A promessa da Inteligência Artificial (IA) esbarra em uma realidade dura: muitas iniciativas corporativas estagnam ou não geram resultados concretos. Como Head de Inovação e IA na WPP Media Services (WMS), e após entrevistar dezenas de marcas, percebi que o problema não é a tecnologia em si, mas como a adotamos. Um estudo do MIT com a BCG chama isso de “purgatório dos pilotos”: projetos que funcionam como experimentos, mas nunca escalam ou se integram às operações do negócio.
Embora 9 em cada 10 executivos vejam a IA como estratégica (MIT/BCG), somente 1 em 10 obtém ROI significativo. Um estudo recente da Gartner (2025) reforça que menos da metade dos projetos de alta maturidade em IA duram mais de três anos. No Brasil, executivos dos mais variados segmentos relatam: “não sabemos como nossos profissionais usam a IA”, “treinamentos desconectados da prática”, “IA para o óbvio, não para vantagem competitiva”. Isso escancara gargalos: governança fraca, colaboração insuficiente e educação desconectada. O problema é a falta de integração entre pessoas, processos e propósito.
Para sair do “purgatório”, empresas precisam desenvolver seis pilares integrados: tecnologia, governança, dados, colaboração, educação e mensuração. Embora muitos avancem em tecnologia ou dados, poucos alinham todos. Os mais negligenciados são governança, colaboração e educação, e por eles recomendo começar.
A governança é a espinha dorsal. Criar um Conselho de IA (AI Council) é essencial para dar clareza, ritmo e autonomia para aprovar experimentos, definir padrões e criar um ambiente seguro para testes. O envolvimento direto da liderança é indispensável para a IA ser tratada como prioridade estratégica.
A colaboração é crítica. Áreas como marketing, tecnologia, dados e criação devem trabalhar juntas desde o início, cocriando e testando. Silos perdem velocidade; a integração valida hipóteses mais rapidamente e gera resultados concretos, aproximando a IA da prática do negócio.
A educação é o pilar mais desafiador. Não basta treinar; é preciso capacitar para aplicar o conhecimento de forma prática e autônoma. A educação em IA deve ser contínua, aplicada, escalável e com métricas que conectem o aprendizado aos resultados. Quando orientada a desafios reais, gera times mais confiantes, produtivos e orientados por dados.
Pesquisas indicam que mais de 40% dos projetos de IA serão descontinuados até 2027 por falta de governança, custos e dificuldade de mensurar valor. O problema não é a tecnologia, mas como ela é adotada, medida e governada. Empresas que entendem a IA como uma transformação organizacional — e não somente como uma ferramenta — são as que extraem vantagem competitiva real. Sair do “purgatório dos pilotos” exige maturidade, alinhamento e visão sistêmica: só quando tecnologia, cultura e gestão caminham juntas é que a IA deixa de ser promessa e se torna resultado.
Como começar com foco:
A era da “IA como caixa mágica” ficou para trás. O que gera impacto é a Inteligência Artificial inserida em processos, governada, colaborativa e mensurável. Para melhores resultados, empodere as pessoas — seus colaboradores — e não apenas atualize seus modelos.
Quando implementada consistentemente, a IA deixa de ser um dilema e se transforma em um diferencial competitivo. Isso exige método, cultura organizacional e execução disciplinada. É uma jornada contínua de aprendizado e adaptação, onde o verdadeiro valor da IA reside na sua capacidade de transformar não só tarefas, mas toda a organização.
(*) Alexandre Kavinski, líder de Inovação e IA na WPP Media Services - WMS
Estudo da Deloitte mostra que as empresas tocam várias transformações ao mesmo tempo, mas ainda tratam a gestão de mudança como custo de projeto. O preço aparece em esgotamento, saídas de talentos e valor perdido
Estudo do BCG revela um abismo de 41 pontos na percepção de confiança. A falta de transparência sobre a IA já afeta o empenho das equipes, enquanto os líderes olham para outro lado
O Walmart define quanto agentes de compras podem gastar. Incidentes na OpenAI e um ataque investigado pela Microsoft mostram por que controlar permissões importa tanto quanto concedê-las.
Relatório do Milken Institute com mais de 50 líderes mostra como IA, nova infraestrutura de cuidado, aprendizagem contínua e laços entre gerações vão definir a qualidade dos anos ganhos
Pesquisador da Goodfire desafia uma premissa da interpretabilidade ao afirmar que as redes neurais são mais legíveis do que se imaginava. A comunidade científica ainda quer provas.
Pela primeira vez, pesquisa do Google Cloud com a IDC compara a realidade de médias e grandes empresas da AL sobre estratégia de IA. Todas planejam utilizar agentes de IA nos próximos dois anos; só 8% já os levaram à operação.
Aproveite nossas promoções de renovação
Clique aquiPara continuar navegando como visitante, vá por aqui.
Cadastre-se grátis, leia até 5 conteúdos por mês,
e receba nossa newsletter diária.
Já recebe a newsletter? Ative seu acesso
