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MERCADO

O grande desperdício SaaS

O software engoliu o mundo, e o SaaS está comendo cada vez mais pedaços da pizza do mundo cloud, especialmente porque basta um cartão de crédito para ativar recursos corporativos extremamente interessantes

Por Silvia Bassi 29/02/2024

O uso de cloud computing cresceu, e os aplicativos móveis também, fazendo do SaaS (software como serviço) um mercado que movimentou US$ 205 bilhões em 2023, segundo o Gartner, que pode subir para US$ 374 bilhões até 2028, aponta um relatório do Statista. O cenário mostra a vitalidade do mercado (há hoje mais de 30 mil empresas de SaaS no mundo), mas também sinaliza problemas.

Em 2024, a receita de SaaS deve crescer para US$ 244,20 bilhões, prevê o Gartner. Depois dos custos com a folha de pagamento, o gasto com software é, para muitas companhias, a segunda despesa mais importantesinaliza a inglesa Vertice, startup especializada em gestão de carteiras corporativas de SaaS. As empresas podem gerenciar praticamente tudo com SaaS e gastam, em média, US$ 8 mil por funcionário, por ano.

É aí que habitam os problemas, aponta um relatório recente divulgado pela Vertice:

  • Dependendo do tamanho da empresa, o desperdício financeiro anual com SaaS pode variar de US$ 500 mil (empresas com 100 a 399 funcionários) a US$ 4,3 milhões (acima de 2 mil funcionários).
  • Por desperdício, a Vertice entende a compra desnecessária ou ineficiente de software, que decorre de provisionamento excessivo, subutilização, ou a famosa "compra na sombra" (shadow IT) feita sem pedir autorização, usando o cartão corporativo.
  • A pesquisa "State of SaaS", da Productiv, mostra, por exemplo, que o ChatGPT está na lista das top 20 aplicações "shadow" usadas em 2023.
  • A subutilização das licenças SaaS em diferentes áreas da empresa varia de 5% (no RH) a 52% (em vendas). Na média, estamos falando de 33% de subutilização, pela conta da Vertice. Na conta da Productiv, a subutilização passa dos 50%.


A inflação do software

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