s
As transações mais baratas e seguras do blockchain têm impacto mesmo em negócios em que não se imaginava seu uso Crédito: Pixabay

ALÉM DOS BLOCOS

Blockchain e tokens digitais: uma nova odisséia para os negócios

O blockchain, associado aos tokens digitais, gera registros únicos, confiáveis e baratos, que pode dar suporte a grandes transformações em todas as áreas de negócio

Quem não viu ainda a cena dos hominídeos no filme “2001: Uma Odisséia no Espaço” precisa fazer isso. Sério! Tenho uma visão artística desta cena (e acredito piamente que foi a intenção do autor) sobre o processo de descoberta da arma e da ferramenta, na verdade um grande pedaço de osso, que deu a uma das tribos a supremacia sobre as demais.

Foi um processo investigativo para transformar algo inútil e barato em algo funcional e disruptivo, exatamente como têm sido com todas as grandes invenções tecnológicas recentes. O poder computacional, por exemplo, outrora restrito a grandes laboratórios, deu origem aos computadores pessoais após sua extrema redução de custos. A banda de transmissão, por sua vez, ficou “larga” e assim nasceu a internet. 

Chegou a vez de transformar armazenamento de dados, que já custou US$ 193 mil por gigabyte (e agora custa algo como US$ 0,07) em algo realmente útil. E assim nasceu o blockchain, gerando registros únicos, confiáveis, imutáveis e baratos.

Receba grátis nossa newsletter

Claro que nem todo negócio precisa disso, mas certamente toda cadeia de negócios é impactada por alguma dessas entregáveis da nova tecnologia, sejam as transações mais baratas e rápidas, seja a abordagem de segurança e confiança que a rede oferece. 

Voltando à cena de “2001”, você vai ver que o hominídeo faz como todos nós historicamente fazemos: levantamos informações, analisamos dados, processamos resultados, testamos e, enfim, selecionamos o melhor e mais adequado uso de algo novo. Repetidamente.

Vamos fazer isso neste espaço, pois temos muito ainda a descobrir sobre este poderoso projeto de criptografia que vem transformando algo barato, como armazenamento, em algo valioso e que pode dar suporte a grandes transformações em todas as áreas de negócio.

Temos perguntas e provocações, teses e reflexões, exatamente como o personagem do filme, só que agora muito mais sapiens, apesar de ainda termos, como no grande clássico do cinema, um metafórico monolito misterioso à frente.

Blockchain e tokens digitais

Blockchain é uma tecnologia, mas sem outra, distinta, ela não teria grande significância: os tokens digitais. Para alguns, eles são somente uma aplicação em blockchain, mas prefiro pensar neles como sendo uma tecnologia complementar, especialmente quando buscamos abordar seu uso para as cadeias de negócios.  

Dessa forma, e excluindo os tokens e criptomoedas meramente especulativas ou com valor mobiliário desse texto (vamos deixar isso para outro momento), vejo o blockchain como um padrão tecnológico geral, mas os tokens digitais, por sua vez, como outra ferramenta e atuando com “aplicações específicas”.

Temos então uma arquitetura de transação sofisticada em segurança e execução ao mesmo tempo que relativamente simples para utilização (blockchain), mas que ainda assim carece de algo fundamental para qualquer projeto empresarial ou público, que é a realidade da fundamentação legal, econômica e operacional (os tokens). Como disse, são duas tecnologias distintas, porém, complementares.

Os casos em curso estão provando que tokens, como “ativos” de fato, são os que endereçam claramente viabilidade nos três aspectos citados. Além disso, eles estão confirmando o potencial disruptivo nas cadeias de negócios, apesar de terem uma curva de adoção lenta, como se espera de qualquer período de grandes transformações. 

É o caso do PAX Gold, token com lastro em ouro que possui reservas do metal auditadas e que foi lançada pela Paxos, uma empresa “cripto” que já está em captação Série D no mercado global de investimentos (além de fundos de private equity, o PayPal é um de seus investidores), e no Brasil, o CoffeCoin, o token digital para transações no mercado do café e cuja cooperativa mineira Minasul, uma das mais importantes do mundo, é a emissora

Os dois tokens do exemplo estão expostos aos seus ativos de referência, barras de ouro de 400 gramas no primeiro, sacas de 60 kg de café para exportação no segundo, mas possuem estrutura transacional simplificada e com ticket de investimento muito baixo, o que nos diz muito sobre o potencial de impacto nas suas respectivas cadeias de negócio.

O que os dois casos nos mostram é que, independentemente da área, os fundamentos precisam ser fortes e validados, algo que o mercado já começa a tentar entender e que estas linhas pretendem ajudar a fazer. No próximo texto, vamos falar das perguntas essenciais aos que buscam entender este mercado e seu admirável mundo novo. 

Mais Ricardo Azevedo