O crime cibernético custa anualmente US$ 10,5 trilhões à economia global. Se fosse um país, já seria a terceira maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA e da China. Nesse momento, diz Georgia Barbosa, gerente-executiva do CISSA, o Centro de Competência Embrapii em Segurança Cibernética, operado pelo CESAR, é preciso entender que cibersegurança deixou de ser um problema técnico para se tornar um risco estrutural de negócios, impactando áreas reputacionais, regulatórias e a continuidade das operações de empresas e de infraestruturas críticas no mundo todo.
O cenário compõe o que especialistas chamam de “A Tempestade Perfeita”: uma convergência sem precedentes de avanço tecnológico acelerado, escassez de 5 milhões de profissionais qualificados e uma nova ordem geopolítica onde a infraestrutura crítica de nações inteiras está na linha de frente. O enfrentamento desse cenário, em um modelo de security by design, exige tornar a cibersegurança prioridade de negócios e de soberania nacional, e promover a integração entre pesquisa acadêmica e mercado.
Esse é um resumo da live com Georgia Barbosa e Fábio Maia, Líder de Engenharia de Sistemas no CESAR e Coordenador Técnico do CISSA, mediada pela publisher da The Shift, Silvia Bassi, que você pode assistir completa aqui.
Segundo Fábio Maia, a facilidade e a conectividade do mundo digital trouxeram um lado negativo: a mesma velocidade que permite transações legítimas dificulta a reação a ataques ilegítimos.
Mas como viemos parar no meio da tempestade? Por uma combinação de elementos, diz o pesquisador, e uma aceleração simultânea em diversas frentes tecnológicas:
Para enfrentar esses riscos, o CISSA estrutura sua atuação em pilares que unem a fronteira do conhecimento acadêmico às dores reais do mercado. Georgia Barbosa enfatiza que a missão do CISSA é preparar as empresas não apenas para o agora, mas para os desafios de amanhã.
Áreas Críticas de Investigação:
Um dos principais pontos da conversa foi a constatação de que as lideranças corporativas ainda falham em perceber a cibersegurança como um risco de continuidade de negócio e reputação. “A pergunta que as organizações precisam fazer não é ‘quanto eu preciso gastar’, mas ‘qual é a minha aversão ao risco’ e se elas conhecem o risco que pode afetar sua organização”, diz Georgia.
A preparação leva tempo; por isso, é preciso agir agora. Empresas que esperarem a computação quântica se tornar onipresente para agir estarão atrasadas. Existe o conceito de “roube agora, quebre depois”, onde dados criptografados hoje são coletados por criminosos para serem decifrados no futuro.
Gastar fortunas em ferramentas de prateleira não garante proteção se não houver estratégia. A governança é o que diferencia um incidente de uma crise fatal. “Segurança não é um produto… você não entra na Amazon e compra 2 kg de segurança. Segurança é um processo contínuo”, lembra Fábio Maia. Para empresas que desejam sobreviver à “Tempestade Perfeita”, Fábio e Georgia sugerem três ações imediatas:
O Brasil deixou de ser uma “periferia geopolítica” segura, lembra Fábio Maia. Com a fragmentação da ordem internacional e a disputa por recursos como terras raras (onde o Brasil é a segunda maior reserva mundial), o país torna-se um alvo estratégico. A infraestrutura crítica — energia, transportes e saneamento — é particularmente vulnerável. Ele observa que, enquanto o setor financeiro é um “veterano de guerra” acostumado a ataques, outros setores industriais ainda estão despertando para a gravidade do problema. A colaboração público-privada e a troca de informações entre setores são vitais para a soberania nacional.
A cibersegurança, lembra Georgia, deve ser incorporada no início de qualquer processo corporativo (security by design). Mais do que contratar profissionais, as empresas precisam de uma mudança de postura: aceitar que serão atacadas e construir resiliência para responder rápido e garantir a continuidade da operação.
A construção de resiliência passa por uma aproximação das empresas a centros como o CISSA, para “respirar pesquisa”, uma forma de criar uma cultura de inovação em segurança. O CISSA atua como o catalisador desse novo ecossistema, unindo startups, academia e grandes corporações para transformar o risco em oportunidade de inovação tecnológica.
A cibersegurança deixou de ser uma questão operacional de TI para tornar-se elemento do negócio, porque os riscos podem quebrar uma organização do dia para a noite, lembram os especialistas do CISSA em um debate estratégico.
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