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O investidor britânico Robin Klein é um dos sócios do fundo de investimento de risco LocalGlobe, dedicado a startups em early-stage Crédito: Divulgação

STARTUPS

Quem deve salvar as startups da pandemia?

A crise colocou as empresas em uma posição precária, que afeta ainda mais as startups, mas há investidores como o britânico Robin Klein que são contra qualquer ajuda aos empreendedores

Não ajudem as startups. Isso é obrigação dos investidores“. Quem diz isso é Robin Klein, investidor serial pioneiro e um sócios do fundo de investimento de risco LocalGlobe, em Londres, dedicado a startups em early-stage. Klein, que tem 72 anos e trabalha com startups de tecnologia desde 1995, publicou um artigo no Sifted argumentando que está muito mais preocupado com empresas que estão perdendo receita, e funcionários que estão perdendo empregos no Reino Unido em função da pandemia.

De todas as ameaças da Covid-19, a ameaça às startups de early-stage deveria ser a última das preocupações“, escreve, referindo-se ao debate no Reino Unido sobre se as startups deveriam ou não ser elegíveis aos fundos de emergência criados pelo governo. O governo do Reino Unido está investindo 2,5 bilhões de libras por meio de fundos de fomento ao ecossistema de startups e empresas em crescimento (British Business Bank e British Patient Capital), portanto o foco tem que ser manter os créditos fiscais e os fundos, diz Klein.

Em nome do contexto, é importante dizer que Klein está focado nas startups early-stage, aquelas que muitas vezes só receberam capital-semente, porque há um dado histórico que precisa ser levado em conta: mesmo em tempos saudáveis, só 1/4 delas consegue avançar para estágios seguintes, por ter seu modelo de negócio provado. Seria subverter “a lei de Darwin do empreendedorismo”, colocar dinheiro bom em negócio ruim. “Os 27% das empresas que passam da semente para a Série A provavelmente são os menos propensos a buscar apoio do governo“, escreve.

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A discussão sobre o acesso ou não das startups aos fundos econômicos de emergência não se concentra só no Reino Unido. Nos Estados Unidos, a terra do Silicon Valley, a coisa está pegando. O Silicon Valley Bank, cuja maioria dos clientes são startups, está sendo criticado por demorar em receber os formulários de empreendedores em busca do dinheiro dos fundos CARES Act e PPP (Paycheck Protection Program) que destinam dinheiro para a sobrevivência de negócios não essenciais nos Estados Unidos.

O problema é que ainda há dúvida se as startups têm ou não direito aos bilhões de dólares destinados aos pequenos negócios dos EUA que geram empregos – 5,9 milhões de empresas (2016), segundo o Small Business Administration. Um artigo do The Protocol de hoje, mostra que o lobby para garantir que elas se aplicam é grande em Washington, mas mesmo com as mudanças para encaixar a categoria, os bancos ainda relutam em abrir a porta do cofre.

E vários fundos de investimento, ao contrário do que advoga o veterano Robin Klein, estão tratando de ajudar seus investidos a correr atrás desse dinheiro do governo como uma saída para que não tenham que mexer em suas próprias contas bancárias. Mas o artigo do Protocol toca em um ponto sensível: tem startup vendo almoço grátis onde não deveria. Um CEO de startup disse em off, para o Protocol, que há empresas que estão em busca do dinheiro sem precisar. “Deixem o dinheiro para quem precisa“, tuitou recentemente o investidor Josh Kopelman, da First Round, na mesma toada.

  • No Brasil, os investidores estão aconselhando suas investidas a apertar os cintos. A crise não vai poupar as startups brasileiras, isso é certo, e muitas já começam a demitir.
  • O presidente da ABStartups, Amure Pinho, publicou um “pitch” sobre a crise, incitando as startups a rever e questionar todas as premissas de negócios de 2019.
  • A Endeavor montou um “deck sobre a crise”, com insights das chamadas scale-ups (startups parrudas), que é atualizado diariamente com sugestões do que fazer, informações de quem está fazendo e o que está fazendo e as ações sociais que as startups estão montando para ajudar o país.

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