A maioria (73%) das empresas brasileiras possui programas estruturados em inovação aberta, com orçamentos recorrentes, e pelo menos 76% planejam manter ou ampliar investimentos até 2027. Um terço (33%) das empresas mantêm programas contínuos de colaboração com startups, o que posiciona o Brasil como laboratório estratégico de inovação, principalmente em áreas como Inteligência Artificial, automação, eficiência operacional e transição energética, todos temas que vão dominar a próxima onda de colaboração.
As grandes corporações predominam em inovação aberta: 57% das empresas, com mais de 10 mil funcionários, e com presença brasileira (75% das sedes), segundo um relatório da Sling Hubb em parceria com a Torq, hub de inovação da Evertec Brasil. Das 87 corporações identificadas, 65 operam a partir do Brasil, “fazendo do país o centro gravitacional das práticas de colaboração entre grandes empresas e startups”. Mas há enormes oportunidades para explorar: a grande maioria (95%) das organizações que investem em inovação aberta possuem mais de 1.000 funcionários, ou seja, existe um potencial de crescimento entre as PMEs.
Relacionamento maduro com startups
O dado mais expressivo do relatório “Inovação Aberta no Brasil” talvez seja este: a inovação aberta no Brasil não acontece de forma isolada – ela é multicanal e simultânea. Entre as empresas respondentes:
- 91% realizam POCs com startups
- 85% contratam soluções prontas
- 82% firmam parcerias comerciais
- 76% mantêm programas estruturados (aceleração, desafios, corporate venture building)
- 61% investem diretamente ou via CVC
O relacionamento com startups é multiforme, contínuo e estratégico.vO levantamento revela que as corporações brasileiras usam todas as ferramentas disponíveis – da experimentação ao investimento – para inovar junto ao ecossistema de startups.
Ecossistema maduro com eixo dominante SP-RJ-MG
De acordo com dados do estudo, o Brasil não só lidera a inovação aberta na América Latina, como também apresenta uma forte centralização regional. Entre as empresas brasileiras com iniciativas de inovação aberta:
- 46% estão em São Paulo (30 de 65)
- 15% no Rio de Janeiro
- 11% em Minas Gerais
Somados, esses três estados representam 72% das iniciativas nacionais, reforçando o papel do Sudeste como a “capital corporativa” da inovação aberta. A presença, porém, não se limita ao eixo tradicional: Distrito Federal (8%), Santa Catarina (6%) e Rio Grande do Sul (5%) formam um segundo bloco relevante, enquanto Ceará, Maranhão e Paraíba aparecem como pólos emergentes, indicando um início de descentralização.
A maturidade das empresas que atuam com inovação aberta no Brasil é um dos achados mais reveladores da pesquisa da Sling Hub. Segundo o estudo, 57% das empresas mapeadas possuem mais de 10 mil funcionários, como já citado, e 16% têm entre 5 mil e 10 mil. Ou seja, 73% do ecossistema é composto por organizações de grande porte, estruturas naturalmente mais preparadas para sustentar programas robustos, com orçamento e governança dedicada.
Quando olhamos apenas para as 33 empresas que detalharam suas práticas, a foto é ainda mais clara:
- 73% têm iniciativas consolidadas com orçamento recorrente
- 33% operam programas contínuos de inovação aberta
- 24% ainda rodam apenas POCs e pilotos pontuais
- Apenas 9% estão em fase de estruturação
Ou seja: o Brasil já superou o ciclo experimental. A inovação aberta tornou-se estratégica, processual e institucionalizada nas empresas.
Desafios para inovação aberta ainda são internos
Embora haja startups qualificadas e múltiplos modelos de interação, o grande gargalo está dentro das empresas. Os maiores desafios citados são:
- Escalar soluções depois do piloto – 55%
- Cultura avessa ao risco – 52%
- Integração com áreas técnicas – 52%
- Medir impacto e resultados – 48%
- Realizar POCs rapidamente – 45%
- Encaixe orçamentário – 42%
- Encontrar startups com fit – 36%
O que leva a concluir que a dificuldade não está na falta de startups e sim das empresas em absorver inovação.
Setores que lideram inovação aberta
Os setores mais ativos em inovação aberta no Brasil são:
- Finanças – 13% das empresas mapeadas
- Energia – 11%
- Indústria – 11%
Sozinhos, eles representam 35% do ecossistema. Logo atrás, aparecem:
- Educação – 8%
- Saúde – 8%
- Alimentos e Bebidas – 7%
- TI – 7%
Esses sete setores concentram 65% das iniciativas, caracterizando a inovação aberta como uma agenda prioritária especialmente para setores regulados, intensivos em Capex e tradicionais, que buscam renovação por meio da colaboração com startups.
Medição de sucesso: impacto financeiro é o que importa
A cultura de “inovação pela inovação” ficou para trás. Pelo que se pode ver pelos dados, inovação aberta só se sustenta quando gera retorno concreto. O sucesso, para ser identificado, precisa ser contabilizável. A questão é que muitas empresas podem estar errando a mão na hora de medir os resultados trazidos pela inovação.
Os indicadores mais usados pelas empresas são:
- Aumento de receita – 82%
- Redução de custos – 82%
- Engajamento interno – 39%
- Tempo de implementação – 30%
- Não medem – 6%
Orçamento resiliente, mesmo em cenários de incerteza
O estudo mostra um otimismo moderado, mas significativo:
- 43% das empresas afirmam que o orçamento vai se manter
- 33% dizem que vai aumentar
- 18% ainda não definiram
- Apenas 6% preveem corte
Em outras palavras: 76% das empresas garantem continuidade ou expansão dos investimentos. A inovação aberta, portanto, já faz parte da linha orçamentária fixa das corporações brasileiras. O que deixa menos dúvidas sobre o futuro: pela pesquisa, IA e automação ocupam o topo da agenda, ao lado da transição energética.
A perspectiva para os próximos dois anos revela um alinhamento claro com tendências globais:
- IA e dados – 91% das empresas
- Eficiência operacional e automação – 79%
- Energia e transição energética – 45%
- Sustentabilidade/ESG – 36%
- Saúde e bem-estar – 33%
- Experiência do cliente – 30%
- Gestão de pessoas/futuro do trabalho – 27%
A agenda brasileira de inovação aberta será guiada por:
- Inteligência artificial e dados como eixo decisório
- Automação e eficiência como prioridade financeira
- Transição energética como necessidade estratégica
Combinados, esses três pilares desenham um futuro em que inovação aberta não é apenas sobre tecnologia, mas sobre transformação estrutural dos negócios.