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Deep techs criam novos negócios e produtos a partir de descobertas científicas Crédito: Shutterstock
INOVAÇÃO

Deep tech: a revolução está a caminho

Deep techs, ao contrário das startups convencionais, mira no que não está lá: elas criam novos negócios e produtos a partir de descobertas científicas

Por Silvia Bassi 21/01/2021

Onde a Ciência cruza com a tecnologia. Aí está o core das Deep Techs (Deep Technology), startups apoiadas em ciências da vida, engenharia, matemática, física e muita pesquisa. Uma deep tech, em oposição a startups convencionais, mira no que ainda não está lá. Enquanto o Uber, para dar um exemplo, parte de um produto e um setor conhecidos para inovar um modelo de negócio, uma deep tech avança para criar novos negócios e produtos a partir de descobertas científicas. Um terreno para empreendedores que preferem jalecos brancos a moletom com capuz.

Estamos falando de assuntos capazes de transformar a humanidade: computação quântica, biotecnologia, nanotecnologia, robótica, Inteligência Artificial, tecnologias aeroespaciais… Um relatório recém-lançado pela Sifted, em parceria com a Dealroom e apoiado pela Comissão Europeia, aponta 2021 como o ano das Deep Techs. Não por acaso. Uma das vacinas contra a Covid-19, gerada pelo consórcio Pfizer e BioNTech, ficou pronta em menos de um ano empregando a tecnologia de mRNA que, embora seja pesquisada há 30 anos, nunca tinha sido utilizada em uma vacina.

A definição de deep tech foi lançada em 2014 pela engenheira indiana Swati Chaturvedi, CEO e co-fundadora da plataforma de investimento anjo Propel(x). Em um artigo publicado em 2015, ela sinalizava a tendência que ganha mais relevância nessa década.

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Na semana passada, Swati voltou ao tema, por conta do assunto ter finalmente ganhado espaço no cenário acadêmico, a partir de um paper publicado pelos pesquisadores Joshua E. Siegel e Sriram Krishnan, no qual apontam que “as tecnologias emergentes podem tornar-se essenciais” e que deveriam ser olhadas com atenção pelas organizações “para tirar vantagem de uma nova onda de inovação, com ênfase no papel da Destruição Criativa (canibalização de linhas de produtos) para criar empresas sustentáveis“.

Se for olhar para números, como aponta a Sifted, estamos falando de um mercado que pode superar nesta década os US$ 17 trilhões de valor criados na Nasdaq pela evolução da tecnologia digital de 1980 a 2019. Mas como lembra Swati Chaturvedi, em seu artigo recente, é hora de olhar para além do “all things computing”. Deep tech não pode ser colocada no mesmo nicho da tecnologia da informação ou cair na vala comum das startups de tecnologia, e precisa atrair muito mais investimentos de risco para o que ela chama de “sleeper technologiesaquelas que aparentemente não vão mudar o mundo, até que mudam“.

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