The Shift

Atendimento ao cliente e IA: o que era custo agora pode gerar receita

Pesquisa mostra que consumidores pesquisam mais, usam IA para decidir compras e esperam experiências rápidas, personalizadas e proativas das marcas (Crédito: Freepik)

A transformação que a Inteligência Artificial (IA) provoca na forma como os consumidores pesquisam produtos, interagem com marcas e resolvem problemas está acontecendo três frentes simultâneas: novos comportamentos do consumidor, novas capacidades tecnológicas e novas expectativas sobre experiência do cliente (CX). O resultado é o que a Deloitte chama de “Age of Intelligent Experience”, uma era em que interações são cada vez mais proativas, personalizadas e automatizadas por IA, mas ainda dependem de confiança e supervisão humana.

Outros dois estudos, da Adobe e da CX Network, ajudam a desenhar esse novo panorama da experiência, que vem da exigência dos consumidores por experiências extremamente rápidas e ainda assim relevantes. O relatório “AI and Digital Trends Consumer Report” aponta como a tolerância para mensagens irrelevantes ou experiências confusas tornou-se mínima.

Segundo a pesquisa global com 4 mil consumidores, realizada pela Oxford Economics, a experiência do cliente (CX) se tornou um processo contínuo de micro-interações. Algumas métricas ilustram bem essa mudança:

CADASTRE-SE GRÁTIS PARA ACESSAR 5 CONTEÚDOS MENSAIS

Já recebe a newsletter? Ative seu acesso

Ao cadastrar-se você declara que está de acordo
com nossos Termos de Uso e Privacidade.

Cadastrar

Quem erra é punido rapidamente. Quase 45% dos consumidores dizem que deixam de interagir com uma marca quando recebem promoções em excesso, mesmo que o conteúdo seja relevante. Metade dos consumidores também abandona interações quando a personalização parece imprecisa ou fora de contexto, evidenciando que personalização sem inteligência contextual pode gerar o efeito contrário.

 

Consumidores pesquisam mais e cada vez mais com IA

A IA provoca uma mudança profunda na etapa de pesquisa antes da compra. Os consumidores estão se tornando mais autônomos na busca por informação, muitas vezes utilizando IA como assistente. O estudo da Adobe mostra que:

Isso indica que o papel das marcas no processo de decisão está mudando. Em vez de convencer o consumidor apenas com publicidade, as empresas precisam fornecer dados, conteúdo e recomendações que funcionem dentro de ecossistemas de IA. Esse fenômeno também aparece no relatório “The State of CX in 2026”, que afirma que a descoberta de produtos e serviços está sendo redefinida por ambientes conversacionais e algoritmos de IA, criando novas regras de visibilidade e relacionamento entre consumidores e marcas.

Os três relatórios apontam que a transformação do CX não depende apenas da adoção de ferramentas de IA. Ela exige uma nova arquitetura operacional baseada em

A Deloitte destaca que a combinação de dados, automação e colaboração humano-IA será a base das experiências inteligentes do futuro, exigindo novas estratégias tecnológicas e organizacionais. Já o relatório da CX Network afirma que as organizações que estiverem dispostas a liderar essa transformação devem orquestrar experiências completas entre múltiplos canais e interações, usando IA como um sistema central de coordenação.

 

A ascensão da IA no atendimento ao cliente

O Atendimento ao Cliente é uma das áreas mais impactadas pela integração da IA. Segundo o relatório da Adobe:

A preferência ocorre principalmente em interações rotineiras como respostas rápidas a perguntas simples, notificações, lembretes e agendamentos. Nesses casos, velocidade e conveniência são mais importantes do que interação humana.

Mas isso não significa que humanos desaparecerão do atendimento. O mesmo estudo mostra que 70% dos consumidores dizem que é importante que recomendações feitas por IA pareçam “humanas” e naturais. Ou seja, a experiência precisa ser automatizada, mas não impessoal.

O setor de Atendimento ao Cliente está entrando em sua terceira grande transformação tecnológica. Segundo o relatório “The Future of Service”, o modelo evoluiu em três fases:

  1. Sistemas on-premise (anos 2000)
    • dados isolados
    • pouca integração
  2. Cloud e SaaS (anos 2010)
    • automação
    • personalização maior
  3. IA agêntica (2025 em diante)
    • sistemas capazes de perceber, decidir e agir autonomamente.

Nessa nova fase, a IA vai além de responder perguntas: ela resolve problemas de forma proativa. Entre as capacidades destacadas estão:

Isso representa uma mudança radical: o melhor atendimento pode ser aquele que evita que o cliente precise pedir ajuda. O impacto potencial é significativo:

 

O atendimento deixa de ser custo e vira fonte de receita

Com todas essas mudanças estruturais, o Atendimento ao Cliente muda de lugar na planilha: sai de custo operacional para novas possibilidades, que incluem a geração de valor. Com a IA, o setor pode trazer recomendações personalizadas durante o atendimento, cross-sell e upsell automatizados, insights preditivos sobre necessidades do cliente Segundo o relatório da Deloitte:

Isso transforma o atendimento em um canal ativo de relacionamento e vendas. Os executivos ouvidos pelo relatório “CX Horizons 2026” apontam as maiores transformações:

Além disso, métricas tradicionais de CX estão mudando. Em vez de apenas medir satisfação, empresas passam a priorizar retenção de clientes, crescimento de receita e valor do relacionamento no longo prazo.

Em um ambiente em que consumidores têm acesso a mais informação, mais ferramentas de comparação e mais canais de interação, marcas precisam ir além de preços ou produtos. Precisam oferecer experiências que sejam rápidas, relevantes, personalizadas, transparentes e confiáveis. A IA, nesse contexto, funciona como um sistema que veio para redesenhar toda a jornada do cliente.