Os investimentos em software, hardware e serviços de TI no Brasil atingiram US$ 67,8 bilhões em 2025, colocando o país na 10ª posição no ranking global. Se o mercado brasileiro de Tecnologia da Informação (TI) repetiu sua marca do ano passado, por outro avançou em alguns pontos, como aponta o relatório “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026”. O levantamento, elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com o IDC, mostra que apesar das incertezas econômicas e políticas, o setor segue em expansão e continua sendo puxado por tendências estruturais como Computação em Nuvem, Inteligência Artificial e digitalização dos negócios.
O mercado brasileiro cresceu mais rápido que a média mundial em 2025. De acordo com os dados do relatório, o mercado brasileiro cresceu 18,5%, enquanto a média mundial ficou em 14,1%. Esse desempenho acima da média internacional reflete uma combinação de fatores, como aumento da digitalização das empresas, investimentos em infraestrutura tecnológica e a adoção acelerada de novas tecnologias. “Software e serviços mantiveram o ritmo de crescimento esperado. Mas o que surpreendeu foi o hardware, que vinha crescendo menos de 5% ao ano e no ano passado cresceu cerca de 20%”, afirmou Jorge Sukarie, conselheiro da ABES e presidente da Brasoftware, durante a apresentação dos dados do relatório.
A explicação para esse salto está diretamente ligada à nova onda de investimentos em IA. “A Inteligência Artificial está impulsionando investimentos em infraestrutura, especialmente data centers e equipamentos necessários para suportar essa tecnologia”, acrescentou Sukarie.
Maturidade e composição do mercado de TI no Brasil
A 22ª edição do relatório detalha também a distribuição dos investimentos no país. Em 2025, o mercado brasileiro de TI se dividiu da seguinte forma:
Hardware
-
- US$ 32,5 bilhões
- 47,9% do total
Software
- US$ 21,7 bilhões
- 32,1% do total
Serviços de TI
- US$ 13,6 bilhões
- 20% do total
Esse perfil revela uma característica típica de mercados ainda em processo de amadurecimento tecnológico: uma participação relativamente alta de hardware. Mesmo assim, a presença crescente de software e serviços indica uma evolução gradual do ecossistema digital.
O estudo também analisa o chamado grau de maturidade dos investimentos em TI, que mede o nível de desenvolvimento digital de um mercado. Nesse indicador, países mais avançados tendem a investir mais em software e serviços, áreas associadas a inovação, desenvolvimento de aplicações e transformação digital. A média global de investimentos em TI apresenta a seguinte distribuição:
- Hardware – 47%
- Serviços – 22%
- Software – 31%
Segundo Sukarie, o Brasil está alinhado com a estrutura global do setor. “O Brasil está praticamente gabaritando a média mundial. Isso mostra que estamos evoluindo e nos aproximando do padrão internacional de investimentos”, disse. Nos mercados mais desenvolvidos, porém, a participação de software e serviços tende a ser ainda maior.
Brasil: um mercado cada vez mais estratégico
Com mais de duas décadas de acompanhamento do setor, o estudo da ABES e do IDC mostra que o mercado brasileiro de tecnologia atingiu um novo nível de relevância. Além de representar um dos maiores mercados do mundo, o Brasil também se consolidou como o principal mercado da América Latina. Em 2025, os investimentos em TI na região totalizaram US$ 176,6 bilhões, e o Brasil respondeu por 38,4% desse total, consolidando-se como o maior mercado da região. Em segundo lugar aparece o México, seguido pela Colômbia. A Argentina, que anteriormente ocupava a terceira posição, perdeu espaço devido à instabilidade econômica.
Segundo Sukarie, esse cenário reforça a importância estratégica do Brasil no ecossistema tecnológico latino-americano. “É difícil considerar a América Latina sem ter um olhar especial para o Brasil. O país representa quase 40% do mercado de tecnologia da região.”
Ao mesmo tempo, os dados indicam que o Brasil ainda possui espaço considerável para crescer. Se o país conseguir ampliar os investimentos em inovação e infraestrutura digital, poderá aproximar sua participação no mercado global de tecnologia do peso real de sua economia. Para investidores internacionais, isso significa que qualquer estratégia de expansão na região precisa necessariamente considerar o Brasil como mercado prioritário.
Como resumiu Sukarie durante a apresentação do estudo: “O Brasil tem todas as condições de assumir um protagonismo maior no setor de tecnologia. O potencial está colocado.”
O mercado de TIC no Brasil
Quando se amplia o olhar para todo o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), que inclui TI e Telecomunicações, o peso do Brasil continua evidente. Em 2025:
- O mercado global de TIC atingiu US$ 5,57 trilhões
- O Brasil respondeu por US$ 97 bilhões, mantendo a 9ª posição mundial
Esse resultado reforça o papel do país como um dos principais polos tecnológicos entre economias emergentes. Por outro lado, também levanta questionamentos sobre a participação brasileira no mercado global de TI ainda estar abaixo de seu peso econômico. Segundo dados citados na apresentação, o PIB brasileiro representa cerca de 2% da economia global; já os investimentos em TI correspondem a apenas 1,6% do total mundial.
Isso indica um espaço significativo para expansão. “Se a participação do Brasil em tecnologia fosse proporcional ao peso do PIB global, teríamos cerca de US$ 20 bilhões adicionais em investimentos em TI”, notou Jorge Sukarie Neto. Esse crescimento potencial poderia gerar efeitos positivos em toda a economia. “Isso significaria mais empregos, mais arrecadação e mais protagonismo do Brasil no mercado global de tecnologia.”
Apesar do crescimento recente, o relatório aponta que o ritmo de expansão do setor deve desacelerar em 2026. A expectativa é que os investimentos em TI no Brasil cresçam 5,3%, abaixo da média global prevista de 9,7%.
Para Sukarie, vários fatores explicam esse cenário mais cauteloso, entre eles:
- incertezas geopolíticas
- inflação persistente em diversos países
- juros elevados
- incertezas econômicas no Brasil
Além disso, fatores específicos do país podem influenciar a dinâmica econômica, como a Copa do Mundo e as eleições presidenciais e estaduais. “2026 é um ano de eleições presidenciais e isso naturalmente traz mais cautela para as empresas”, comentou o executivo.
Outros elementos citados incluem:
- implementação da Reforma Tributária
- cenário político polarizado
- possíveis impactos na produtividade devido ao calendário do ano
Mesmo assim, a expectativa é que tecnologias emergentes continuem turbinando negócios e investimentos. “A nuvem e principalmente a Inteligência Artificial, principalmente a IA Generativa, seguem como os principais vetores de investimento.”