s
Imagem: reprodução GEM
DIVERSIDADE

Empreender é um ato político, e as mulheres estão na linha de frente

Promover o empreendedorismo feminino é, mais do que uma agenda de equidade de gênero, uma estratégia de impacto coletivo, escreve Rebecca Fischer, cofundadora da fintech brasileira Divibank

Por *Rebecca Fischer - especial para The Shift 01/07/2025

Nunca foi tão promissor ser uma empreendedora. Segundo o relatório “Global Report 2024/2025: Entrepreneurship Reality Check“, do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), há atualmente cerca de 658 milhões de mulheres fundadoras e donas de negócios ao redor do mundo. Mais impressionante ainda: quase dois terços delas estão nos estágios iniciais da jornada empreendedora — um índice significativamente mais alto do que entre os homens, entre os quais menos da metade está começando agora. Essa onda feminina de protagonismo nos negócios vem transformando não apenas o cenário empresarial, mas também o social.

De acordo com Amanda Elam, Research Fellow no Babson College, e uma das autoras do “Women’s Entrepreneurship Report: Reshaping Economies and Communities“, do GEM, “o empreendedorismo feminino é a principal solução política para déficits em saúde e educação”. Isso porque, historicamente, as mulheres tendem a liderar negócios que se conectam com necessidades reais da comunidade — criando ambientes que promovem bem-estar, inclusão e qualidade de vida. Como consequência, empresas de outros setores acabam sendo atraídas por essas regiões, ampliando o desenvolvimento local.

Esse fenômeno tem gerado uma espécie de despertar no campo do desenvolvimento internacional. Se antes as políticas públicas ignoravam o potencial de impacto das mulheres nos negócios, agora há uma mudança de perspectiva: apoiar empreendedoras passou a ser visto como uma estratégia inteligente para construir sociedades mais equilibradas, com oportunidades reais de crescimento sustentável.

CADASTRE-SE GRÁTIS PARA ACESSAR 5 CONTEÚDOS MENSAIS

Já recebe a newsletter? Ative seu acesso

Ao cadastrar-se você declara que está de acordo
com nossos Termos de Uso e Privacidade.

Cadastrar

Reconhecendo esse movimento, a Forbes lançou seu primeiro ranking global exclusivo com as 50 mulheres mais ricas do mundo que construíram suas fortunas sozinhas. Juntas, elas acumulam um patrimônio de US$ 276 bilhões — uma média de US$ 5,5 bilhões por pessoa. Embora estejam longe de serem “empreendedoras iniciantes”, representam o que pode acontecer quando ideias ganham força, encontram mercado e rompem barreiras culturais.

É simbólico ver setores tão diversos — de colágeno a carvão — representados nesse ranking. Essas histórias não apenas validam a força da liderança feminina, mas também oferecem modelos reais para quem está começando. Mais do que inspiração, essas trajetórias funcionam como manuais de possibilidade, mostrando que o sucesso não é monopólio de um grupo seleto, mas acessível a quem ousa sonhar e agir.

Promover o empreendedorismo feminino é, portanto, mais do que uma agenda de equidade de gênero: é uma estratégia de impacto coletivo. Quanto mais mulheres tiverem as ferramentas e o apoio necessários para empreender, mais próximas estaremos de um mundo em que desenvolvimento econômico e justiça social caminham juntos. E esse futuro começa agora.


*Rebecca Fischer é co-fundadora da Divibank, fintech brasileira que apoia o crescimento de PMEs por meio de soluções de meios de pagamento e orquestração de pagamentos, com foco em eficiência, conversão e simplicidade operacional para o e-commerce.

Space tech vira aposta bilionária: por que o capital migrou para o espaço

Inovação

Space tech vira aposta bilionária: por que o capital migrou para o es...

Com IPO histórico da SpaceX, rodadas bilionárias e uma economia lunar em formação, o setor espacial deixou de ser aposta especulativa para virar mercado industrial de escala — e o capital já percebeu isso

Dez vezes mais ideias, o mesmo filtro

Inteligência Artificial

Dez vezes mais ideias, o mesmo filtro

O avanço tecnológico depende menos da capacidade de produzir hipóteses do que da capacidade de descartá-las. É o que separa as empresas em que a IA acelera a inovação daquelas em que ela apenas acelera o erro.

Carreira +100: crescer, envelhecer e aprender sempre

Inovação

Carreira +100: crescer, envelhecer e aprender sempre

Com a perspectiva de uma vida produtiva muito além dos 60 anos, podemos investir em uma carreira por 30 anos e depois inventar outra. A longevidade, combinada com aprendizado contínuo, é fonte de crescimento, segundo pesquisas

Agtechs: enquanto o agro adota IA, o capital de risco no setor cai 33%

Inteligência Artificial

Agtechs: enquanto o agro adota IA, o capital de risco no setor cai 33%

Pesquisa com 217 fazendeiros da CNH e levantamento da PitchBook mostram dois lados do mesmo momento: tecnologia de precisão virou rotina na fazenda, enquanto o venture capital em agtech recua e migra para IA que já entrega ROI comprovado

Robôs para companhia emocional colocam IA Física dentro da sua casa

Inovação

Robôs para companhia emocional colocam IA Física dentro da sua casa

As vendas anuais de humanoides fabricados na China devem mais que dobrar em 2026, para cerca de 28.000 unidades

Três empresas valem mais que uma década de saídas de venture capital

Tendências

Três empresas valem mais que uma década de saídas de venture capita...

Relatório da Pitchbook e da NVCA mostra recordes em captação, valuations e saídas, mas revela que a bonança está concentrada em poucos nomes — com a IA respondendo por 86% do capital investido no semestre