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Foto: Olga DeLawrence no Unsplash
ECONOMIA DIGITAL

Chove dinheiro para os founders da Web3

US$ 33 bilhões foram investidos nos empreendimentos ligados a blockchain, DeFi, DAO e crypto em 2021. Novos fundos de VC continuam a surgir em 2022

Por Silvia Bassi 03/03/2022

NFT, DAO, DeFI, tokens, cripto… sua “disruptpedia” está em dia para 2022? É bom ficar, porque literalmente está chovendo dinheiro de investimento de risco para o movimento de descentralização da economia e das finanças, mais conhecido por Web3.

Tendo o Blockchain e os Smart Contracts como uma espécie de espinha dorsal, a descentralização está atraindo o interesse do Venture Capital rapidamente. Tão rápido que as listas de fundos dedicados às tecnologias da Web3, feitas no final de 2021, vão precisar se atualizar em tempo real.

  • Na terça-feira, 1° de março, a Electric Capital (que não estava na lista acima) anunciou dois fundos que somam US$ 1 bilhão para financiar startups da área.
  • No ano passado, dois tubarões — Andreessen Horowitz e Paradigm — apostaram corrida para ver quem montava o caixa mais gordo. O primeiro anunciou em junho um fundo de US$ 2,2 bilhões para Web3. Era o maior do mercado até fins de novembro, quando a Paradigm lançou seu fundo de US$ 2,5 bilhões.
  • O ano de 2021 terminou com US$ 33 bilhões em investimentos de risco em startups ligadas à economia crypto e às tecnologias descentralizadas, segundo levantamento da Galaxy Digital, que compila dados do PitchBook (gráfico abaixo).

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Os números do setor variam, dependendo do tipo de startups incluídas na soma, já que a Web3 tem vários pedacinhos para compor seu quebra-cabeças. Segundo o CB Insights, por exemplo, o montante investido em 2021 nas startups ligadas ao blockchain foi de US$ 25,2 bilhões, um crescimento de 713% sobre o ano anterior.

E 2022 vai esquentar mais, segundo o mesmo CB Insights, no relatório “The Blockchain 50, que acaba de sair. No relatório, os dados mostram a efervescência do setor: das 50 empresas, 31 já valem mais de US$ 1 bilhão (unicórnios) e juntas as 50 captaram mais de US$ 13 bilhões em funding em 2021.

Quando falamos do movimento Web3, há ainda um combinado de hype (o metaverso e tudo o que pode vir com ele, por exemplo), com a realidade do mercado financeiro atual abraçando a criptoeconomia, os smart contracts e as finanças descentralizadas. Um relatório da Chainalysis, publicado no ano passado, montou um Crypto Maturity Model para empresas do mercado financeiro, com quatro estágios de adoção, do “Open for Business” ao “Beyond Custody“.

Mesmo falando em bilhões de dólares e taxas de crescimento que variam de 7 a 10 vezes sobre o ano anterior, o setor de Web3 ainda parece pequeno: os US$ 33 bilhões são 5% do total de capital de risco investido em startups globais em 2021; menos de 10% da população global detém criptomoedas; e suas aplicações são usadas, por enquanto, por apenas alguns milhões de pessoas. Mas estamos com dois meses de 2022 e o montante investido em startups ligadas ao setor já supera os US$ 3,9 bilhões, revertidos para 196 startups, o que é maior que o maior dos recordes de 2021.

A onda Web3 vai crescer e deve assumir proporções tsunâmicas em ritmo exponencial, portanto é urgente entender as implicações do modelo que quer trocar as relações de negócios reguladas entre diferentes entidades e pessoas, por um ecossistema de aplicações descentralizadas rodando em blockchains públicas que transacionam bens digitais de toda espécie sem um regulador central.

2021 já é considerado um “pivotal moment“, ou ponto de virada, da Web3, tanto pelo volume de investimentos, quanto pela fecundidade do terreno para o nascimento de startups de todos os tipos. Pelo ritmo que vai hoje, em cinco anos a Web3 deve atingir 1 bilhão de pessoas, escreve Rahul Rai, Co-Head de Market-Neutral da BlockTower Capital, na Forbes. O número mágico que fez outras ondas disruptivas atingirem status de movimento de massa (mainstream), segundo a guru do cripto, Tasha, do TashaLabs.

Founders com outro modelo mental

A cabeça de empreendedores e empreendedoras da Web3 gira em um spin diferente, diz Morgan Beller, General Partner da firma de investimentos NFX. O mind set dos founders de Web3 é diferente do mind set que moveu os founders da Web1 e da Web2, explica. “Se queremos entender de verdade a Web3, precisamos entender os líderes por trás das tecnologias”, diz em um vídeo gravado esta semana (que você assiste abaixo), onde ela detalha as cinco competências mais importantes que encontrou, em comum, nas lideranças de sucesso desse segmento, depois de ter conversado com uma centena delas.

  1. Pensadores sistêmicos – “na Web2 o motto era “move fast and break things”. Na Web3, tudo precisa ser construído de forma deliberada, porque uma vez que o protocolo sai da caixa, é muito mais difícil consertar”.
  2. Líderes de comunidade – “Founders da Web3 estão o tempo todo em contato direto com seus clientes/usuários, conversando via Twitter, Discord etc. E as pessoas com quem falam se sentem parte do time, já que estão construindo o produto junto, praticamente”.
  3. Democráticos – “Open source, sistemas descentralizados… na Web3 não tem como ser um monarca gentil, como na Web2, que fala com bilhões de pessoas por email. As mudanças precisam ser aceitas e incorporadas pela comunidade”.
  4. Fazedores, não tomadores – “Na Web1 existia o conceito de ‘sua margem é minha oportunidade’, que a Amazon capitalizou melhor que todos. Na Web3 os founders entendem que as alianças são vitais para fazer o bolo crescer, e o  sucesso só vem se o bolo ficar grande”
  5. Unlearners – “Founders da Web3 são especialistas em desaprender e em entender o que da Web2 ainda se aplica no novo ecossistema e o que precisa ser deixado de lado”.

Confira o vídeo todo:

 

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