessíveis e básicos cheguem a uma parcela maior da população.
A PwC chama de “Índice de Prontidão Eletrônica” o nível de maturidade de cada país na transição para a mobilidade elétrica, medido a partir de quatro pontos: incentivos governamentais, infraestrutura, oferta e demanda. Ele diverge bastante entre regiões e países: enquanto Noruega, Singapura, Holanda, China e França lideram, com níveis que vão de 4,4 a 3,8 (de um máximo de 5), o Brasil tem índice 2,4 (era 2,8 em 2024).

É preciso ler os dados com “um grão de sal”, mas a mistura começa a dar sinais de um tempero equilibrado. O relatório “Electric Vehicle Outlook 2025”, da Bloomberg NEF traz um olhar encorpado sobre todos os componentes desse mercado, da demanda à produção, passando pelas novas tecnologias, baterias e incentivos governamentais. Veja alguns pontos:

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