The Shift

Da infraestrutura de IA às finanças tokenizadas: como a Gande Aceleração já está redesenhando a economia

Mais do que uma onda de inovação, a convergência entre IA, blockchain, robótica e energia aponta para uma nova base de crescimento econômico e vantagem competitiva. (Crédito: Freepik)

Chá revelação 2026: não estamos diante de uma onda cíclica de inovação. Existe uma mudança de regime econômico, um cenário geopolítico complexo e a convergência entre cinco grandes plataformas tecnológicas: Inteligência Artificial (IA), blockchains públicos, Robótica, Armazenamento de Energia e Multiômica. A conjunção cria uma base tecnológica capaz de

Essa é a tese da ARK Invest, contida na 10ª edição do relatório “Big Ideas 2026”, que se traduz em uma fase de “Grande Aceleração” (Great Acceleration), uma aceleração estrutural em produtividade, investimentos e criação de valor.

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Segundo Brett Winton, Chief Futurist da ARK, essa convergência está criando um efeito de retroalimentação: avanços em uma plataforma destravam saltos de desempenho em outra, gerando um ciclo de inovação mais rápido do que qualquer período histórico comparável. A métrica proprietária da ARK, chamada Convergence Network Strength, subiu 35% apenas em 2025, indicando que as tecnologias estão se catalisando mutuamente em ritmo crescente.

A ARK projeta que os investimentos em plataformas disruptivas como data centers de nova geração, robotáxis e agentes de IA corporativos podem adicionar 1,9 ponto percentual ao crescimento anual do PIB real global nesta década. Considerando efeitos secundários (como ganhos de produtividade e novas formas de capitalização), o crescimento real poderia superar as previsões do FMI em mais de 4 pontos percentuais por ano até 2030. No cenário-base da ARK, o crescimento do PIB real global poderia alcançar 7,3% ao ano até 2030, contra 3,1% projetados pelo FMI.

 

Infraestrutura de IA: a espinha dorsal da próxima geração da nuvem

A infraestrutura de IA aparece como o núcleo físico da “Great Acceleration”. A ARK destaca que os custos de inferência de modelos de IA caíram mais de 99% em apenas um ano, impulsionando uma explosão no volume de tokens processados por empresas e desenvolvedores. No lado do investimento:

A ARK argumenta que os modelos fundacionais estão se consolidando como uma nova camada do stack da internet, transformando a forma como os consumidores interagem com serviços digitais. A penetração de chatbots de IA entre usuários de smartphones está crescendo mais rápido do que a penetração da internet entre usuários de PCs nos anos 1990–2000. Essa mudança está encurtando radicalmente o funil de compras: o tempo médio para concluir uma transação caiu de cerca de 1 hora na era pré-internet para pouco mais de 90 segundos na era dos agentes de IA.

Em termos de impacto econômico:

 

Produtividade de IA: o colapso do custo da inteligência

No campo da produtividade, a ARK mostra que os agentes de IA estão se tornando capazes de executar tarefas cada vez mais longas e complexas: a duração média de tarefas concluídas com 80% de taxa de sucesso saltou de 6 minutos para 31 minutos em 2025 — um aumento de mais de 5 vezes.

O custo da inteligência despencou: 

Em termos macroeconômicos:

 

The AI Consumer Operating System: a nova camada da internet

A ARK argumenta que os modelos fundacionais estão se consolidando como uma nova camada do stack da internet, transformando a forma como consumidores interagem com serviços digitais. O ritmo de adoção impressiona: a penetração de chatbots de IA entre usuários de smartphones está crescendo mais rápido do que a penetração da internet entre usuários de PCs nos anos 1990–2000.

Essa mudança está encurtando radicalmente o funil de compras: o tempo médio para concluir uma transação caiu de cerca de 1 hora na era pré-internet para aproximadamente 90 segundos na era dos agentes de IA. Em termos de impacto econômico:

A receita direta associada a esse ecossistema (assinaturas, publicidade e geração de leads) pode crescer de cerca de US$ 20 bilhões hoje para em toro de US$ 900 bilhões em 2030, a uma taxa anual composta de cerca de 105%.

Bitcoin, ativos tokenizados, apps de DeFi

A ARK descreve 2025 como o ano em que o Bitcoin (BTC) consolidou sua posição como ativo institucional maduro.

O perfil de risco também mudou:

A migração de dinheiro, contratos e ativos financeiros para blockchains públicos tende a colapsar custos de custódia, liquidação e compliance. As stablecoins são vistas como ponte entre o sistema financeiro tradicional e as redes descentralizadas, viabilizando a tokenização em escala de títulos, imóveis, commodities e instrumentos de crédito.

Esse ponto converge com a tese da a16z (“Big Ideas 2026”), que também projeta que a tokenização pode destravar trilhões de dólares em liquidez em ativos hoje ilíquidos, como por exemplo crédito privado, créditos de carbono, imóveis etc.

Para a ARK Invest, as Finanças Descentralizadas (DeFi) deixam de ser apenas um experimento especulativo e se aproximam de uma infraestrutura financeira paralela. A visão central contida no relatório:

O relatório também aponta que carteiras digitais irão evoluir para agentes de compra baseados em IA, capazes de intermediar transações financeiras e comerciais automaticamente, conectando diretamente a DeFi ao ecossistema do AI Consumer OS.

 

Agentes como “trabalhadores digitais”: o ROI começa a ficar explícito

A ARK quantifica algo raro em relatórios de IA: retorno direto sobre investimento (ROI). O relatório leva a discussão sobre IA para fora do campo “experimental” e entra no campo de economia operacional mensurável, algo crucial para destravar adoção em massa em empresas.

 

Multiomics: quando biologia vira software programável

A ARK trata Multiomics como uma das cinco plataformas centrais da “Great Acceleration”, ao lado de IA, blockchains públicos, robótica e armazenamento de energia. A tese é que o custo para coletar, sequenciar e interpretar dados biológicos digitais está caindo de forma tão rápida que a biologia começa a se comportar como uma camada computacional. O relatório não enxerga a Multiômica apenas como “mais uma biotecnologia”, mas como uma infraestrutura de dados biológicos que, combinada com IA, pode tornar a descoberta científica mais parecida com engenharia de software: rápida, iterativa e escalável.

Segundo o relatório, tecnologias multiômicas já estão dando acesso sem precedentes a DNA, RNA, proteínas e dados digitais de saúde, abrindo caminho para:

A ARK argumenta que, alimentados por dados multiômicos ricos e por biologia programável, sistemas de IA podem transformar um setor historicamente ineficiente. A indústria farmacêutica, por exemplo, sofre com ciclos longos e custos elevados de P&D, mas a automação desses processos pode alterar estruturalmente o retorno sobre capital do setor.

Além da saúde, o relatório aponta efeitos de segunda ordem:

Robótica: da fábrica ao espaço, uma nova plataforma econômica

No “Big Ideas 2026”, a ARK define Robótica como uma plataforma nascente capaz de colapsar três grandes categorias de custo: trabalho físico, complexidade industrial e transporte ao longo de grandes distâncias. Para a ARK, robótica não é só automação industrial, é uma infraestrutura física universal, que conecta fábricas, lares, logística e até a nuvem, com potencial de redefinir produtividade em escala macroeconômica.

O relatório destaca três vetores principais:

1. Robôs humanoides

Catalisados por IA, os robôs humanoides devem operar ao lado de humanos e navegar em infraestruturas legadas — fábricas, hospitais, armazéns e até residências.  Segundo a ARK, esses sistemas podem:

Um dos exemplos macroeconômicos mais fortes do relatório é o impacto doméstico:

2. Robôs especializados

A ARK projeta a proliferação de robôs industriais, cirúrgicos e de armazém à medida que a IA colapsa o custo de integração desses sistemas. Isso viabiliza:

3. Foguetes reutilizáveis

O relatório também inclui foguetes reutilizáveis como parte da plataforma robótica. Os dados mais contraintuitivos:

 

Energia distribuída: a base invisível da Great Acceleration

Embora receba menos atenção midiática que IA ou bitcoin, energia distribuída aparece no relatório como uma peça estrutural sem a qual a Great Acceleration não se sustenta. Para a ARK, energia distribuída não é um “tema ESG”, mas um pré-requisito econômico para escalar IA, robótica e nuvem em ritmo exponencial. Sem ela, a Great Acceleration simplesmente bate no teto físico da rede elétrica.

A ARK destaca que:

O relatório aponta três eixos principais:

1. Baterias avançadas e mobilidade autônoma

A redução no custo de baterias deve:

2. Geração distribuída

Segundo a ARK, a combinação de:

3. Infraestrutura para a nuvem de próxima geração

O relatório também conecta energia distribuída diretamente à infraestrutura de IA:

Se a primeira fase da IA foi sobre modelos e chatbots, a segunda – descrita no “Big Ideas 2026″– é sobre infraestrutura, capital físico e reconfiguração econômica. De data centers trilionários a robôs domésticos, de agentes que já entregam ROI mensurável a blockchains que se fundem com a IA, o que está em jogo não é só produtividade, mas a própria forma como o crescimento global é contabilizado. A Great Acceleration, como define a ARK, não é um hype tecnológico: é uma mudança de regime.