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Estudos clínicos combinados com novas tecnologias podem disruptar o mercado nos próximos anos Crédito: Pixabay

HEALTHTECH

A revolução dos estudos clínicos

Novas tecnologias, como terapia genética, CRISPR e biologia sintética apoiam pesquisadores e empresas na busca pela solução para doenças como câncer e degeneração celular

Por Silvia Bassi 15/07/2021

Depois das vacinas contra Covid-19todos ficamos meio que "especialistas" em termos como ensaios e estudos clínicos, mRNA, grupos de teste etc. Os levantamentos mostram, por exemplo, que nesse momento há 399 estudos clínicos de medicamentos e terapias para combater o coronavírus no mundo, sendo nove deles no Brasil, envolvendo mais de 100 centros de pesquisa locais.

Novas tecnologias, como terapia genética, CRISPR, biologia sintética e inteligência artificial apoiam pesquisadores e empresas do ramo que estão mirando na solução de outras doenças que nos afligem, como câncer, Huntington e degeneração celular. As tecnologias ajudam as empresas a acelerar o desenvolvimento dos remédios e vacinas, mas uma etapa extremamente importante, a dos estudos clínicos, começa a ganhar o mesmo boost por conta das novas tecnologias que aí se expandem para recrutamento em redes sociais, dispositivos digitais vestíveis, monitoramento remoto com IoT e até visitas virtuais às clínicas.

Um levantamento publicado pelo CBInsights, por exemplo, aponta que o futuro acelerado dos estudos clínicos poderá tornar as drogas e vacinas mais baratas, mais efetivas e mais rápidas num futuro próximo. Estamos falando de um mercado que movimenta US$ 52 bilhões anualmente, cujo resultado pode ser afetado negativamente pela falta de pacientes humanos para compor grupos de testes. Cerca de 80% dos estudos clínicos perdem seus prazos por não conseguirem reunir o grupo de voluntários correto e 1/3 dos estudos em Fase 3 são encerrados pelo mesmo motivo, aponta o levantamento.

  • Como tornar os estudos clínicos digitais? Esse é o core de um artigo publicado na revista Nature, que detalha o potencial disruptor das tecnologias digitais nessa área. Um “estudo clínico digital” envolve o uso de tecnologias digitais em diferentes etapas, desde encontrar e recrutar os pacientes certos, utilizar dispositivos digitais para acompanhar a evolução dos grupos, até algoritmos para tornar mais eficientes as escolhas cegas e intervenções aleatórias.
  • E como as novas tecnologias podem afetar a vida dos pacientes que fazem parte dos estudos clínicos? O cenário para 2030 foi desenhado pela National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine, nos Estados Unidos, em uma série de quatro discussões importantes que abordaram, entre outras coisas, o desenvolvimento de estudos clínicos mais inclusivos que, como ponto de partida, reconheçam que há um racismo sistêmico na área que pode ser eliminado utilizando as estratéticas corretas.
  • O site BiopharmaDive fez um levantamento de 8 estudos clínicos em estado avançado que vale a pena ficar de olho. Entre eles está o tratamento antiviral da Merck contra a Covid-19, em parceria com a Ridgeback Biotherapeutics, que pode colocar a companhia no papel de protagonista na briga contra o coronavírus.
  • A lista também inclui investidas complexas usando CRISPR contra doenças genéticas, como a que a Intellia Therapeutics, que tem como cofundadora Jennifer Doudna, ganhadora do Nobel de Química em 2020, está fazendo para combater uma doença rara e mortal chamada transtirretina amiloidose que ataca o coração e o sistema nervoso.
  • O que aprendemos sobre o uso de wearables como apoio ao diagnóstico médico?
  • O futuro dos estudos clínicos passa também pelo uso de tecnologias imersivas, aponta a Accenture.

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