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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Empresas brasileiras estão mais conscientes sobre o uso responsável dos dados

Estudo da Logicalis aponta segurança de informação e adequação à LGPD como prioridades para mais da metade das empresas brasileiras nos próximos meses

Por Cristina Deluca 18/08/2021

A Inteligência Artificial (IA) está ajudando as empresas a aumentar o volume de leads, a taxa de fechamento e o desempenho geral de vendas. Não por acaso, para 57% dos 120 executivos da área de TI de empresas brasileiras participantes do estudo IT Snapshot 2021, da Logicalis, as áreas mais beneficiadas pelo uso de IA e Analytics são as relacionadas a desenvolvimento de negócios (vendas, vendas), seguidas pelas áreas de operações (36%), atendimento ao cliente (32%) e administrativo -financeiro (30%).

Para todos os segmentos econômicos, exceto governo, a área comercial se destaca no uso da IA, com maior relevância para varejo e manufatura, que também aponta a otimização da produção como outro grande benefício, junto com o agronegócio. Já governo e serviços são os que mais apostam em IA e Analytics para melhorar o atendimento ao cliente.

Em sua sétima edição, o estudo aponta ainda que a segurança da informação será o foco de investimento para 53% das empresas nos próximos 12 meses, seguida por adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD – (51%), Analytics e Big Data (37%), migração de aplicação para nuvem (22%) e IA e Machine Learning (19%).  Prioridades que indicam claramente que as empresas se tornaram mais orientadas a dados nos últimos anos, e mais maduras em relação à importância de temas como privacidade, governança e segurança de dados, próprios e de seus parceiros e clientes, para os negócios.

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Um bom exemplo vem do setor de telecom. As operadoras têm uma riqueza de dados com potencial enorme para ser monetizado. Lógico, devidamente anonimizados, mas ainda assim muito valiosos, quando agrupados. Elas são capazes de identificar hábitos de grupos sociodemográficos e usar essas informações não só para tomada de decisão como para monetizar essas informações. E para isso precisam construir confiança, para acelerar a troca responsável de dados entre seus clientes e parceiros.  E é nesse contexto que entram questões como privacidade e segurança.

A LGPD demanda um leque bem amplo de adequações em relação à proteção de dados. Muitas dessas adequações já estão impactando a infraestrutura tecnológica das empresas, para adequação de sistemas e processos para atender às novas regras. De acordo com a pesquisa, , a principal iniciativa de LGPD em curso é o mapeamento do ciclo de vida dos dados (59%), seguida pela redefinição dos processos de tratamento dos dados que circulam pela empresa (51%). Na terceira posição está a adequação dos websites e portais (47%).

Para se ter uma ideia de como essa preocupação é crescente, na edição anterior do estudo, de 2019, 41% dos participantes diziam ter conhecimento básico sobre privacidade e gestão dados. Nesta edição (2021), apenas 12% continuam no nível básico. Boa parte das empresas (42%) já tem iniciativas concretas para adequação à lei; 11% se dizem totalmente aderentes à lei. Já das outras 47% das empresas que ainda não têm ações em andamento para se adequarem, 35% estão buscando aumentar seu conhecimento sobre o tema, em conjunto com áreas jurídicas e administrativas.

As empresas estão cada vez mais conscientes dos riscos que correm. E o risco de destruição de reputação por conta de vazamentos e uso indevido de dados tem sido determinante. Mais até do que as sanções, segundo Bruna Travassos Rapente,  Security Advisory Manager na Logicalis Latam. “A gente está de fato percebendo uma mudança de mindset entre os nossos clientes sobre como seus dados estão sendo coletados, armazenados ou compartilhados”, diz ela. “Segurança e adequação à LGPD passaram a ser encaradas como prioridades estratégicas”.

E não, não é um olhar demasiado otimista. Ao contrário. Há muito trabalho a ser feito,  como apontam Bruna e Yassuki Takano, diretor de Consulting Services da Logicalis. Os dados se tornaram vitais para as operações e estratégias de negócios – ajudando a aprimorar a experiência do cliente, reduzindo riscos e informando a estratégia. Mas operando em um ambiente altamente regulamentado, a TI teve que estabelecer governança de dados, balanceando acesso e conformidade legal.   

Na opinião de ambos, a grande preocupação das empresas hoje é com a continuidade dos negócios. E como os negócios estão cada vez mais baseado no uso de dados, a preocupação com vazamentos de informações e com uso indevido de dados pessoais cresceu. A maioria dos executivos participante da pesquisa acredita que as empresas devem ter a capacidade de garantir a total segurança e privacidade de seus dados, mesmo que isso freie as demandas por mais acessos a dados.

“Estamos vendo mais a TI junto com o marketing e o jurídico buscando soluções para equilibrar interesses, para manter o negócio bem posicionado no mercado sem colocar em risco a reputação da empresa”, diz Bruna. “Claro, muitas dessas empresas começaram a olhar para dados pessoais a partir da preocupação com as sanções da LGPD. Principalmente, a multa. Mas quando elas começam a entender que o uso responsável de dados pessoais envolve muito mais que a multa, aí o trabalho de adequação à legislação começa a ficar muito mais interessante”.

Assim como na segurança, trabalhar de forma responsável com dados requer equilibrar segurança com conveniência. E isso passa inclusive por buscar soluções que diminuam o atrito, sem comprometer os controles necessários para o aumento da segurança e da confiabilidade. Grande parte da tecnologia necessária para permitir o consentimento e a confiança nos mercados de dados existe atualmente e é escalonável.

Embora nem todos os dados sejam gerados por um indivíduo identificável; portanto, nem todas as trocas de dados exijam permissões diretas (por exemplo, sensores de semáforo de propriedade do governo que compartilham o volume de tráfego com um desenvolvedor de varejo), a maioria das legislações que tratam da proteção de dados pessoais, além da própria LGPD, exige que se dê transparência aos processos de coleta e uso.

O jurídico e a segurança sempre foram vistos com os chatos, que atrapalham as coisas. Hoje já começam a ser vistos como aqueles que podem ajudar a equilibrar controle e liberdade. “A pesquisa mostra as empresas já estão mais dispostas a abrirem mão de alguma agilidade nos fluxos em troca de maior segurança e controle”, explica Yassuki Takano.

Inspirar confiança requer que o uso de dados seja limitado a propósitos permitidos e não seja usado para processamento não autorizado posterior. E a tecnologia pode ajudar muito nesse sentido. Como também pode auxiliar em questões como prevenção de perda de dados. Segundo Bruna, a primeira etapa do processo de adequação à LGPD sempre leva as empresas em investirem em ações estruturantes. E entre elas está a contratação de soluções DLP (Data Loss Prevention), por exemplo. “Claro, sozinho, DLP não resolve. Mas quando a gente combina com um projeto de classificação dos dados, antes, ele vai funcionar muito melhor”, diz Bruna.

“Um primeiro plano de adequação está relacionado a sanar as brechas encontradas nos processos e nas infraestruturas”, comenta Takano. “Talvez por isso 11% digam estar totalmente aderentes à lei, mesmo a gente não conhecendo toda a regulação e jurisprudência a respeito. O olhar é mais para o arrumar a casa. Um dos grandes desafios que a gente enxerga é a governança de dados. Qual dado eu preciso ter, para qual finalidade, por quanto tempo. O que a empresa faz com as informações que ela coleta, como ela guarda, como usa…”

A pandemia trouxe um agravante nesse sentido, que foi o trabalho remoto, que obrigou a revisão de processos. Tudo isso colocou uma camada extra de complexidade no processo de adequação.

A nuvem, por exemplo, é outra tecnologia que vem ganhando espaço. Até fevereiro de 2021, 24% das empresas tiveram realizado a migração da infraestrutura e aplicações para a nuvem, 28% estavam em estágio avançado e 25% apenas possuíam planos. Em relação às soluções mais adotadas pelas empresas na nuvem, é possível identificar diferentes níveis de migração: soluções de colaboração e de produtividade já foram migradas em um grande percentual (86% e 78%, respectivamente), infraestrutura e aplicações em SaaS têm, respectivamente , 50% e 47%, e outras aplicações e plataformas, como PaaS e serviços gerenciados, têm níveis de migração abaixo de 40%.

Nos próximos meses, outros serviços devem se destacar, como Disaster Recovery (DR) na nuvem, citado por 31% dos entrevistados e aplicações em SaaS (ERP, CRM etc), destacado por 20% dos executivos consultados.

A íntegra do estudo da Logicalis está disponível aqui.

“Observamos que a tecnologia vem ganhando importância cada vez maior no cotidiano das empresas e dos profissionais. Por isso, neste relatório, tentamos abranger alguns temas recentes para os executivos brasileiros, como LGPD e ferramentas para minimizar os impactos da COVID-19, e, assim, mostrar uma fotografia ampla da adoção de tecnologia nas empresas do país”, comenta Yassuki Takano , diretor de Consulting Services da Logicalis.

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