Em tempos de transformação acelerada, liderar não é mais sobre ser o mais inteligente na sala, mas sim tornar a sala mais inteligente, diz Adam Grant, especialista em Psicologia Organizacional e professor da Wharton School na Universidade da Pensilvânia. “O futuro não pertence aos colecionadores de fatos, mas sim aos conectores de pontos”, diz ele neste vídeo.
De acordo com Adam Grant, autor de “Pense de Novo” e “Potencial Oculto”, o conceito de liderança está passando por uma mudança fundamental. Tradicionalmente, o foco era promover aqueles que demonstravam habilidades técnicas e acumulavam conhecimento. No entanto, com o avanço da tecnologia e o crescimento da automação, a informação se tornou uma commodity. Vem daí, portanto, a importância maior de conectar fatos e pessoas.
Grant enfatiza que grandes líderes são aqueles que fazem perguntas importantes, em vez de simplesmente dar respostas definitivas. A arte de questionar, segundo ele, permite descobrir oportunidades ocultas e criar um ambiente em que a inovação emerge naturalmente. “O sucesso de um líder não depende da quantidade de respostas que ele dá, mas da qualidade das perguntas que ele faz”, afirma.
Essa mudança de mindset é muito importante em um mundo onde a Inteligência Artificial (IA) está redefinindo o trabalho. Segundo o relatório “Future of Jobs 2025”, do Fórum Econômico Mundial, 70% das habilidades usadas na maioria dos empregos mudarão até 2030, impulsionadas principalmente por tecnologias emergentes e práticas colaborativas.
Para Grant, a habilidade mais importante para líderes não é a capacidade técnica, mas a agilidade mental – a capacidade de adaptar-se rapidamente às mudanças, liderar inovações e fomentar culturas abertas à experimentação. Ele menciona um insight obtido em uma conversa com Larry Page, cofundador do Google, que destacou o medo de que a empresa se tornasse um “museu cultural”, preservando práticas obsoletas enquanto o mundo avançava. “Precisamos destruir as vitrines que exibem nossas práticas antigas e criar novas práticas constantemente”, disse Page ao professor da Wharton.
Grant também alerta para um problema comum nas organizações: a promoção baseada em confiança ao invés de competência. Ele cita o “Efeito Babel”, que demonstra como pessoas que falam mais em reuniões são frequentemente vistas como líderes, mesmo quando não possuem as competências necessárias.
O futuro da liderança, sugere Adam Grant, depende de uma postura mais colaborativa e menos hierárquica. Em vez de se concentrar em autoridade, líderes precisam ser facilitadores do aprendizado contínuo e da inovação. Ele cita o exemplo da Corning Incorporated, que desenvolveu um programa para reconhecer funcionários que não apenas lideram projetos, mas também contribuem para o sucesso dos outros. Para alcançar o reconhecimento máximo, é necessário ser coautor em inovações lideradas por outros. “Liderança não é sobre estar no topo, mas sobre elevar os outros ao longo do caminho”.