Estabilidade operacional sempre foi um desafio para qualquer TI, mas ele se intensificou nos tempos recentes. Infraestruturas distribuídas, dependência de plataformas digitais, ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados e eventos globais imprevisíveis dificultam cada vez mais operar de forma estável. Por isso, é preciso constituir uma verdadeira resiliência digital – conceito que vem se tornando mais disseminado, assim como um objetivo cada vez mais cobiçado.
Essa resiliência está fortemente ligada a uma visão mais realista da empresa, e para alcançá-la é necessário dissecar o desempenho do negócio e inferir os desafios que podem estar adiante, de forma que sejam trabalhados preventivamente. Isso exige ter dados de qualidade e elevado grau de automação – quanto mais automatizada estiver a operação, mais dados serão gerados. Contudo, essa não pode ser uma relação meramente quantitativa.
Por mais que esteja vinculada à operação, a resiliência digital depende da estratégia tanto quanto do dia a dia. Trata-se de uma confluência entre a continuidade do negócio e as visões de médio e longo prazo. Para isso, as pessoas da organização responsáveis por estruturar essa resiliência precisam ter inteligência e experiência.
“Mesmo sendo um elemento crítico, os dados não são suficientes. Os profissionais de TI precisam ser decodificadores desses dados dentro do contexto do negócio”
A resiliência digital dialoga com outro conceito que ganhou força recentemente: o do antifrágil, termo cunhado pelo professor líbano-americano e autor Nissam Nicholas Taleb. Em linhas gerais, ele propõe abraçar o imprevisível, já que ele é inevitável, e assim construir resiliência. Em outras palavras, estar preparado para absorver os possíveis golpes que os imprevistos trazem, fazer mudanças e emergir mais forte.
Para além da premissa motivacional, o antifrágil é uma proposição onde o problema acaba se transformando em oportunidade, graças a uma constante preparação para se antecipar às intempéries. Rer um PCN (Plano de Continuidade de Negócios) faz parte desse conceito, mas a ideia vai mais longe, propondo uma mudança de mentalidade e cultura nas organizações.
Cá entre nós, sabemos que isso não é fácil. Há lideranças que desdenham do longo prazo em seus planos porque sua postura é carreirista: para que se antecipar a algo que vai acontecer quando ele não estiver mais ali naquela posição, naquela empresa? Além disso, existe o pensamento otimista, quase mágico, de que “o panorama geral não está bom, mas minha empresa vai bem”, ou “isso é passageiro, logo tudo se acalma”.
Sim, turbulências são passageiras, muitas delas até efêmeras. Isso não quer dizer que elas não deixam estragos. A questão é que, mesmo entre os líderes mais conscientes, poucos estão dispostos a separar uma porção considerável de seu tempo para pensar em cenários que “talvez um dia” aconteçam. As necessidades do dia a dia se impõem à construção da resiliência.
A situação fica ainda mais delicada quando nos damos conta de que o imediatismo é uma postura presente não só entre executivos, mas também entre acionistas. Se a intenção é fazer a empresa aumentar rapidamente de valor de mercado para ser vendida em pouco tempo, como construir qualquer plano ou cultura que vise a perenidade? Chegamos a um ponto onde até as empresas se tornam “líquidas”, conforme o conceito de liquidez criado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman.
O oposto dessa “liquidez” é a resiliência. Para que ela aconteça, é necessário que esteja apoiada nos pilares abaixo, e podemos olhar para eles da seguinte forma:
Como escrevi acima, a resiliência é o antídoto à “liquidez” que se anuncia no mundo corporativo atualmente. Urge colocá-la em prática, porque tudo que é “líquido” se esparrama e se dilui. E é preciso encarar as organizações como algo sólido, que atende a interesses mais nobres que algumas poucas vaidades e ambições individuais.
Em tempos de instabilidade, CIOs e gestores precisam estruturar ambientes tecnológicos mais adaptáveis, robustos e preparados para a incerteza.
A evolução da governança se propõe a entregar aquilo que o ESG deveria ter conseguido, mas não conseguiu, e deve permitir que as organizações gerem real valor para os stakeholders.
Se mudar é inevitável, resistir ao novo também é, e é preciso que a liderança saiba se antecipar à resistência assumindo a gestão em todas as etapas do processo.
Saber qual é a hora de deixar uma posição na empresa é uma tarefa tão difícil quanto necessária e é preciso saber navegar por suas complexidades.
Conheça algumas atitudes que podem fazer a diferença entre ocupar um cargo de liderança e ser líder de fato.
A cultura corporativa tende a isolar aquele que busca uma transformação profunda. Como não sucumbir ao isolamento?
Aproveite nossas promoções de renovação
Clique aquiPara continuar navegando como visitante, vá por aqui.
Cadastre-se grátis, leia até 5 conteúdos por mês,
e receba nossa newsletter diária.
Já recebe a newsletter? Ative seu acesso
