s
Custo de implementação, limitação de recursos e falta de apoio da liderança continuam sendo os principais obstáculos para quem ainda não migrou para a nuvem (Crédito: Freepik)
TENDÊNCIAS

Cloud no Brasil: 77% das empresas já adotaram, mas maturidade ainda é desafio

Estudo da Totvs mostra que a nuvem se consolida como base da transformação digital no país, mas revela lacunas de planejamento e cultura entre pequenas e médias empresas

Pelo menos 77% das empresas brasileiras utilizam algum tipo de serviço de nuvem. É mais do que três em cada quatro companhias, sendo que 61% já usam a nuvem de forma plena, com 16% em fase inicial. Apenas 23% das companhias ainda não utilizam cloud, mas entre essas, 47% já estão avaliando soluções para implementação futura, de acordo com o “Panorama Cloud nas empresas brasileiras”, realizado pela Totvs. O relatório aponta que há muito espaço para o crescimento da nuvem no país, principalmente entre pequenas e médias empresas (PMEs).

Quase metade das empresas brasileiras utilizam cloud privada, o que reforça a importância da soberania e conformidade de dados. Outro ponto que se destaca na pesquisa da Totvs é que a integração com IA e automação será o próximo diferencial competitivo. Ao olhar para o horizonte de longo prazo, a projeção é que cloud vai se tornar o “ambiente natural de operação” da economia brasileira. Portanto, as empresas em fase de implantação ou que ainda não adotaram modelos híbridos e inteligentes vão ficar para trás.

Os números da pesquisa aproximam o Brasil da média global: segundo a Venture Beat, 78% dos executivos adotaram a nuvem, enquanto a Gartner projeta que a penetração global atinja 85% até 2026, consolidando cloud como o novo “default” corporativo.

CADASTRE-SE GRÁTIS PARA ACESSAR 5 CONTEÚDOS MENSAIS

Já recebe a newsletter? Ative seu acesso

Ao cadastrar-se você declara que está de acordo
com nossos Termos de Uso e Privacidade.

Cadastrar

Para o levantamento foram ouvidos 391 profissionais de TI do universo Totvs, sendo que 50% ocupam cargos de alta ou média gestão. Na divisão por tamanho, 44% são grandes empresas (acima de 500 colaboradores), 42% são médias empresas e 14% são pequenas empresas.

 

Maturidade e autopercepção das empresas

Quando questionadas sobre o nível de maturidade em nuvem, 69% dos entrevistados acreditam que o mercado brasileiro está em estágio intermediário, e apenas 23% o consideram avançado. Entretanto, quando avaliam suas próprias empresas, o quadro se inverte: 49% se classificam como avançadas.

Essa autopercepção otimista reflete o esforço das companhias em modernizar operações, mas também uma tendência a superestimar sua maturidade digital. Esse descompasso é comum em mercados emergentes, em que as empresas focam em migração e não em transformação de processos.

Os motivos de quem ainda não migrou

Entre os 23% de empresas que ainda não utilizam soluções em nuvem, quase um terço (28%) planejam adotar a tecnologia nos próximos 12 meses e menos da metade (47%) projetam uma migração em até três anos. 

A principal barreira continua sendo o valor da implementação (54%). Somado à limitação de recursos (25%) e previsibilidade de custos (23%), surge um cenário em que falta uma estratégia de mudança e inovação para essas empresas. Talvez as limitações da liderança, a falta de “buy in” dos tomadores de decisão (31%) e de autonomia interna (28%) expliquem melhor o que está retardando o passo. 

 

 

O desafio é tanto financeiro quanto cultural. Em muitos casos, o modelo “on-premises” ainda é visto como mais previsível e controlável – percepção que tende a mudar à medida que o Custo Total de Propriedade (TCO) da nuvem se torna mais transparente.

De acordo com a Accenture, a migração bem planejada pode gerar economia de até 40% em cinco anos, considerando escalabilidade, manutenção e energia.

O que motiva a adoção: performance e flexibilidade

Entre os fatores que podem acelerar a adoção dos serviços de nuvem existe uma divisão clara entre aspectos operacionais, técnicos e complementares e de recomendação. Entre os fatores que mais impulsionam a migração para a nuvem estão:

  • Melhoria no desempenho operacional – 41%
  • Redução da estrutura atual de custos – 40%
  • Ganho de flexibilidade e escalabilidade – 39%
  • Melhoria na segurança – 29%
  • Disponibilidade – 28%

Aspectos ligados à operacionalização e sustentação das soluções aparecem com menor impacto, como suporte técnico especializado (19%), foco no core business (15%) e regulamentação do setor (13%).

Embora os custos da migração para a nuvem representem a maior barreira para PMEs, existe uma percepção clara de valor associada à eficiência e inovação que acompanham a nuvem. Essa tendência é global: as empresas migram para a nuvem motivadas por agilidade e resiliência do negócio, de acordo com a Bain & Company.

Nos objetivos estratégicos mais citados para adotar nuvem aparecem: 

  • Segurança – 54%
  • Escalabilidade – 45%
  • Inovação e agilidade – 37%
  • Produtividade – 35%
  • Flexibilidade no gerenciamento de recursos – 30%
  • Redução de custos, acesso remoto e IA surgem com menor frequência no ranking.

A segurança aparece como ponto de partida para que as demais estratégias avancem com estabilidade; já a ênfase em escalabilidade e inovação sugere que a nuvem é vista como vetor de crescimento, e não apenas como alavanca de redução de custo.

 

Jornada e domínio: ERP puxa, RH ainda tem espaço

O relatório organiza a jornada em cinco estágios: Não utilização (23%), Experimentação (6%), Expansão (19%), Engajamento (31%) e Transformação (21%), com a recomendação de alinhar eficiência técnica (escalabilidade, disponibilidade) a posicionamento estratégico para avançar no funil.

No recorte por solução, o estudo aponta uso pleno de ERP em nuvem por 59% dos usuários; já 28% não utilizam ferramentas em nuvem para gestão de RH. Backup/DR e acesso ampliado a colaboradores se destacam no grupo de infraestrutura operacional usada de forma mais ampla.

Em segurança, cerca de metade das empresas que usam cloud fazem gerenciamento de acessos remotos e IAM, evidenciando boa aderência a práticas de controle de identidade e acesso. Por outro lado, DaaS é pouco utilizado e IA em nuvem ainda não é majoritária (há um contingente que não utiliza), indicando espaço de evolução.

Nos serviços contratados, SaaS (59%) e IaaS (57%) são as mais utilizadas, com PaaS (37%), BaaS (22%) e DaaS (6%) complementando a adoção. O relatório interpreta a combinação como busca simultânea por ferramentas prontas e infraestrutura sob demanda.

Só 47% dos CISOs sabem onde estão seus agentes de IA

Inteligência Artificial

Só 47% dos CISOs sabem onde estão seus agentes de IA

Pesquisa da Okta com 306 CISOs mostra que a infraestrutura de identidade é, ao mesmo tempo, o problema e a solução para controlar agentes de IA dentro das empresas

A IA começou a escrever genomas

Inteligência Artificial

A IA começou a escrever genomas

Modelos de linguagem genômica já conseguem projetar genomas virais funcionais. O avanço promete novas terapias e muda a escala do debate sobre biossegurança.

Cultura organizacional: como fechar o gap entre o que sua empresa promete e o que os funcionários vivem

Tendências

Cultura organizacional: como fechar o gap entre o que sua empresa prom...

Uma pesquisa com 300 profissionais de cultura e RH mostra que o problema não é falta de discurso — é a distância entre o que a liderança diz e o que ela recompensa, tolera e reforça todos os dias

Robôs para companhia emocional colocam IA Física dentro da sua casa

Inovação

Robôs para companhia emocional colocam IA Física dentro da sua casa

As vendas anuais de humanoides fabricados na China devem mais que dobrar em 2026, para cerca de 28.000 unidades

Carga cognitiva, o próximo KPI da gestão

Tendências

Carga cognitiva, o próximo KPI da gestão

Uma linha emergente de pesquisas começa a tratar "mental load" como recurso organizacional, com efeito direto sobre a qualidade das decisões.

Cibersegurança em transição: como a IA está redesenhando cargos da base ao topo

Inteligência Artificial

Cibersegurança em transição: como a IA está redesenhando cargos da...

Um estudo doa ISC2 com 856 profissionais mostra que a IA já corta tarefas de entrada em segurança digital, mas também amplia o tempo dedicado à validação humana, ao estresse no trabalho e à criação de novas funções na área