Nos últimos anos temos vivido em meio a tanta ansiedade, por razões completamente diferentes, que estamos tentando organizá-las, dando uma sigla para cada uma, com direito a branding, manual de uso e fatura emocional no fim do mês. Mudam as letras, mas o motor é o mesmo: a sofisticada dificuldade humana de lidar com a incerteza sem abrir várias abas no navegador ou criar planilhas mentais que ninguém solicitou.
Tudo começou com o famoso FOMO (Fear of Missing Out): o medo de ficar de fora. De não participar da conversa, da oportunidade, da tendência, da hora, do investimento, do jantar que você nem queria, mas agora quer só porque alguém postou. O FOMO ganhou escala com as redes sociais e se infiltrou silenciosamente nas decisões profissionais. Deixou de ser sobre festas ou viagens. Passou a ser sobre carreira, relevância, timing, visibilidade e aquela sensação persistente de que todos estão avançando… menos você.
Medo ou alívio?
Depois veio o FOLO (Fear of Losing Out), uma versão mais madura e corporativa do problema. Não é o medo de não acompanhar tudo. É o medo de perder. Perder espaço. Perder orçamento. Perder influência. Perder a cadeira na empresa.
Quando isso acontece, entramos oficialmente no ROLO (Reality of Losing Out): o momento em que o LinkedIn deixa de ser rede social e funciona como grupo terapêutico.
Só que, como toda boa crise existencial contemporânea, surgiram os antídotos.
O primeiro foi o JOMO (Joy of Missing Out). Algo como a fase adulta das siglas todas. O desejo pelo off-line, pelo descanso, pelo esvaziamento da mente. A alegria consciente de não estar em tudo. De escolher ficar fora. De trocar o “evento imperdível” por uma noite silenciosa, um delivery honesto e a deliciosa sensação de não precisar sorrir para desconhecidos usando crachá.
Logo depois veio o ROMO (Relief of Missing Out), o alívio profundo de perder eventos e acontecimentos e, com eles, deixar de viver os percalços e perrengues da vida. É como quando você vê as fotos de uma festa e pensa: “ainda bem que não fui”.
Mas o cérebro corporativo nunca descansa. Surge então o FOBO (Fear of Better Options). A paralisia diante das escolhas. O profissional que analisa tanto que perde o timing. Não erra. Mas também não decide. Um clássico da liderança moderna.
Quem tem medo da IA?
Na era da inteligência artificial, o portfólio emocional ganhou upgrade, claro: o FOAI (Fear ofArtificial Intelligence), ou o medo de ser substituído por um algoritmo. E tem ainda a FOMO-AI, o medo de não estar usando IA o suficiente.
No fundo, todas essas siglas falam menos sobre tecnologia e mais sobre nós. Sobre como confundimos movimento com progresso. Velocidade com estratégia. Agenda cheia com vida relevante.
Talvez a verdadeira competência da liderança contemporânea não seja dominar todas as siglas, nem parecer confortável em meio ao caos. Talvez seja algo bem menos glamouroso: saber escolher, saber recusar, saber sustentar o silêncio, saber parar.
Porque as siglas passam, os modismos passam, os frameworks passam. Mas nós ficamos. E as nossas decisões, se tomadas com presença e sem ansiedade, também.
No fim, o antídoto para tanto medo é a coragem de parar.