The Shift

Feedback contínuo, IA e diversidade geracional: a estratégia da Cohesity para formar líderes

Rebecca Addams, CPO da Cohesity: “Precisamos pensar primeiro no resultado que queremos para o cliente ou para o funcionário e então redesenhar o processo.” (Crédito: Divulgação)

Com uma força de trabalho que emprega cerca de 6.000 pessoas no mundo, a Cohesity, empresa de proteção e gerenciamento de dados que supera US$ 1,5 bilhão em receita anual, vem puxando uma transformação organizacional que prioriza pessoas e IA. Investindo no desenvolvimento interno de talentos e com um olhar carinhoso para os profissionais da Geração Z, a Cohesity aposta em iniciativas para desenvolvimento interno de talentos.

“Temos programas de desenvolvimento para novos gestores, programas para recém-formados e cursos para diferentes populações dentro da empresa”, diz Rebecca Addams, Chief People Officer Global da Cohesity. De passagem pelo Brasil, ela falou com exclusividade para a The Shift sobre essa visão de investimento contínuo em capacitação (upskilling/reskilling), com uma abordagem multifacetada. Isso envolve programas estruturados para estagiários e recém-formados, muitos dos quais acabam sendo contratados posteriormente.

A empresa oferece acesso a cursos online, programas de mentoria, coaching interno e externo e trilhas de desenvolvimento para gestores. No caso de lideranças, são três níveis de formação, que incluem o desenvolvimento de habilidades técnicas e também competências comportamentais. “Eles aprendem desde gestão de performance até como conduzir conversas difíceis”, diz Rebecca. Todas as vagas abertas são divulgadas internamente, para que qualquer colaborador possa se candidatar. 

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Como líder global de Pessoas, Rebecca acredita que contar com times intergeracionais é uma vantagem. “Na verdade, eu acredito muito na diversidade de equipes em geral, não apenas de idade, mas também de experiências, formações e setores. Quando todos pensam da mesma forma, fica mais difícil resolver problemas complexos.”

Sobre as críticas que são feitas por lideranças para os jovens profissionais que estão iniciando sua carreira, ela dá um conselho aos gestores: ter uma “mentalidade aberta para aceitar que as coisas podem ser diferentes”. “Nem todos os funcionários precisam das mesmas coisas. Cada pessoa pode ter necessidades diferentes, dependendo da geração, da cultura, da localização ou do momento da carreira”, aponta.

“O papel do gestor é permitir que as pessoas façam seu trabalho da melhor forma possível”, afirma. Ela resume em uma frase o pensamento organizacional para lideranças na Cohesity. “O que realmente importa são os resultados: entregar o trabalho, colaborar bem com a equipe, aprender novas habilidades e manter uma boa atitude.”

Apesar do entusiasmo com os jovens profissionais, Rebecca Addams também identifica um fenômeno preocupante: a pressão que muitos deles colocam sobre si mesmos. “É assustador e fascinante ao mesmo tempo”, diz. Segundo ela, muitos jovens querem alcançar rapidamente estabilidade financeira, crescimento profissional e equilíbrio pessoal. “Eles querem subir na carreira o máximo possível antes dos 30.”

Ao mesmo tempo, desejam viajar, manter qualidade de vida e explorar diferentes caminhos. Essa combinação cria ansiedade. “É muita pressão que eles colocam sobre si mesmos.” Ainda assim, Addams vê grande potencial nessa geração. “Eles estão dispostos a trabalhar duro, apenas no próprio ritmo.”

 

IA e as habilidades que importam agora

Se o futuro do trabalho depende cada vez mais da capacidade de adaptação, a CPO da Cohesity acredita que algumas habilidades se tornaram essenciais. No topo da lista está o pensamento crítico. “Pensamento crítico é provavelmente a habilidade mais importante”, afirma. Não por acaso, essa habilidade ganhou um peso ainda maior com a adoção de IA e IA Generativa nas empresas.

Outra habilidade fundamental é a escuta. “Não se trata apenas de saber ouvir, mas escutar mesmo, realmente processar o que foi dito e pensar sobre isso”, explica. A escuta ativa é uma das principais capacidades para líderes e organizações. Quando faz parte da cultura organizacional, as pessoas se sentem ouvidas e valorizadas.

“Também buscamos pessoas com mentalidade de crescimento porque a única constante hoje é a mudança”, diz Rebecca. Ela cita como exemplo jovens profissionais que chegam ao mercado de trabalho acostumados a usar ferramentas de comunicação instantânea, sem saber muito bem como se comunicar por e-mail ou estruturar argumentos. “Eles precisam desenvolver essas habilidades, usar dados e interpretar corretamente o que recebem das ferramentas de IA”, explica. 

“Você não pode simplesmente colocar tudo em uma ferramenta de IA e aceitar o resultado automaticamente. É preciso analisar criticamente e aplicar o julgamento humano.” Rebecca cita ainda flexibilidade e capacidade de adaptação como habilidades altamente demandadas. 

 

“Feedback é um presente”

Um dos pilares da estratégia de gestão da Cohesity é um sistema de feedback contínuo que consulta funcionários regularmente. A empresa utiliza uma ferramenta de “pulse survey”, uma pesquisa rápida aplicada a cada duas semanas, com perguntas abertas para entender percepções e necessidades dos colaboradores. “São três a cinco perguntas e os funcionários podem dizer exatamente o que precisam”, explica Rebecca.

Os comentários são anônimos e analisados pelas lideranças de cada equipe. Quando surgem temas recorrentes, eles são discutidos em reuniões internas e, se necessário, nas reuniões gerais da empresa. Mais do que ouvir as pessoas, a Cohesity busca mostrar que as opiniões geram ações concretas. “Tentamos mostrar exemplos de que estamos ouvindo e que realmente levamos em consideração”, afirma.

Para a executiva, o valor real do sistema está em demonstrar que o feedback é levado a sério. “Feedback é um presente”, diz ela. “Ninguém deve ser punido por compartilhar feedback.”

A implementação dessa iniciativa mudou a forma como decisões são tomadas internamente. “Esse feedback nos ajuda a entender o que o funcionário realmente quer e precisa, em vez de tentarmos adivinhar.” Os resultados mostram alto engajamento: cerca de 90% dos funcionários participam regularmente das pesquisas. Essa análise de engajamento tornou-se um indicador estratégico “que chega ao nível do conselho”. “Queremos entender se os funcionários estão engajados e se existe risco de saída de talentos em algum grupo.”

 

América Latina como laboratório de crescimento

Como muitas empresas que usam os instrumentos de fusão e aquisição (M&A) para fortalecer suas capacidades, a Cohesity mirou na compra de companhias para assegurar capacidades de segurança e gestão de dados baseadas em IA. No final de 2024, a Cohesity adquiriu a Veritas Technologies (proteção de dados) por US$ 3 bilhões para criar uma gigante em resiliência de dados, e no ano passado comprou a Stone Ram (resiliência cibernética).

Após as fusões, é comum que haja um “embate” de culturas, em que as empresas adquiridas passam por um período de adaptação para fazer a transformação interna. No caso específico da Veritas, a integração foi relevante na América Latina e fez com que a região ganhasse importância estratégica nos negócios da Cohesity.

Segundo Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para a América Latina, o choque de culturas praticamente não aconteceu porque havia um entusiasmo dentro da Veritas que foi decisivo para o sucesso da transição. “As pessoas estavam muito animadas com essa fusão”, diz. Assim que os times começaram a entender a cultura da nova empresa, a adesão foi rápida. “Abraçamos totalmente a cultura da empresa como equipe. Quando as pessoas estão animadas, fica mais fácil implementar mudanças.”

A estratégia regional incluiu comunicação frequente e transparência sobre os próximos passos, como forma de fazer com todos colocassem o foco na operação. “Fizemos atualizações quinzenais para que o time sentisse que fazia parte da transição.”

Apesar do entusiasmo, a América Latina apresenta desafios próprios. Como região, há uma grande desigualdade entre os níveis de maturidade dos países. Além disso, o Brasil, que representa uma grande fatia de mercado, possui suas particularidades. “Sabíamos que o primeiro ano não seria fácil, mas acabou sendo mais simples do que imaginávamos”, afirmou Leite.

A ideia é investir em IA para acelerar o crescimento da empresa e ampliar sua fatia de mercado, praticamente como uma “laboratório de crescimento” para a Cohesity. Na área Comercial, a IA está sendo usada para qualificação de leads e análise de clientes. Em um caso recente, Gustavo Leite diz que o cliente se surpreendeu com os insights trazidos pela IA. “Ele perguntou ‘Como você sabe disso?'”, contou o executivo.

Para ele, a tecnologia está mudando o próprio conceito de vendas. “A IA está mudando a forma de vender.”