s
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Por uma IA que trabalhe melhor com o português

Centro de Inteligência Artificial da USP, em parceria com a Fapesp e a IBM, se prepara para liberar três conjuntos de dados open source para treinamento de modelos NLP no nosso idioma

As máquinas estão cada vez melhores em entender a complexidade da linguagem humana. Cada vez que alguém treina um modelo, estamos um passo mais perto de integrar nossas máquinas com mais eficiência em nossas vidas. Acontece que a maioria dos modelos e dos conjuntos de dados usados para treiná-los estão em inglês. Treinar um modelo em português, por exemplo, tem desafiado os cientistas de dados. Os  conjuntos de dados existentes são, em sua maioria, proprietários e os poucos abertos, listados no fórum do AI Lab, versam sobre domínios específicos como saúde e gestão do pessoal e projetos.

Foi tentando resolver esse problema que, no seu primeiro ano, completados este mês, o Centro de Inteligência Artificial (C4AI), parceria entre IBM, USP e Fapesp, investiu na construção de três conjuntos de dados a partir de pesquisas concentradas tanto na modalidade escrita, quanto falada do português.

  • Um deles, batizado de Carolina é composto pelo maior conjunto de dados sintáticos disponível no Brasil, contendo notícias, blogs, tuites, textos jurídicos, teses, interações e comentários de consumidores publicados na internet, e por aí vai, sempre que tornados públicos. Os dados seguem todas as normas de controle de privacidade da LGPD.
  • O outro, chamado CORAA, contém mais de 600 horas de gravações da língua portuguesa, de diversas regiões do Brasil, provenientes de quatro conjunto de dados pré-existentes, mas agora auditadas pelos alunos da universidade. A multidiversidade do conteúdo disponibilizado oferece, por exemplo, maior diversidade regional na criação de futuros aplicativos de conversação, respeitando sotaques, culturas e costumes locais. O objetivo é chegar a 1200 horas de gravações na próxima versão.
  • E o terceiro, o feto Carolina, contém informações sobre mais de 120 bilhões de palavras e termos em português, que estão sendo anotados e etiquetados por tipologia e origem, oferecendo um amplo leque de detalhes sobre sintaxe, semântica, morfologia.

"Vemos essas iniciativas como estruturantes para o mercado, uma vez que os data sets poderão ser usados livremente tanto por acadêmicos quanto por empresas", comenta Claudio Pinhanez, gerente de pesquisa em Inteligência Conversacional do IBM Research Brasil e vice-diretor do C4AI.

Este é um conteúdo exclusivo para assinantes.

Cadastre-se grátis para ler agora
e acesse 5 conteúdos por mês.

É assinante ou já tem senha? Faça login. Já recebe a newsletter? Ative seu acesso.

Adotar IA ficou simples. Sustentar operações inteligentes, não

Inteligência Artificial

Adotar IA ficou simples. Sustentar operações inteligentes, não

A ISO/IEC 42001 reconhece o que muitas empresas ainda ignoram: IA é sistema crítico de operação, não ferramenta de produtividade.

Por Jesse Fernandes *
A IA Visual entra na produção

Inteligência Artificial

A IA Visual entra na produção

O valor da IA Visual está mudando. O que começou criando imagens agora ajuda a construir produtos, softwares e modelos usados nos processos de engenharia e manufatura.

IA muda primeiro emprego; não como acreditávamos

Inteligência Artificial

IA muda primeiro emprego; não como acreditávamos

Empresas com IA integrada estão contratando mais profissionais juniores, enquanto as tarefas que formavam esses profissionais estão desaparecendo ao mesmo tempo.

De plataforma de design a ponto de encontro de criatividade e produtividade: a virada do Canva

Inteligência Artificial

De plataforma de design a ponto de encontro de criatividade e produtiv...

Com 5.000 funcionários em uma semana dedicada à IA e US$ 4 bilhões em receita, a empresa redefine o que significa colocar o cliente no centro

A corrida pela IA mudou de lógica. A aposta agora é na IA que se reinventa

Inteligência Artificial

A corrida pela IA mudou de lógica. A aposta agora é na IA que se rei...

O autoaperfeiçoamento recursivo avança dos laboratórios para a estratégia corporativa, com impacto sobre chips, infraestrutura e soberania computacional.

O Vale do Silício foi ao Vaticano. O Papa não cedeu.

Inteligência Artificial

O Vale do Silício foi ao Vaticano. O Papa não cedeu.

Por meses, representantes de Meta, Google, Amazon e OpenAI trabalharam para moldar a primeira encíclica sobre IA. O texto publicado em 25 de maio ignorou o argumento central que levaram.