Se nos esforçamos para mensurar uma operação com dados, é porque queremos tomar decisões. Sejam elas estratégicas, gerenciais ou operacionais. O problema é que, no teatro corporativo moderno, estamos confundindo a capacidade de gerar gráficos bonitos com a capacidade de mover o ponteiro do negócio.
Na verdade, antes fossem só gráficos. Agora ainda temos o NotebookLM que cria infográficos super estruturados em poucos minutos.
Tomemos o Custo por Lead (CPL) como exemplo. Ele é um indicador descritivo clássico: mostra o quanto gastamos para atrair um lead. Mas, apesar de parecer simples, ele esconde armadilhas: exige um esforço enorme para consolidar fontes de dados, mascara custos ocultos e, isoladamente, não diz absolutamente nada sobre a qualidade do que está sendo gerado. É o tipo de métrica que gera muita reunião e pouca correção de rota.
A lição do post-it útil e direto ao ponto
Para não tirar o foco das pessoas e entregar informação que realmente importa, eu sempre volto ao conceito do Scrum Board (metodologia de gestão de projetos). Em um mundo de IA Generativa (GenIA), pode parecer arcaico defender um quadro de post-its na parede. No entanto, o valor desse material está na clareza: ele mostra o andamento do projeto, os itens não planejados e o desvio em relação ao plano inicial.
O Scrum Board funciona por três razões que muitos dashboards modernos ignoram:
- É direto: você vê o desempenho sem se distrair ou investir horas para processar a informação.
- É útil: mostra a progressão diária e as metas da Sprint, deixando claro para o time e para o gerente onde a correção de rota é necessária.
- Mantém o foco: ele entrega dados simples sem o preciosismo do “tempo real” — a atualização é manual, uma vez por dia, o que promove colaboração espontânea em vez de ansiedade algorítmica.
Verborragia no lugar de fatos acionáveis
Hoje, vivemos em um mundo chat-oriented. Temos assistentes de IA que gravam reuniões, geram atas automáticas e distribuem tarefas em segundos. Mas você já se perguntou, se essa verborragia está aumentando nossa capacidade de execução?
Parece que entender o que precisa ser feito na próxima semana, discutir os obstáculos (roadblocks) e manter o ritmo da execução deixou de ser prioridade.
Toda empresa precisa de ritmo para funcionar. E esse ritmo vem da alta gestão.
Dados precisam ser acionáveis. Se a informação não gera uma ação ou uma decisão, ela é apenas um item decorativo em um PowerPoint ou um dashboard que virou quadro na parede. Estamos ganhando velocidade com ferramentas de produtividade, mas será que estamos usando esse tempo para o que realmente importa: quebrar o projeto em metas claras e manter a cadência de entrega?
Depois de ler esta coluna, olhe para o seu dashboard principal. Se você desligasse a atualização automática e passasse a atualizá-lo manualmente, uma vez por dia, seu time teria mais ou menos clareza sobre o que precisa ser feito amanhã?
Se a resposta for “mais”, você não tem um sistema operacional de dados, você tem um sistema de entretenimento corporativo.
Rituais de performance são muitas vezes mais eficientes que um dashboard. Juntos eles são ótimos, mas se precisar escolher, escolha a cultura!