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Créditos: (Divulgação/i.Systems)
ENTREVISTA

A indústria como aliada de um mundo mais eficiente

Especialista na aplicação de inteligência artificial para indústria, a startup i.Systems ajusta os processos industriais para conseguir resultados mais certeiros, sustentáveis e eficientes, como conta o CEO Igor Santiago

A fábrica da Coca-Cola de Jundiaí, no interior de São Paulo, tinha um desafio: colocar 2 litros de refrigerante em uma garrafa. Os produtos sempre saíam da indústria com 5 ml a mais. Pode parecer pouco, mas de excesso em excesso, o desperdício era gigantesco. O problema só foi resolvido em 2010, quando a indtech i.Systems instalou o Leaf na indústria. Ao ajustar o envase, a plataforma com Inteligência Artificial (IA) para controle avançado de processos gerou uma economia anual de meio milhão de litros de Coca-Cola e 100 mil garrafas PET para a companhia.

O case foi um sucesso e olha que essa foi a primeira vez que a startup estava colocando seu produto à prova. Durante 4 anos, a solução foi construída sem um ambiente teste por um grupo de engenheiros formados pela Unicamp, que queria resolver os problemas da indústria com o uso de inteligência artificial. “A ideia da empresa surgiu em 2006, durante o curso de empreendedorismo que fiz na Unicamp. Em 2007, o gerente da fábrica da Coca-Cola me explicou o problema. Em 2010, eu resolvi”, conta o CEO e cofundador da startup, Igor Santiago, em entrevista exclusiva para a The Shift. O time fundador ainda é composto por Danilo Halla e Ronaldo Antônio da Silva.

A empresa é um exemplo de como uma boa dose de coragem e ingenuidade cai bem: os fundadores da intech nunca tinham pisado em uma indústria, portanto, não tinham ideia do tamanho do desafio que teriam que enfrentar. O mais importante era usar a IA para trazer eficiência para o mundo, o segmento industrial surgiu como uma forma de maximizar os impactos. Os indicadores da i.Systems mostram que a meta foi atingida: a eficiência anual gerada pelo Leaf em 38 clientes permitiria fornecer energia para uma cidade de 135 mil habitantes. No prazo de um ano, segundo dados de dezembro de 2021, a solução reduziu em 28 mil toneladas a emissão de CO2 na atmosfera, o equivalente a mais de 4 mil árvores.

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Já que a missão é tornar o mundo mais eficiente ao reinventar a indústria, a startup quer ser uma empresa global. A grande meta é se tornar um One Stop Shop de IA para a indústria e a maior empresa de inteligência artificial industrial do planeta. No processo de ganhar o mercado internacional, a indtech tem protegido suas soluções. O Leaf já foi patenteado em 5 países (EUA, Austrália, França, Alemanha e China) e está com pedidos de patente em aberto em outras 4 nações: Brasil, México, Índia e Canadá.

Nascida com um posicionamento para reduzir os custos das indústrias, a empresa evoluiu e ganhou mais força com as tendências da Indústria 4.0 e ESG. Mais eficiência também significa mais sustentabilidade. Santiago acredita que a i.Systems entrou no mercado antes do setor estar pronto para as soluções, mas o pulo do gato para manter a empresa viva foi o benefício que as soluções traziam para as empresas. Era algo tão óbvio que fazia sentido comprar.

Desde a primeira instalação na Coca-Cola, em 2010, a indtech colocou no seu currículo empresas como AB InBev, Bunge, Nestlé e Cargill. Atualmente, a startup atende mais de 50 grupos empresariais no país. A ideia é aproveitar a relação com grandes companhias internacionais para ganhar espaço em outros países — em 2024, a i.Systerms quer ter uma operação nos EUA que também atenda o México. Além de oferecer cursos de inglês para os funcionários, parte dos sócios está aprendendo mandarim para, em até uma década, fazer negócios com os chineses. “Para ser a maior do mundo, qualquer empresa industrial tem que ter uma posição relevante na China”, explica o CEO.

Nessa entrevista exclusiva, o CEO e cofundador da startup, Igor Santiago, conta o caminho da i.Systems para reinventar a indústria, analisa o ecossistema brasileiro de indtechs e relata os benefícios da indústria 4.0.

Disrupção é…

Uma inovação que vai além de uma melhoria e tem impacto transformador em diversas áreas, dentro e fora das empresas. Nosso objetivo é mudar o paradigma através de tecnologias para um mundo mais eficiente. Sabemos que tornar o mundo mais eficiente passa pelo desafio de reinventar a indústria, habilitando novas plataformas que simplifiquem a forma como pessoas, dados e processos se relacionam, tornando toda a cadeia de consumo mais inteligente.

Eu sempre quis ser cientista. Nunca imaginei ser empreendedor. Entrei na universidade para construir uma nova forma de gerar energia elétrica, mas descobri que a minha ideia era fisicamente impossível. Eu queria construir um Moto-perpétuo.

Descobri que minha vocação não era ser cientista mesmo. Durante o curso, por volta de 2003 e 2004, conheci a Inteligência Artificial (IA) e me apaixonei por esse negócio. Vejo a IA como uma forma de dar criatividade às máquinas. Elas não fazem só o que mandamos, mas conseguem descobrir coisas legais e nos ajudar. Fiquei bem empolgado com isso.

Calhou de eu trabalhar no mesmo departamento dos meus futuros sócios, no Instituto Eldorado, em Campinas [interior de São Paulo]. Já tínhamos estudado juntos e aprofundamos a amizade. Provoquei o pessoal para abrirmos uma empresa de IA. Pesquisando o que ia ser feito, vimos que a indústria tinha bastante oportunidade e espaço para inovação. Mas, até então, nenhum de nós tinha pisado em uma indústria.

Outro ponto que também nos levou para indústria foi o fato dela ser a atividade humana que mais consome recursos. Pensamos que se fosse possível otimizar essa atividade, nosso impacto seria maximizado.

Éramos ingênuos e não fazíamos a mínima ideia do que tínhamos pela frente. Empreender é isso, não saber o que está fazendo, mas fazer.

Nós nos desafiamos a fazer o melhor sistema de eficiência de equipamentos industriais que existe e sem recurso nenhum. Foi uma prova de resiliência absurda porque a maioria dos produtos dá para se testar. Só que um produto que controla equipamento industrial não dá para ser testado porque ninguém vai deixar a sua máquina de R$ 100 milhões ser controlada por uma galera que acabou de se formar na faculdade.

Foram quatro anos de desenvolvimento do Leaf sem um ambiente teste e sem validação de cliente. Um corajoso da Coca-Cola falou que tinha um problema de envase. A fábrica não conseguia colocar dois litros de refrigerante em uma garrafa de dois litros. A garrafa sempre saia com um errinho de 5 ml.

Aplicamos nosso sistema de controle, que analisa vários pontos de sensoriamento e toma uma decisão uma vez por segundo para a máquina acertar esse envase. O que a gente conseguiu? Primeiro, reduzimos os excesso de 5 ml para 1 ml. A garrafa poderia sair sem excesso, mas o gestor não queria porque isso poderia fazer com que algumas garrafas ficassem com menos de 2 litros. Esse foi o nosso primeiro case.

O produto funcionou de primeira depois de quatro anos de trabalho. Foi quase uma obra de arte.

A gente desenvolveu o Leaf de uma maneira análoga ao Excel. No Excel, dá para fazer basicamente o que você quiser, desde uma planilha para o churrasco até um planejamento de longo prazo da empresa. São aplicações únicas e completamente diferentes do ponto de complexidade e de valor. Nosso software é igual. O Leaf foi desenvolvido para sempre ser o mesmo do ponto de vista do software, mas ser configurável a depender da aplicação.

Todos os nossos clientes têm o mesmo software, mas cada um tem uma configuração. O objetivo do Leaf é controlar um conjunto de processos. Essa parte de manufatura e automobilística é mais robótica. Isso não é praia para o Leaf. Agora, em papel e celulose, mineração e bens de consumo conseguimos gerar bastante valor para os clientes. A nossa aplicação foca principalmente em processos que têm líquido, gás ou pó.

Depois da Coca-Cola, fomos crescendo. Instalamos na Rhodia, uma empresa química internacional, depois fomos para usinas porque a gente não queria fazer um negócio só para envase.

O que a gente conserta é um problema de controle de processos industriais. Conseguimos deixar temperatura, pressão e vazão o mais bonitinho possível porque aí o processo consome menos energia e gera menos desperdício. Esse foi o problema técnico que a gente resolveu, mas desde o começo da programação do software existia essa ideia de aplicação específica da Coca-Cola.

Por um período, ficamos muito focados no Leaf. Depois veio o Flowe, que foi uma parceria nossa com a Ambev. Basicamente, recebi um desafio porque um diretor perguntou se a gente só ia fazer o Leaf. Eu falei que não, já que a gente é startup. Essa solução deixa as linhas de produção mais eficientes.

Nos últimos 2 anos, a gente resolveu dar uma investida maior no portfólio. Desenvolvemos dois produtos: um atua no planejamento de produção — o desafio é que muitas fábricas têm diversos tipos de produtos a serem produzidos.

Pensando em cerveja, há 15 anos, era Brahma, Skol, Antártica e acabou. Hoje, a Ambev deve ter uns mil produtos diferentes. Então, é um super desafio decidir o que produzir, em qual quantidade e em qual momento. O Aster é para resolver isso.

A gente também desenvolveu outro produto, o Cálix, que nossos investidores chamam de bola de cristal. Com ele, conseguimos antecipar o que os clientes dos nossos clientes vão precisar. Pensando em uma empresa de bens de consumo, descobrimos o que os varejistas vão comprar.

A gente prevê isso com um, três, seis ou até 12 meses de antecedência. Isso é muito importante porque produzir algo que o cliente não precisa naquele tempo gera estoque. Se o produto é perecível, parte desse estoque ainda é descartado porque passa do prazo de validade.

Temos um impacto bem interessante tanto do ponto de vista financeiro das empresas, quanto do ponto de vista de rentabilidade. Deixar uma parte da produção vencer é o cúmulo do desperdício de tempo e energia.

O nosso grande sonho é ser a maior empresa de inteligência artificial para indústria do mundo e, consequente, nos tornarmos o One Stop Shop para a indústria do ponto de vista de IA. Nosso objetivo não é ser único, mas sim trabalhar com vários parceiros.

Algo desafiador é que é preciso conhecer a indústria para resolver seus desafios, mas ela não está nos grandes centros. Quando pensamos na combinação de talentos e grandes problemas, os talentos têm desafios muito mais simples e próximos. A maioria deles vai trabalhar com fintech, algo que está dentro ou perto dos grandes centros.

Já os desafios de outros segmentos, como indústria ou agronegócio, demandam contato e esses setores estão fora dos grandes centros. Com isso, poucos talentos acabam se interessando em resolver esses problemas e o número de empresas que surgem é significativamente menor. Isso é um desafio global. Se a gente olhar para os Estados Unidos, o número de startups industriais é infinitamente menor do que o resto.

Nós escolhemos esse segmento porque, além de termos conhecimento de inteligência artificial, nosso objetivo sempre foi fazer algo que gerasse muito impacto para o mundo. Deliberadamente escolhemos a indústria, com a qual não tínhamos contato, o que foi super desafiador. É muito raro o empreendedor ter o nosso nível de condição e escolher isso. Geralmente, ele vai escolher algo que seja mais fácil e com um sucesso mais provável.

A primeira instalação foi no segundo semestre de 2010. Em 2011, conseguimos os primeiros clientes e, no ano seguinte, equilibramos a empresa. Até 2016, o pessoal via a solução puramente como algo voltado para a redução de custo. Então, veio a onda da indústria 4.0 e os gestores começaram a entender que sem tecnologia as empresas iam ficar para trás. Começou a surgir um viés de investimento tecnológico e passamos a ter mais visibilidade entre os clientes.

Um dos pontos que atrasam esse segmento no mundo todo é que as maiores companhias do mundo propõem um pacote de indústria 4.0. Elas dizem ‘invista US$ 100 milhões e sua fábrica vai virar uma fábrica 4.0’. Esse número é exorbitante em qualquer lugar do planeta.

Com isso criou-se uma situação em que ou se paga um valor exorbitante e vira 4.0 ou a gente não tem um case. Sem case, o cliente não tem vontade de pagar porque não vê o sucesso.

Essa evolução está andando mais devagar do que deveria, no mundo todo, por causa da política das grandes empresas. O que está destravando isso são as startups. Aumentou muito o interesse pelas soluções e poucas companhias estão dispostas a pagar o que as grandes organizações estão pedindo, apesar de saberem que é necessário. O movimento abriu uma demanda para testes, pilotos e experimentação, o que permitiu o crescimento de várias startups, inclusive a nossa. Esse é um fator global.

Já o Brasil vem em um histórico de desindustrialização, o que é uma pena porque um fator importante de uma economia moderna é a indústria. Nosso país ainda não chegou em uma renda per capita para virar uma sociedade exclusivamente de serviços.

O Brasil tem uma oportunidade para ficar bom e forte. É preciso escolher algumas batalhas porque não é em todas as indústrias que o país vai ser globalmente competitivo, mas em algumas a gente tem que escolher ser o melhor. Nessas cadeias, é necessário adensar tecnologicamente.

Um exemplo é o agronegócio. Em muitos pontos a gente exporta os produtos in natura. Tem até um caso curioso: exportamos café in natura para a Europa e importamos café em cápsula de lá. É preciso desenvolver tecnologia aqui no país para adentrar a cadeia e ir até a ponta gerando valor.

Em alguns aspectos, o Brasil está muito na frente. O etanol e o E2G, da Raízen, são pontos que o país está liderando em uma economia ultra verde. Agora, em outras outras áreas, o Brasil tem uma distância tecnológica significativa para os países líderes e suprir esse gap vai ser muito desafiador.

Estamos em um período de bastante modificação na indústria. Eu era pequeno, mas vi como a abertura do mercado brasileiro em 1990, deu uma chacoalhada na indústria brasileira. A indústria 4.0 tem uma oportunidade de ter um efeito parecido. Podemos ter grandes ganhos de produtividade e algumas indústrias vão passar por momentos bem desafiadores porque seus concorrentes internacionais vão ficar ainda mais competitivos.

É um momento muito importante para a gente conseguir posicionar o Brasil bem na indústria global.

Uma parte que me surpreendeu muito positivamente foi o posicionamento do Governo Federal nos últimos anos. Ele tem apoiado muito a Indústria 4.0 e focado em trazer o que é possível da Indústria 4.0 para as empresas pequenas e médias porque as grandes já têm acesso. Isso é algo bem positivo que o Brasil tem feito. Além disso, o time da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) tem feito um trabalho com as startups especificamente.

A Indústria 4.0 funciona também como um catalisador da possibilidade de existir startups industriais. Percebemos um aumento muito grande desde 2016. Agora, existem algumas dezenas de indtechs. Ainda são uma pequena fatia das milhares de startups mapeadas no Brasil, mas é um começo interessante.

Um outro efeito legal das tendências de Indústria 4.0 e ESG é o surgimento de vários Corporate Venture Capitals (CVCs) industriais. Isso é muito bom para startups industriais. Como normalmente atuamos no B2B, em uma área densa em tecnologia, as indtechs nunca foram a escolha óbvia do Venture Capital. Já as indústrias têm conhecimento específico do problema, conseguem avaliar muito melhor tecnicamente a startup e têm capital para investir. Esse ciclo começou a ficar mais intenso há cerca de dois anos.

A junção da tendência do ESG com o CVC industrial pode gerar um boom de startups de produtividade e inovação nos próximos três a quatro anos no Brasil.

Na maioria dos casos, o pessoal acaba olhando para o lugar errado. Estão olhando muito para o 5G, que tem pouco impacto porque a indústria já é coberta por Wi-Fi, que é uma rede rápida.

O que tem muito impacto? O processamento em nuvem. A prioridade das indústrias brasileiras deveria ser disponibilizar seus dados de uma maneira segura na nuvem. A maioria das indústrias brasileiras, independente do porte, não tem conectividade ou tem baixa conectividade com a nuvem. Isso deixa a gente para trás.

A cloud é o pilar básico necessário para abrir uma frente de trabalho avançado. Isso é acessível para qualquer porte de indústria, mesmo uma microcervejaria consegue disponibilizar dados na internet e na nuvem para se aproveitar do processamento e inteligência artificial. Esse é o grande salto. Devemos medir o quanto as nossas fábricas estão no nível de maturidade baixo, médio ou alto de acesso à nuvem.

Tudo depende dessa conectividade. O que ocorre é que as fábricas mais novas tendem a vir mais preparadas para serem conectadas à cloud. A diferença é que, para fábricas que já têm mais idade, o impacto de produtividade é maior e justifica o investimento. De certa forma, é até um atrativo disponibilizar plantas mais tradicionais na cloud para ter processamento em nuvem porque os retornos financeiros adiam o investimento em equipamentos novos ou em uma fábrica nova. É possível ganhar mais tempo de vida naquele ativo que a empresa já investiu e amortizou.

A IA é uma das tecnologias mais promissoras para alavancar esse modelo de indústria 4.0. A inteligência artificial pode ajudar as indústrias a produzirem consumindo menos energia e com menor desperdício. Essa tecnologia pode ajudar as indústrias a terem um planejamento produtivo melhor, serem mais eficientes do ponto de vista de tempo e mais seguras.

Isso gera processos com menos acidentes e oferece uma maior qualidade de vida para as pessoas. O uso de inteligência artificial também faz com que os produtos tenham um custo unitário mais baixo, ou seja, sejam mais competitivos e mais sustentáveis. Muitas portas são abertas. Só que a IA está muito vinculada à possibilidade da nuvem.

Como a gente desenvolveu nossos produtos antes da nuvem, conseguimos instalar as nossas soluções de controle e equipamentos no cliente. Mas nossa empresa é a exceção. A maioria das companhias de Indústria 4.0 já nasce 100% cloud e sem a conectividade com a nuvem essas empresas não têm acesso. A gente conseguiu crescer na indústria brasileira antes desse movimento por ter esse modelo híbrido, mas isso está ficando cada vez mais raro.

É uma raridade uma empresa entrar no mercado antes do seu momento, crescer e, depois de cinco anos, conseguir deslanchar.

A maioria das empresas que tentam fazer isso morrem. A i.Systems só não morreu porque planejamos nosso modelo de negócio para dar um benefício óbvio. Se a gente desliga, instantaneamente, o cliente começa a gastar mais. Essa obviedade simplificou a existência da empresa.

A gente trabalhava em um sistema de redução de custo porque entramos muito antes do que deveríamos no mercado. Agora que nosso serviço passou a ser um investimento estratégico para o futuro da empresa e não só mais uma escolha de redução de custo, a gente está conseguindo deslanchar todo o nosso potencial.

A i.Systems tinha um modelo tradicional de venda de licença permanente. Em 2018, mudamos o modelo de negócio para SaaS. Aquela época foi um momento em que as grandes empresas de software também estavam mudando. O timing foi muito bom porque os clientes faziam perguntas como ‘vou te pagar para sempre?’. A gente respondia ‘você vai pagar para sempre o Windows. No fim, é o mesmo modelo’.

Tudo foi mudando muito rápido. A indústria era bem conservadora, principalmente no modelo de negócio. Deu um trabalho para mudar, só que, em dois anos, a gente começou a abrir concorrência com pedido de SaaS e a empresa foi para outro patamar.

Esse esquema de ficar vendendo licença permanente gera um atrito significativo para a empresa crescer, não tem o efeito cumulativo do SaaS.

Estamos em um momento bem legal e promissor para as novas startups porque nascer no modelo Software as a Service é muito mais previsível, diferente do que aconteceu com a gente, que nasceu com vendas de licenças de valores significativos. Era mais trabalhoso e o planejamento era mais desafiador.

Existia um relacionamento com os clientes com um tempo mais definido, a gente implantava a solução e fazia o atendimento. Agora, é uma parceria em que todo mês falamos com todos os clientes e operadores.

Todo mundo cresce muito nesse relacionamento SaaS, os clientes gostam bastante tanto pelos ganhos operacionais, quanto pelo relacionamento. Desafiamos muito os nossos clientes. Questionamos coisas como porque são usadas certas metodologias e métricas. O nosso time também cresce, porque quanto mais a gente entende da produção do cliente maior a capacidade de gerar valor.

O ambiente de negócio com as indústrias melhorou absurdamente. Tinha aquela coisa de inovação aberta, mas isso era da porta para fora. Do lado de dentro, era cada um com seus segredos. Agora, com o ganho de força das startups, da indústria 4.0 e do SaaS é outro mundo.

Não vejo isso acontecendo tão intensamente lá fora, mas o relacionamento das indústrias com as startups industriais é algo bem endêmico no Brasil. Tanto que vemos esse boom de CVC.

Há um momento muito legal no Brasil e a gente pode despontar com esses fatores positivos que estão sendo criados aqui.

A nossa empresa tem uma diferenciação muito grande no meio de startups por desenvolver tecnologia de ponta global. A maioria das startups brasileiras de maior sucesso trata de um processo de digitalização. É digitalizar uma economia offline. Do ponto de vista técnico e tecnológico, o que essa empresa está fazendo de realmente inovador no mundo?

A i.Systems tem um Road Map de desenvolvimento de novos produtos previsto para os próximos 3 a 5 anos. Viemos como uma empresa da planta industrial e estamos expandindo o nosso impacto para toda a cadeia produtiva. O Aster e o Calix vem muito nessa linha.

Acreditamos muito em construir junto com nossos clientes e parceiros para ter o melhor impacto possível. No fim, esse One Stop Shop não vai ser uma prateleira com vários produtos. O grande objetivo é que o cliente use todos os produtos que caibam no seu modelo de negócio.

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