Apenas 18% das lideranças se sentem “muito capazes de antecipar e reagir às mudanças”. Pior: apenas 13% dos líderes de Recursos Humanos concordam com essa afirmação. Em cinco anos, o percentual de líderes que se sentem preparados para liderar mudanças em suas organizações caiu de 25% para 13%.
Mesmo com expectativas cada vez maiores sobre essa posição, ou por isso mesmo, a lacuna entre capacidade de liderança em cenários de mudança constante parece um tabuleiro de “War”, em que se tenta adivinhar as capacidades dos outros. De acordo com o estudo “Leading Through Change: Why Leadership Capabilities Are the Missing Link”, da DDI, o cenário é o seguinte
- Líderes emergentes e de linha de frente: apenas 15% são fortes em facilitar mudanças; 39% precisam de desenvolvimento significativo.
- Líderes de nível médio: 30% demonstram força em liderar mudanças, mas 1 em cada 4 ainda apresenta lacunas críticas.
- Executivos: somente 8% demonstram forte capacidade de liderança em mudanças, o pior desempenho entre todos os níveis.
Experiência, senioridade e autoridade formal não se traduzem automaticamente em capacidade de conduzir transformações. Uma conclusão que também aparece no estudo “Global Leadership Forecast”, apontando que apenas 13% dos líderes de RH acreditam que os líderes de suas organizações são muito capazes de antecipar e reagir a mudanças. Do lado das lideranças, o número é apenas um pouco maior: 18% dizem se sentir muito preparados para lidar com transformações rápidas e complexas.
Por que liderar mudanças ficou ainda mais difícil
O estudo mostra que a prontidão para liderar mudanças é maior em ambientes mais rápidos e menos engessados. Líderes da Geração Z, por exemplo, são 1,5 vez mais propensos a se sentirem preparados para antecipar e responder a mudanças rápidas.
Organizações menores também se destacam: empresas com até 100 funcionários são duas vezes mais propensas a relatar lideranças preparadas para a mudança do que grandes corporações, sugerindo que menos camadas e menos rigidez estrutural favorecem a adaptação.
Esse cenário se soma à ampliação radical do papel da liderança. Hoje, líderes precisam entregar resultados, redesenhar fluxos de trabalho, apoiar o bem-estar das equipes, desenvolver pessoas e conduzir mudanças contínuas, tudo ao mesmo tempo.
Onde a liderança mais falha
Ao contrário do que muitos poderiam pensar, a liderança falha menos na estratégia e mais na dimensão humana da mudança. Entre executivos:
- Apenas 1% são fortes em recompensar visivelmente os comportamentos desejados durante transformações.
- Só 4% demonstram força em esticar limites e desafiar modelos estabelecidos, o que inibe experimentação e inovação.
- Apenas 11% lidam bem com resistência à mudança, muitas vezes porque o topo está isolado de discordâncias reais dentro da companhia.
Entre líderes de nível médio:
- Apenas 10% são fortes em fazer perguntas, reflexo de culturas que valorizam respostas rápidas em vez de curiosidade e escuta ativa.
Entre líderes de linha de frente:
- Apenas 13% conseguem engajar ativamente outras pessoas em iniciativas de mudança, mesmo estando no ponto onde a transformação realmente acontece.
Quando líderes não explicam o porquê da mudança, não escutam como as pessoas estão vivenciando o processo e não reforçam novos comportamentos no dia a dia, a resistência à mudança cresce, mesmo quando a estratégia é sólida.
Desenvolvimento de liderança faz diferença (quando é bem feito)
A boa notícia é que o estudo também aponta caminhos claros. Segundo a DDI:
- Líderes que avaliam seus programas de “assessment” e desenvolvimento como de alta qualidade são 5,6 vezes mais propensos a antecipar e reagir eficazmente à mudança.
- Organizações que usam dados para orientar decisões estratégicas de talentos são 3,9 vezes mais propensas a afirmar que seus líderes são muito capazes de liderar mudanças.
A recomendação é sair de treinamentos genéricos e investir em desenvolvimento comportamental aplicado, com diagnósticos claros, prática em cenários reais de mudança e feedback sobre comportamentos observáveis.
A conclusão da DDI é dura, mas pragmática: liderar mudanças deixou de ser um diferencial e se tornou uma competência central de sobrevivência organizacional. Quando essa lacuna não é tratada, os custos se acumulam: em confiança, engajamento, performance e retenção de talentos. As organizações que querem estar preparadas para o futuro precisam olhar diretamente como suas lideranças conduzem as pessoas em meio à incerteza. Afinal, a mudança falha principalmente nas interações humanas do dia a dia.