Não faz muito tempo, alertamos aqui sobre o fenômeno da Shadow AI. Agora, um novo estudo da Microsoft sobre tendências para o mercado de trabalho comprova que 78% dos usuários de IA na vida quotidiana estão estendendo esse uso a tarefas em seu local de trabalho. A chamada BYOAI (Bringing Your Own AI) é ainda maior entre funcionários de pequenas e médias empresas (80%).
As pessoas querem usar a IA no trabalho — e não vão esperar que as empresas invistam na tecnologia para fazê-lo.
Dos 75% dos trabalhadores do conhecimento que já utilizam IA no trabalho, 46% começaram a utilizá-la há menos de seis meses. E está valendo a pena. Essas pessoas afirmam que a IA ajuda a economizar tempo (90%), a se concentrar no trabalho mais importante (85%), a ampliar as oportunidades de emprego (79%) e a ser uma pessoa mais criativa (84%).
O relatório identifica quatro tipos de pessoas usuárias de IA, desde as céticas, que raramente usam a tecnologia, até as avançadas, que a utilizam extensivamente. Mais de 90% das usuárias avançadas afirmam que a IA torna sua carga de trabalho mais gerenciável e o seu trabalho mais agradável.

Infelizmente, apenas 39% das pessoas que usam IA no trabalho receberam treinamento para esse uso em suas empresas. E isso precisa mudar. A oportunidade que as lideranças têm pela frente é canalizar o entusiasmo dos funcionários pela IA para a transformação dos negócios.
Um dos impulsionadores dos colaboradores que utilizam ferramentas de IA no trabalho é a dificuldade em acompanhar o ritmo e o volume do seu trabalho, com 68% dos inquiridos reportando este desafio e 48% afirmando que se sentem esgotados.
Estudos de caso BYOAI mostram funcionários engajados que aplicam seus conhecimentos para aumentar a produtividade e acelerar a adoção da IA. Eles demonstraram rapidamente aplicações de alto ROI que pressionam as empresas a os acompanharem. Canalizar cuidadosamente a experimentação de baixo para cima pode promover uma agilidade vital no local de trabalho.
Mas atenção: embora a BYOAI tenha grandes vantagens em termos de capacitação e inovação, os empregadores devem ser cautelosos com as possíveis ameaças relacionadas com a IA paralela. Uma estratégia equilibrada inclui aceitar os aspectos benéficos da BYOAI e, ao mesmo tempo, abordar a conformidade, a segurança e a integração correta na estrutura organizacional. Analistas aconselham começar com uma política BYOAI que oriente o uso, mas também seja empática com os funcionários.
Não por acaso, 53% dos trabalhadores inquiridos afirmaram estar preocupados com o fato de a utilização da IA no trabalho para tarefas importantes “fazer com que pareçam substituíveis”, enquanto 52% afirmaram que estão relutantes em revelar que estão utilizando a IA no trabalho. Quarenta e cinco por cento dos trabalhadores disseram temer que a IA substitua os seus empregos.
Apesar do medo dos funcionários de serem substituídos pela IA Generativa, o estudo constatou que 66% das lideranças empresariais não contratariam uma pessoa sem habilidades relacionadas à IA. E 71% disseram que prefeririam contratar um funcionário menos experiente com habilidades de IA, em vez de um candidato mais experiente que não tivesse conhecimento de IA.
O estudo ouviu 31 mil trabalhadores do conhecimento em 31 mercados, incluindo o Brasil. Aqui, 83% já utilizam IA no trabalho, mesmo que suas empresas ainda não tenham adotado a tecnologia formalmente.
Relatório global da Capgemini mostra por que tecnologia não é mais o gargalo — e como a lentidão organizacional ameaça a competitividade.
A tecnologia amadureceu. Porém, organizações, processos e governança não acompanharam a velocidade da IA em escala.
A equação "IA + supervisão humana" redefine aprendizagem, reduz desigualdades e cria novo padrão de qualificação. A IA vira infraestrutura cognitiva, reconfigurando talento, ensino e competitividade.
Em 2026, o maior risco de IA pode ser o excesso de modelos e a ausência de integração. O contexto se perde. E o ROI também.
O desafio agora é manter neutralidade e valor estratégico em um ambiente que tende à manipulação invisível.
Relatórios da IBM e da Deloitte apontam na mesma direção: empresas só extraem valor de IA quando CDOs garantem governança, integração e métricas consistentes para os dados.
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