A IA ainda precisa provar o seu valor - e, se não o fizer, terá custado caro, sem pagar as suas próprias contas. Essa problemática dá força aos argumentos de que IA “poupa tempo” e “acelera processos”. Só que o aumento de produtividade não implica diretamente em valor gerado. Em outras palavras, a pergunta “quanto tempo você economiza?” é bem diferente de “o que você faz com esse tempo?”.
Segundo um estudo do Boston Consulting Group de 2026, 66% dos profissionais de linha de frente (e 61% do total de respondentes) afirmam que suas organizações oferecem orientação limitada ou nenhuma orientação sobre o que fazer com o “tempo liberado pela IA”. Esse índice é de 52% entre líderes, o que aponta para uma brecha de percepção ao longo da hierarquia: quanto mais alto o cargo, mais a pessoa acredita que a orientação é clara; quanto mais baixo, mais sente a ausência de direção.
Em outras palavras, mais da metade dos profissionais de linha de frente não reinveste o tempo economizado em trabalho de maior valor estratégico. Vale dizer que a pesquisa em questão, apropriadamente intitulada Strategy Matters More Than Tools (“a estratégia vale mais que as ferramentas”), ouviu 11.749 profissionais em 14 mercados globais – incluindo Brasil, Estados Unidos, Índia, Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Austrália, África do Sul e Oriente Médio. Não se trata de um universo de pesquisa pequeno – e é ainda mais relevante quando entendemos que foram ouvidos profissionais de linha de frente sem responsabilidades gerenciais, gestores de médio escalão e líderes seniores.
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