s
TENDÊNCIAS

Ciência, o novo motor da economia

O Nobel 2025 consagra um mundo onde a inovação da academia migra cada vez mais rápido para a economia real. Agora, ela é física, química e biológica — e cada molécula é um mercado em potencial.

Esta semana, o mundo testemunhou momentos simbólicos de convergência entre Ciência pura e ambição tecnológica: três prêmios Nobel foram anunciados, com uma mensagem em comum: Ciência e estratégia empresarial tornaram-se indissociáveis.

Na Física, John Clarke, Michel Devoret e John Martinis foram reconhecidos “pela descoberta do tunelamento quântico macroscópico e da quantização de energia em um circuito elétrico”. Seus experimentos com junções de Josephson, nos anos 1980, provaram que efeitos quânticos — antes restritos ao mundo invisível dos átomos — também podem ocorrer em circuitos do tamanho da palma da mão. Essa prova de conceito deu origem aos chips supercondutores que sustentam hoje a corrida pela computação e pelos sensores quânticos, tecnologias com potencial de revolucionar segurança de dados, metrologia e exploração espacial.
Como resumiu o físico brasileiro José Rafael Bordin: “Esse Nobel mostra que a física quântica saiu do mundo invisível e entrou no das tecnologias do dia a dia.”

Na Química, Omar Yaghi, Susumu Kitagawa e Richard Robson se destacaram por transformar a matéria em arquitetura programável. Seus metal-organic frameworks (MOFs) são estruturas cristalinas com cavidades que podem absorver, liberar e modificar moléculas específicas. São, literalmente, “bolsos gigantes” de escala molecular: alguns gramas de MOF-5 contêm uma área interna equivalente a um campo de futebol. O comitê do Nobel destacou seu potencial para capturar CO₂, gerar água no deserto, decompor gases tóxicos e purificar PFAS — aplicações que hoje avançam em pilotos industriais nas áreas de energia, semicondutores e sustentabilidade. Nas palavras do presidente do comitê, Heiner Linke, “essas construções oferecem oportunidades antes inimagináveis para criar materiais feitos sob medida com novas funções.”

Este é um conteúdo exclusivo para assinantes.

Cadastre-se grátis para ler agora
e acesse 5 conteúdos por mês.

É assinante ou já tem senha? Faça login. Já recebe a newsletter? Ative seu acesso.

Do caixa ao fluxo: por que 2026 marca o fim do organograma como resposta

Diversidade

Do caixa ao fluxo: por que 2026 marca o fim do organograma como respos...

Estudo da McKinsey mostra que a transformação é estrutural: vantagem competitiva virá do redesenho de fluxos, papéis e governança em um mundo de IA e choque geopolítico.

O futuro dos pagamentos no Brasil não é escolha. É integração

Tendências

O futuro dos pagamentos no Brasil não é escolha. É integração

Pix supera cartões no e-commerce, parcelamento impulsiona receita, SMEs aceleram via bancos digitais e stablecoins ganham protagonismo cambial.

A tecnologia acelerou, mas a base científica e humana está encolhendo

Inovação

A tecnologia acelerou, mas a base científica e humana está encolhend...

Enquanto IA, quântica e biotecnologia avançam, Stanford alerta para a erosão da ciência básica e do capital humano

Mais cobrança por resultados, menos preparo: a equação de risco das empresas em 2026

Tendências

Mais cobrança por resultados, menos preparo: a equação de risco das...

Estudos do GPTW, da Gartner e da Harvard Business Review indicam que exigir performance sem recalibrar suporte, cultura e capacitação cobra um preço alto

A crise silenciosa do trabalho: por que as empresas estão perdendo foco, não horas

Tendências

A crise silenciosa do trabalho: por que as empresas estão perdendo fo...

Dados globais indicam que apenas 2 a 3 horas do dia são realmente produtivas, enquanto o “trabalho sobre trabalho” e a fragmentação da agenda corroem a eficiência

O verdadeiro gargalo da inovação é a complexidade

Inovação

O verdadeiro gargalo da inovação é a complexidade

WIPO analisa 2.508 capacidades e mostra por que conectar ciência, tecnologia e mercado virou vantagem competitiva