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Danilo Nascimento e os fundadores do FDC Angels Foto: Montagem The Shift
ENTREVISTA

Foco total em investimentos e negócios de impacto

Danilo Nascimento integra um grupo de ex-alunos da Fundação Dom Cabral apaixonados por empreendedorismo que decidiu criar uma rede anjo dedicada a startups de impacto positivo e ESG

Há dois anos, um grupo de ex-alunos da Fundação Dom Cabral (FDC) entusiasmados com empreendedorismo decidiu criar um grupo de investidores-anjo formado exclusivamente por integrantes da FDC Alumni Network. E estabeleceu como tese de investimento o foco em startups de impacto e ESG.

“Estamos falando de startups com atuação em mercados emergentes e negócios desenvolvidos com a intenção de gerar impacto socioambiental mensurável, com retorno financeiro atraente”, diz Danilo Nascimento, um dos seis fundadores da iniciativa e também o seu diretor de Inovação.

Na época, o investimento de impacto — ou lucro com propósito — começava a surgir no mundo como uma forma de captar recursos de forma ética para negócios lucrativos cuja atividade principal endereçasse um problema social e/ou ambiental, fosse em relação a seu produto/serviço e/ou sua a forma de operação, e tivessem práticas ESG.

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Há pouco mais de dois meses, o hub de inovação FDC Angels foi apresentado oficialmente ao mercado e passou a angariar investidores e receber o cadastramento de startups.

“O período de submissões terminou esta semana. Recebemos por volta de 140 propostas, mas só 57 completas. Essas 57 startups serão avaliadas para a seleção daquelas que participarão do pitch day que pretendemos realizar no início de abril”, informa Danilo.

Seus olhos brilham quando ele começa a descrever os negócios de algumas das startups cadastradas com as quais já conseguiu conversar. Que não foram tantas assim, já que o tempo anda escasso, e Danilo tem virado noite, nas últimas semanas, ajustando critérios de avaliação e detalhes operacionais.

Danilo é também professor da UNESC, do Espírito Santo e, como empreendedor, acumulou experiência em aceleração de negócios e investimentos privado e público, com passagem pela Vivo, Startup Brasil, Founder Institute, Programa “Mire-se no Exemplo”, da FDC. Também contribuiu para a elaboração da metodologia de avaliação do Selo lmpact, da Fundação Dom Cabral, como avaliador.

Nessa entrevista exclusiva à The Shift ele detalha o funcionamento da FDC Angels, os desafios para tirá-la do papel, a motivação do foco em impacto e os planos para o futuro. A ideia inicial é que, em 2023, a rede chegue a ter 300 membros, ou cerca de 1% da rede de ex-alunos (alumni) da Fundação e  contemple startups de todo o Brasil.

Disrupção é…

“Um acontecimento extraordinário, inesperado pelas pessoas, que interrompe o curso das coisas, que gera enorme IMPACTO.

Nesse momento, o FDC Angels está iniciando sua jornada. Nos diferenciamos por ser um grupo de investidores anjo focado exclusivamente em startups “early stage” ESG/Impacto. Temos uma rede alumni muito poderosa, com imensas sinergias e que certamente promoverão conexões capazes de alavancar negócios e impulsionar o ecossistema de inovação brasileiro apostando no investimento de impacto, conforme definido pela Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto. Seguindo suas recomendações.

Acreditamos que, no futuro, todo investimento será de impacto. O mercado vai exigir isso das empresas: mudar a sociedade com um impacto positivo e com retorno de capital.

Outro diferencial importante é o apoio formal da Fundação Dom Cabral. Embora não fujamos muito da forma como outras redes de anjos egressas de instituições de ensino atuam, o fato de termos autorização para usar o seu nome nos impõe uma série de regras muito importantes que precisamos seguir ao tratar de investimento, de dinheiro de terceiros, e por aí vai. Por outro lado, nos assegura também benefícios, no fornecimento de smart capital para as startups escolhidas.

Não somos um fundo. Não lidamos com dinheiro. Juridicamente, depois de muito debate, criamos uma associação sem fins lucrativos e nosso trabalho é pro bono.

Só o fato de ser uma associação muda um pouco as regras do jogo, né? Como essa questão de contribuir apenas com smart, e com nenhum money. O dinheiro é dos membros investidores, que escolhem as startups nas quais querem investir, o nosso papel é de fazer essa ponte e preparar o negócio para receber esse investimento.

Membros associados pagarão uma anuidade de R$ 3,5 mil. O investimento máximo por membro será de R$ 100 mil e, de início, não haverá a exigência do investimento mínimo de R$ 20 mil por ano que costuma ser feito nos grupos de anjos. A ideia é a de que os futuros investimentos possam variar entre R$ 100 mil e R$ 2 milhões, dependendo das necessidades específicas de cada startup.

É um papel educativo muito forte também. Vamos analisar cada submissão feita, o quão aderente estão às teses de investimento, se as projeções financeiras estão corretas, explicar questões jurídicas para os empreendedores, como funcionam os contratos, o que é um mútuo… Não é filantropia. Cada empreendedor precisa pensar no quanto estará disposto a ceder.

Pretendemos estressar bastante esse processo, para garantir que as startups estejam de fato comprometidas com a solução de um problema social e/ou ambiental em seu modelo de negócio e com o monitoramento do impacto gerado. Como o investimento Anjo objetiva negócios com alto potencial de retorno, consequentemente espera-se um grande impacto positivo para a sociedade através da geração de oportunidades de trabalho e de renda.

A princípio, vamos procurar oportunidades em seis verticais: agronegócio, saúde e bem-estar, mineração e metalurgia, serviços financeiros, educação e empreendedorismo social.

O período de submissões terminou esta semana. Recebemos por volta de 140 propostas, mas só 57 completas. Essas 57 startups serão avaliadas para a seleção daquelas 10, aproximadamente, que participarão do pitch day que pretendemos realizar no início de abril. E temos 29 membros até agora. Há todo um trabalho a ser feito nos próximos meses para captação de membros.

Nesse momento os investidores serão só integrantes da FTC Alumni  Network. Futuramente, talvez a gente avalie a participação de fundo do mercado. Deixo aí uma interrogação. Pode ser que as coisas evoluam muito rápido e a gente decida que um fundo XPTO, interessado em investir, possa estar dentro. O ecossistema de empreendedorismo no Brasil é muito colaborativo. Falamos com alguns dos principais grupos do país para montar a FDC Angels e nenhum deles teve problemas em conversar e compartilhar informações.

Queremos ser um berçário de startups para os fundos e quem sabe, um unicórnio saído daqui.

Como disse, o nome FDC nos traz a obrigação de governança e transparência. Com a qualidade do recrutamento, a parceria de grandes fundos, e a governança e apoio da FDC, temos certamente encontraremos empresas e empreendedores com um grande futuro espalhados pelo país. O Brasil é um dos principais lugares do mundo para se falar de investimento de impacto. Apesar do tamanho da nossa economia, temos uma desigualdade gritante.

Estamos montando um grupo de mentores, outro de avaliadores. Também contamos com os professores e mentores da Fundação para nos ajudar no desenvolvimento da metodologia de avaliação. Já contamos com 7 conselheiros,  que são ou foram executivos de grandes empresas. Os convites que estamos fazendo estão sendo bem recebidos.

Estamos olhando para a metodologia do Selo Impact, da plataforma Innovation Latam, criada pelo professor Fabian Salum, da Fundação Dom Cabral e para a definição de impacto da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto. Ela aponta quatro critérios que precisam ser identificados simultaneamente em um empreendimento para ele poder se posicionar como negócio de impacto: intencionalidade de resolução de um problema social e/ou ambiental; solução de impacto é a atividade principal do negócio; busca de retorno financeiro, operando pela lógica de mercado; e compromisso com monitoramento do impacto gerado.

Já os investimentos de impacto que estamos buscando devem ter três características: intencionalidade, retorno, espectro e ativos diversos.  O investidor também precisa ter a intenção de gerar impacto social e/ou ambiental
através de seus investimentos é essencial. E o investimento precisa gerar retorno financeiro sobre o capital investido ou, no mínimo, o retorno do principal, em um espectro que pode ir de abaixo do mercado até taxas competitivas com o mercado tradicional (com risco ajustado) usando ativos como renda fixa, venture capital e private equity.

Há no mercado quem fale sobre duas formas diferentes de pensar quando se trata de causar impacto com um portfólio: um tema e uma lente. Um tema de impacto é uma meta social melhor expressa por meio de uma classe de ativos específica, enquanto uma lente de impacto é uma meta social que pode ser integrada em todo o portfólio.

Então, estamos tendo o maior cuidado com as  considerações principais de impacto e retorno financeiro.

Estou virando noite, essa semana, documentando todos os critérios de avaliação.  Pretendemos ter parcerias com organizações locais que apoiam empreendedores e aproveitar a estrutura distribuída que a FDC tem ao redor do país, com seus centros regionais, para que o maior número possível de investidores e startups os conheçam bem, saibam como olhamos para a tese de investimento, como entendemos impacto e ESG, e a gente consiga prospectar mais projetos de fora do eixo Rio-São Paulo.

Impacto é diferente de ESG.  Impacto é o que se faz. ESG é como.

ESG está mais relacionado a como a empresa opera, se tem práticas nos aspectos social, ambiental e governança que geram impacto positivo ou negativo. Se busca adotar práticas que podem reduzir riscos e com isso aumentar o valor do negócio. Não necessariamente é sua atividade principal. A atividade está mais relacionada ao impacto.

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