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Primeira brasileira finalista do Global Teacher Prize, Débora Garofalo defende a tecnologia como objeto de ensino e inspiração para transformar vidas na periferia (Crédito: Divulgação)
ENTREVISTA

Uma aula de como transformar sucata em futuro

A primeira brasileira finalista do Global Teacher Prize mostra como tecnologia, inovação e criticidade podem transformar a educação pública e dar voz às periferias

Por Soraia Yoshida 03/10/2025

Desde cedo, Débora Garofalo entendeu que a Educação era um caminho de transformação. Durante sua formação em escolas públicas na zona sul de São Paulo, ela encontrou professores que acreditaram nos alunos e colegas com dificuldade em aprender, para quem explicava conteúdos numa lousa pequena que carregava. “Eu sempre vi a Educação como uma possibilidade de transformar o mundo e a sociedade para algo muito melhor”, lembrou ela durante esta entrevista. “E, hoje, nós temos diversos dados que comprovam isso: que a educação é a base da transformação de qualquer sociedade”.

A transformação começou em 2008, quando “pisou no chão da sala de aula”, e ganhou corpo em 2013, quando já concursada pela Prefeitura de São Paulo, começou a dar aulas de Língua Portuguesa e Inglês. Mas foi outro tipo de aula na EMEF Almirante Ary Pereira, entre quatro comunidades vulneráveis da capital paulista, que lançaria as bases do projeto Robótica com Sucata. Após ouvir dos alunos que o maior problema da comunidade era o lixo, ela estruturou um projeto que envolvia a limpeza e encontrar materiais recicláveis para trabalhar em sala de aula, aprendendo Robótica, fazendo dos estudantes os protagonistas da história.

Durante o período em que Débora Garofalo atuou com o projeto na escola, houve redução de 95% do trabalho infantil e de 93% da evasão escolar, elevação do Ideb de 4,2 para 5,2, além da retirada de mais de uma tonelada de lixo das ruas. Mais do que números, surgiram histórias como a de William, aluno que chegou ao oitavo ano sem saber ler nem escrever, mas que, ao construir um helicóptero de sucata, pediu à professora: “Se eu voltar aqui todo dia depois da aula, você me ensina a ler e a escrever?”. Ele aprendeu, terminou o Ensino Médio e hoje cursa Física na USP.

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