The Shift

O futuro dos pagamentos no Brasil não é escolha. É integração

Com 95% da população no Pix e US$ 166 bilhões em vendas via cartão, o país consolida um modelo multirail que redefine inclusão, recorrência e B2B (Crédito: Agência Brasil)

O Brasil é um dos mercados mais sofisticados entre as economias emergentes quando se trata de pagamentos. O Pix lidera em inclusão e conversão, os cartões dominam alto valor e parcelamento, o parcelamento impulsiona receita e ticket médio e a recorrência evolui com o Pix Automático e anual parcelado. As pequenas e médias empresas estão se digitalizando via bancos digitais e Pix. E as stablecoins se consolidam como instrumento financeiro relevante.

Esse é o cenário que emerge do relatório “The Local Pulse of Global Pyaments”, do EBANX, mostrando um país que não escolheu entre cartão e pagamentos instantâneos e sim pela integração de sistemas, adicionando novas camadas para tornar os pagamentos cada vez mais fluidos e sem fricção.

O estudo analisa como cartões, meios alternativos de pagamento (APMs), infraestrutura de conta a conta (A2A) e stablecoins estão redesenhando a experiência digital em regiões como América Latina, África e Sudeste Asiático. A análise destaca que os APMs deixaram de ser ferramentas de pagamento único para se tornarem infraestruturas completas de recorrência.

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No Brasil, o Pix consolidou-se como infraestrutura central da economia digital. Segundo o relatório:

Em outros mercados:

 

Cartões continuam estratégicos, parcelamento é vantagem

Apesar da ascensão do Pix, os cartões seguem centrais no Brasil:

No entanto, o grande diferencial brasileiro está no parcelamento. O modelo de pagamento em parcelas continua sendo uma engrenagem fundamental da economia digital brasileira. Dados do relatório mostram que:

Além disso, em um cenário de desvalorização cambial de 20% frente ao dólar, o parcelamento ajudou a preservar o poder de compra e sustentar o crescimento. O relatório mostra que ignorar o parcelamento na América Latina, principalmente no Brasil, significa abrir mão de parte substancial do mercado potencial.

 

Recorrência evolui: Pix Automático entra em cena

Lançado em julho de 2025, o Pix Automático representa a nova fase da infraestrutura instantânea brasileira. O relatório mostra que o modelo não canibaliza cartões, ele amplia a base de consumidores recorrentes. Isso acontece porque o modelo do Pix Automático é construído sob lógica de defesa do consumidor:

Apesar da curva inicial de aprendizado, os resultados já são expressivos:

Em termos de recorrência no cartão, as empresas de assinatura no Brasil estão migrando de cobranças mensais recorrentes para planos anuais pagos em parcelas. A razão é operacional:

O desafio, porém, está no limite de crédito:

Ainda assim, o modelo tem se mostrado eficiente para estabilizar o churn e melhorar a previsibilidade de receita.

 

Digitalização das PMEs: o efeito Pix nas empresas

O impacto do Pix no Brasil vai além do consumo e atinge também o B2B. Segundo o relatório do EBANX:

O Brasil mostra que a inclusão empresarial ocorre via múltiplos trilhos: Pix, boleto e cartões convivem.

 

Stablecoins: protagonismo brasileiro no cenário cripto

O Brasil é o principal mercado cripto da América Latina. Dados relevantes do relatório mostram que:

No Brasil, a predominância de stablecoins reforça o uso como ferramenta de proteção cambial e instrumento para compras internacionais. Quando se olha para o ecossistema de pagamentos, fica claro que o futuro é híbrido, técnico e permeado por soluções locais, que atendem a demanda dos negócios brasileiros.