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Manfred Clynes usou a expressão ciborgue para descrever um híbrido emergente das máquinas do homem e do próprio homem Crédito: Gerard Altman/Pixabay

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Em tecnologia, o hype de hoje vem do século passado

The Shift mergulha no tempo (e nos dicionários) para buscar a origem das coisas. Neste caso, de algumas palavras tão ligadas à tecnologia que parecem ter surgido ontem – só que não

Por Soraia Yoshida 22/08/2021

Quando Mark Zuckerberg anunciou que o Facebook iria se tornar uma “companhia metaverso”, muita gente achou que ele tinha acabado de inventar essa palavra. De lá para cá, metaverso foi ganhando uma dimensão maior. Assim como a palavra robô, que surgiu nos anos 1920, metaverso vem do século passado. Quer dizer que estamos voltando no tempo? Não, necessariamente. As palavras, assim como as ideias, evoluem, como você pode ver a seguir.

Algoritmo. Define um conjunto de instruções ou regras matemáticas que, se fornecidas a um computador, ajudarão a calcular a resposta para um problema. A palavra deriva do nome do matemático Muḥammad ibn Mūsā al-Khwārizmī, cuja identificação de origem (Khwarazm) foi latinizadao como Algoritmi, no século 9. O primeiro algoritmo de computador do mundo, escrito por Ada Lovelace, foi vendido em leilão por US$ 125 mil em 2018. Ada, que foi apresentada à sociedade inglesa como filha de Lord Byron em 1815, é lembrada hoje como a primeira programadora de computador do mundo.

Ciberespaço. Um domínio global dentro do ambiente de informação que consiste na rede interdependente de infraestruturas de sistemas de informação, incluindo a Internet, redes de telecomunicações, sistemas de computador e processadores e controladores incorporados. A definição do Pentágono veio 26 anos depois de ter aparecido pela primeira vez no livro “Neuromancer”, de William Gibson, publicado em 1982, como a criação de uma rede de computadores em um mundo repleto de seres artificialmente inteligentes. Gibson também criou o termo cyberpunk.

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Ciborgue. Define um “organismo cibernético”, que aprimora as capacidades humanas. Manfred Clynes usou a expressão para descrever um híbrido emergente das máquinas do homem e do próprio homem. A palavra, que combinava cibernética (então uma disciplina emergente) e controle e organismo, apareceu em um artigo chamado “Cyborgs and Space“, na edição de setembro de 1960 da revista Astronautics.

Metaverso. Palavra usada para descrever uma representação virtual da realidade implementada por meio de software de realidade virtual. O termo foi cunhado pelo escritor de ficção científica Neal Stephenson, em seu romance “Snow Crash, de 1992, que descreve um futuro distópico dominado pela tecnologia, e reimaginado como o oásis no romance de Ernest Cline “Ready Player One”. Sergey Brin, um dos cofundadores do Google, cita o livro como um dos que mais o influenciaram. E agora, o Facebook tem como projeto criar o metaverso. A futurista Cathy Hackl, porém, afirma que o metaverso não será definido por uma única companhia.

Moonshot. Embora originalmente a palavra significasse uma possibilidade muito remota, passou a ser usada para descrever um esforço monumental para alcançar um objetivo elevado. Em 1961, diante do Congresso dos EUA, o presidente John Kennedy disse que o país perseguiria o objetivo de ir ao espaço. “Nós escolhemos ir à Lua. Escolhemos ir à Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque sejam fáceis, mas porque são difíceis, porque esse objetivo servirá para organizar e medir o melhor de nossas energias e habilidades, porque esse desafio é um só que estamos dispostos a aceitar, que não queremos adiar e que pretendemos ganhar, e os outros também”. Em julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong entrou para a história como o primeiro homem a pisar na Lua. Por essa razão, o Google escolheu batizar seu mais ambicioso projeto originalmente como X Moonshot, rebatizado posteriormente de X.

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