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Estudo da Mercer mostra que trabalhadores estão sendo deixados no escuro sobre o impacto da IA. O vácuo de liderança está minando a confiança e o engajamento (Crédito: Freepik)
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Liderança ausente é maior ameaça a trabalhadores do que IA

A verdadeira ameaça à força de trabalho não é a automação, mas a falta de direção das lideranças

Os trabalhadores querem respostas sobre a adoção da IA no ambiente de trabalho. Mas as respostas não estão chegando. Essa falta de comunicação, que a Mercer atribui ao “vácuo de liderança”, cria um descompasso entre o ritmo com que a IA está avançando, e a adaptação da força de trabalho. E essa falta de sincronia faz crescer a ideia de que a “IA é uma ameaça”.

A pergunta “Se a IA é realmente o salvador que prometem, por que tudo ainda parece tão quebrado no trabalho?” abre o estudo “HR Technology’s Impact on the Workforce: Special AI Edition”, que ouviu 8.500 trabalhadores em 10 países. Hoje, menos de 30% dos trabalhadores acreditam que suas empresas irão guiá-los sobre as habilidades que precisarão no futuro, e menos de 20% afirmam que seu gestor falou com eles sobre o impacto da IA no trabalho. Ou seja, CEOs, RH e gestores e todos que deveriam liderar o avanço da IA não estão falando com quem está na ponta. Os profissionais questionam e recebem o silêncio que, em momentos de mudança, vira combustível para ansiedade.

Pior: o relatório mostra que quando CEOs falam sobre IA, o nível de preocupação dos funcionários aumenta.

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Mas quando quem fala é o gestor direto, a ansiedade diminui. Por quê? A confiança está mais próxima da linha de frente. Os colaboradores são 2,5 vezes mais propensos a confiar nos colegas do que nos CEOs, segundo o Edelman Trust Barometer.

Segundo a Mercer, “a promessa da IA é enorme, mas os trabalhadores estão sendo deixados para descobrir sozinhos o que ela significa para seu trabalho hoje e seu valor amanhã”.

Um dos achados mais importantes do levantamento desmonta a narrativa de que “todo mundo tem o mesmo risco com IA”. Não tem. Setores e níveis hierárquicos são impactados de maneiras radicalmente diferentes:

Mas quem está mais ansioso? Os líderes.

  • 62% dos executivos têm medo de testar nova tecnologia porque acham que ela pode tomar seus empregos.
  • Entre profissionais de nível sênior e juniores, a preocupação é bem menor.

O relatório mostra que as pessoas que mais precisam oferecer direção estão mais ocupadas tentando gerenciar o próprio medo. Isso amplia o silêncio, alimenta incertezas e paralisa a transformação.

O papel da cultura: não há upskilling possível em ambientes quebrados

A Mercer mostra que reskilling e upskilling não dependem só de cursos: dependem de cultura organizacional.

Os dados mostram que quando os colaboradores sentem que a empresa está investindo neles, isso aumenta o senso de pertencimento e a motivação para aprender. Em compensação, quando a cultura da empresa está “quebrada”

  • Pessoas que acreditam ser pagas de forma justa são 1,8 vez mais propensas a dedicar mais de 15% do tempo à aprendizagem.
  • Quem não sente orgulho da empresa é 5,5 vezes mais propenso a não investir nenhum tempo em adquirir novas skills.
  • Quem tem um gestor que apoia a carreira, mesmo que isso signifique perder o talento para outra área, aprende mais.

Não adianta oferecer cursos de IA se as bases da cultura – justiça, confiança, pertencimento – estão erodidas.

 

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