O “AI Sherlocking” mudou de alvo. Há anos, a preocupação jurídica das empresas com Inteligência Artificial Generativa gira em torno de uma questão: se os dados digitados pelos funcionários entram no treinamento de outro modelo. Boa parte do mercado considera o problema resolvido, com cláusulas que proíbem o provedor de treinar seus modelos com prompts e respostas. Um artigo publicado na Harvard Business Review em 8 de setembro de 2026 argumenta que essa proteção mira o ativo errado.
Para William Marks, professor da unidade de Tecnologia e Gestão de Operações da Harvard Business School e autor do texto, o que está em jogo deixou de ser o dado bruto e passou a ser a lógica: o modo específico e trabalhoso como cada empresa resolve seus problemas. Ele chama isso de “AI Sherlocking”. O termo já circulava no mercado com outro sentido, e a diferença entre as duas definições é o ponto de partida para dimensionar o risco.
O termo vem do Sherlock, ferramenta de busca que a Apple embutiu no sistema operacional no início dos anos 2000 replicando o app Watson, de terceiros, até tirá-lo do mercado. Desde então, “ser Sherlockado” descreve a plataforma que absorve a ideia de um parceiro menor e a usa contra ele. No noticiário de agosto de 2026, o rótulo foi aplicado a um fenômeno de produto: provedores de modelo que lançam aplicações concorrentes de seus próprios clientes. O investidor Jason Calacanis afirmou que empresas como Figma, ElevenLabs e Lovable avaliam reduzir a dependência de OpenAI e Anthropic. O CEO da Figma, Dylan Field, teria criticado a comunicação da Anthropic após o lançamento do Claude Design. As duas falas circulam como relato de segunda mão, sem confirmação em fonte primária até 9 de setembro de 2026.
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